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Crítica é uma coluna no sítio da UniversidArte
escrita por críticos, historiadores e curadores de
arte contemporânea. O objetivo da coluna não
só é o de refletir sobre questões estéticas
e sociais na arte contemporânea, como também
o de identificar na linguagem artística um papel crítico.
A arte contemporânea ultrapassa tradições
acadêmicas e formalistas, mas não nega as suas
raízes, redeterminando processos e conceitos e mostrando
uma constante releitura de códigos estéticos.
Local ou global, ela se identifica com posições
subjetivas e sociais, e sua proposta vai muito além
de uma simples representação ou da mera possibilidade
de vir a ser um produto de mercado.
Isabel
Maria Carneiro de Sanson Portella é graduada em Museologia
pela UniRio, com especialização em História
da Arte e Arquitetura do Brasil pela PUC-Rio, e tem mestrado
em História e crítica da arte pela Escola de
Belas-Artes/UFRJ. Em 2004 lecionou como professora substituta
na UERJ no curso de Educação Artística
(cadeira de Arte no Brasil II). Curadora independente, realizou
o texto crítico de Denise Cathilina - Blue Print- Impressões
Secretas, Galeria 90 Arte Contemporânea (junho/2005).
Denise
Cathilina
Blue Print - Impressões Secretas
Blue
Print - Impressões Secretas
Uma fotografia é um segredo acerca de um segredo.
...Quanto
mais diz menos se sabe.
Diane
Arbus

Mais do que um meio vital de comunicação e expressão
humana, a fotografia é uma ampliação
do olhar. Revela realidades internas que ultrapassam a imagem
especular do real, penetrando na essência secreta dos
objetos. Através do olhar sensível do artista,
surge então uma nova imagem, uma imagem única,
singular, resultado visível da sua percepção
de mundo. E tão fantástica é esta imagem
que quanto mais diz, menos se sabe. Quanto mais
secreta sua mensagem, mais leituras nos permite.

Blue
Print, exposição que faz parte do projeto Riofotografia
(em seu segundo ano), ocupa a Galeria 90, apresentando a obra
de Denise Cathilina como expressiva representante da
fotografia contemporânea brasileira.
Denise
é herdeira de uma tradição européia
sofisticada de fotografia e tem em sua trajetória artística,
iniciada em 1992, uma preocupação com a pesquisa
e o resgate das técnicas manuais e da experimentação.

Trabalhar
com processos alternativos foi uma opção que
lhe permitiu enfrentar a grande massa da fotografia industrializada
e a possibilidade de múltiplas reproduções,
para privilegiar o singular, o único.

A
cianotipia, cópia azul ou blue print, um dos primeiros
processos de impressão fotográfica em papel,
descoberta em meados do século XIX, vem sendo empregada
por Denise na realização de suas obras. Processo
artesanal, não produz negativos, mas sim imagens singulares,
cópias únicas do objeto escolhido.
Os
sais de ferro que emulsionam o papel, acionados pelos raios
de sol, geram impressões em tons cianóticos.
A cor azul nos remete ao frio, ao congelamento, a regiões
secretas no limiar do perigo. O perigo da manipulação
de venenos, do cianeto, que pode levar à morte. Morte
que deixa em tudo um tom azulado, lívido, cianótico.

A
força das imagens na arte de Denise Cathilina, como
numa radiografia, nos transporta à medula, a um lugar
interno que existe na essência de cada objeto.
É
esse mistério, que esconde e revela, que ao mesmo tempo
emociona e arrepia, que faz dela uma artista única
como os fotogramas que cria.
Isabel Sanson Portella
Maio
de 2005
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