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EDIÇÃO 9 30 de abril de 2004
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ZASTROZZI

Francisco Carlos Malta
Ator e aluno do 7º período de Letras – Campus Rebouças

O texto do canadense George Walker, provavelmente, estará na lista dos melhores do ano de 2003, por ser um texto inteligente, dinâmico e que trabalha com o elemento suspense. O espetáculo esteve em cartaz no Teatro Glória no ano passado e chegou mais uma vez para curta temporada no teatro Miguel Falabella. Zastrozzi, até então, era um melodrama inédito no Brasil e retrata os momentos finais da perseguição movida pelo personagem central da trama, que leva o nome da peça (Zastrozzi), para se vingar do assassinato de sua mãe, a Verezzi, um artista sonhador.

A trama se passa em 1890, embora não haja referência expressa com relação à época. Zastrozzi acusa Verezzi de ter matado sua mãe, mas se dá conta que sua revolta tem caráter pessoal. A sede da eliminação é o fato de Verezzi afirmar ser um líder religioso, que tem seguidores e que possui um canal direto com o supremo. Em linhas gerais, é a luta entre o bem e o mal.

Zastrozzi é uma comédia filosófica e muito atual, apesar de ser uma peça que acontece na transição do século XIX para o século XX. O espetáculo conta com muito humor negro e pessimista. Trata-se de uma sátira inteligente, recheada de lutas de esgrima, muito misticismo, crimes e um atraente psicopata. Existe toda uma linha a la Matrix e As panteras. Todo conjunto funciona muito bem. De inicio, o espetáculo começa por uma tela (via projeção) onde o espectador é apresentado ao elenco; com isso, vai-se entrando no clima de mistério e suspense. Selton Mello, assim como Natalia Lage, Michel Bercovitch, Angelo Paes Leme, Álvaro Diniz e Gisele Câmara executam muito bem seus respectivos personagens. Todos estão em total sintonia com a harmonia do espetáculo.

Mello declarou ao jornal O Estado de São Paulo que conhecia o texto há dez anos e conta que ficou "obcecado". Mas o projeto acabou não saindo do papel. Em 2002, a peça voltou à pauta, depois que o ator Ângelo Paes Leme conheceu o texto do canadense, que permanecia inédito no Brasil. "Foi bom a gente não ter feito essa peça há dez anos. Eu tinha 20", afirmou Selton Mello.

"A gente chegou a ensaiar, mas acabou não saindo por causa de outros projetos e falta de patrocínio. O Ângelo Paes Leme leu o texto e botou pilha. Desta vez conseguimos uma estrutura bacana. É praticamente o mesmo núcleo de 'O Zelador', peça que está há três anos em cartaz".

Zastrozzi fala do mais velho dos sentimentos humanos: a vingança; e fala também de solidão. Tem um humor corrosivo, faz pensar, chorar e rir. Não tem uma narrativa linear, surpreende o expectador. É um texto apropriado para esse momento de pré-guerra, de eixo do bem e eixo do mal. Talvez tome um significado que não existia quando George Walker a escreveu. Mas quanto a isso já é outra conversa. Bom, quem não viu, perdeu.

IMAGENS DA PEÇA

 

E-mails para a coluna:
franciscomalta@hotmail.com