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Atualizado em
06/07/2026

Enfrentar o mercado de trabalho sendo mulher, especialmente em áreas tradicionalmente dominadas por homens, é uma batalha diária contra preconceitos estruturais e desigualdades históricas. A trajetória de Tamiris Aragão, advogada formada pela Estácio, é um exemplo poderoso de resiliência, superação e do impacto transformador da educação na vida de mulheres periféricas. Sua história é o reflexo da realidade de milhares de brasileiras que lutam por espaço, respeito e oportunidades iguais no ambiente profissional.
“Muitas vezes acham que os homens são mais capazes, que a experiência masculina tem mais peso. Mas eu busco mostrar o contrário com meu trabalho. Se me subestimam, trabalho ainda mais para provar meu valor”, relata Tamiris.
Tamiris sempre acreditou na educação como ferramenta de ascensão social e autonomia. Durante sua graduação em Direito, precisou conciliar a rotina exaustiva de estudos com o trabalho, enfrentando longas jornadas, transporte público precário e o peso emocional de abrir mão de momentos com amigos e familiares. Sua primeira experiência na área jurídica aconteceu enquanto atuava como aprendiz na própria instituição de ensino, o que despertou seu interesse e paixão pela profissão.
“Nunca pude apenas estudar. Sempre precisei trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Durante cinco anos, abdiquei de muita coisa para me formar”, relembra.
Esse cenário é comum para muitas mulheres brasileiras, especialmente as que vivem nas periferias urbanas, onde o acesso à educação de qualidade e a oportunidades profissionais é frequentemente limitado.
Apesar dos obstáculos, há um movimento crescente de inserção e protagonismo das mulheres em cargos de liderança. Segundo o especialista em gestão e recrutamento, professor Flávio Guimarães, as mulheres vêm ganhando espaço e reconhecimento por suas competências únicas no mundo corporativo.
“Elas demonstram inteligência emocional, empatia, capacidade de comunicação clara, foco em resultados, resiliência e visão estratégica — qualidades fundamentais para a liderança moderna”, aponta o professor.
Essas características tornam as mulheres líderes naturalmente aptas a promover ambientes de trabalho mais inclusivos, colaborativos e inovadores, elevando a performance das equipes e os índices de satisfação dos colaboradores.
O mercado de trabalho atual, dinâmico e globalizado, exige competências que muitas vezes são mais associadas ao perfil feminino, como sensibilidade cultural, habilidade de negociação, foco em diversidade e inclusão, além da capacidade de inspirar e liderar de forma ética.
Segundo o professor Flávio, as empresas estão cada vez mais buscando líderes com inteligência cultural, empatia e visão estratégica. “Mulheres que compreendem e respeitam diferentes culturas, sabem liderar com propósito e têm sensibilidade para temas como equidade e inclusão são extremamente valorizadas em grandes corporações”, complementa.
O futuro do mercado de trabalho aponta para uma mudança significativa no cenário da equidade de gênero. Ainda há muito a avançar, mas os sinais são positivos. Em estados como o Amazonas, por exemplo, dados recentes mostram que cerca de 80% dos cargos de gestão estão sendo ocupados por mulheres — um indicador promissor da transformação em curso.
“Temos desafios estruturais, mas há um movimento consistente em direção à equiparação de gênero, tanto na empregabilidade quanto nos salários. Onde há mulheres na liderança, vemos maior inovação, desenvolvimento e satisfação no ambiente de trabalho”, ressalta Guimarães.
Apesar dos avanços, os números mostram que ainda existe um longo caminho pela frente. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022:
Esses dados revelam a necessidade urgente de políticas públicas, programas de incentivo à liderança feminina e práticas empresariais que promovam igualdade de oportunidades e de remuneração.