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EDIÇÃO 9 30 de abril de 2004
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O ZELADOR

Francisco Carlos Malta
Ator e aluno do 7º período de Letras – Campus Rebouças


Harold Pinter é nome que nunca sai de cena, seja como autor, adaptador, roteirista cinematográfico, ator e diretor. Pinter iniciou sua carreira como ator, mas é como autor que tem total autonomia. É considerado o maior dramaturgo inglês da segunda metade do século 20.

Depois de percorrer todo o País, chega novamente ao Rio O zelador. A peça estreou na "cidade maravilhosa" em 1999. A direção fica a cargo de Michel Bercovitch, que conquistou o prêmio de melhor diretor pela revista Bravo!, assim como indicação pela mesma categoria para o Prêmio Shell naquele ano.

A narrativa fala das neuroses de dois irmãos que vivem em um apartamento no mais esquecido dos subúrbios londrinos. A peça inicia quando Aston – ex-interno de um hospício e um apaixonado por quinquilharias – salva de uma briga Davies, um velho e rabugento mendigo, que ele acaba levando para casa (diga-se de passagem, um sujeito bem espaçoso), apesar da forte oposição de seu irmão Mick. É importante observar as metáforas poéticas, os silêncios em cena e os conflitos humanos, temas recorrentes nas obras de Pinter.

Na definição aristotélica, a alma é todo princípio vital de qualquer organismo. No homem está também a força da Razão. É imortal, puro pensamento, inviolado pela realidade. É independente da memória. Daí, O Zelador abrir um canal para discutir a solidão do homem dito "moderno" e a incomunicabilidade. Mello é também produtor do espetáculo e afirma: "Não estamos fazendo um Pinter para poucos. Quero mostrar o lado divertido deste autor e não o lado empolado e britânico. Vamos aplicar Pinter na moçada!"

O cenário é quase um ferro-velho. A trama se passa em Londres, mas podia ser no Rio, ou qualquer outro lugar. Esse é um grande acerto dos produtores: trazer em cena um texto que proporciona grandes reflexões.

Aproveitando as palavras de Selton, "essa moçada" deve correr ao teatro, ao invés de ficar estatelada na frente da televisão, assistindo o "nada acrescenta". Malhar o cérebro não faz mal a ninguém. Entender o mundo e a vida é uma obrigação e o teatro sempre propicia isso. Segundo Aristóteles, "pela existência está o ser acima do nada. Pela essência, se torna tal e qual espécie de ser. É, pois, a essência nada mais que um modo do existir".

E-mails para a coluna:
franciscomalta@hotmail.com