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EDIÇÃO 9 30 de abril de 2004
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A PÁSCOA

Sérgo Narcizo
Aluno do 4º período de Letras – Campus Méier

Mesmo já tendo transcorrido a data, é sempre bom lembrar a origem das celebrações, pois elas adquirem mais sentido e podemos entender a razão dos símbolos a ela associados. Assim é a Páscoa. Não falta quem pergunte: por que o coelho e os ovos de chocolate estão ligados a essa celebração religiosa? Daí, termos realizado uma pesquisa, no sentido de esclarecer os nossos leitores sobre o evento.

A Páscoa é uma festa cristã que celebra a Ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados, segundo reza a tradição católica. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.

Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do "Pessach", ou "Passover", a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, celebrada por oito dias, e que comemora o êxodo dos israelitas do Egito, durante o reinado do faraó Ramsés II, o que simboliza a passagem da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida. É a maior festa do cristianismo, pois nela se comemora a Passagem de Cristo – "deste mundo para o Pai", da "morte para a vida", das "trevas para a luz" – celebra-se a Ressurreição de Cristo, crucificado, para a libertação dos homens do pecado original. Durante a Semana Santa acontecem procissões e novenas que representam os momentos mais dolorosos da vida de Jesus. Os rituais normalmente representam a Crucificação, a Morte e a Ressurreição de Cristo.

O domingo anterior ao domingo de Páscoa é o de Ramos, e é quando se benzem os ramos de palmeiras e se celebra a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. Em muitas regiões do mundo, a Sexta-feira Santa e o Domingo de Páscoa são celebrados com manifestações que mostram uma fusão de elementos pagãos e cristãos, como a famosa "Diavolata", que acontece na Comarca de Palermo e Catânia, na Itália, (representa a luta entre o bem e o mal, na tentativa de o demônio impedir Maria de encontrar Jesus ressuscitado).

As celebrações pelo mundo:

Na China – O "Ching-Ming" é uma festividade que ocorre na altura da Páscoa, quando são visitados os túmulos dos ancestrais e feitas oferendas, na forma de refeições e doces, para que estes fiquem satisfeitos com os seus descendentes.

Na Europa CentralOs festejos remontam aos antigos rituais pagãos do início da Primavera. A tradição da Páscoa inclui a oferta de amêndoas e a decoração de ovos cozidos, com os quais são presenteados os familiares e amigos mais próximos. Também são feitas brincadeiras com ovos da Páscoa, como rolá-los ladeira abaixo, onde será vencedor aquele ovo que conseguir chegar mais longe, sem se partir.

Na Europa do Leste (Ucrânia, Estónia, Lituânia e Rússia)Faz-se a decoração de ovos, com os quais se presenteiam os amigos e os parentes. A tradição diz que, se as crianças forem bem comportadas, deixam na noite anterior ao domingo de Páscoa um boné de tecido num lugar escondido, e o coelho deixará doces e ovos coloridos nesses "ninhos".

Nos Estados Unidos – A brincadeira mais tradicional é a "caça ao ovo", onde os ovos de chocolate são escondidos pelo quintal ou pela casa para serem descobertos pelas crianças na manhã de Páscoa. Em algumas cidades a "caça ao ovo" é um evento da comunidade e é usada uma praça pública para esconder os ovinhos.

América LatinaAs crianças montam os seus próprios ninhos de Páscoa, sejam de vime, madeira ou papelão, e enchem-nos de palha ou papel picado. Os ninhos são deixados num certo local, para o coelhinho colocar doces e ovinhos na madrugada de Páscoa. A "caça ao ovo" ou "caça ao cestinho" também é uma brincadeira utilizada.

A TRADIÇÃO DO OVO

O ovo é um dos mais antigos símbolos da Páscoa. Significa fertilidade e recomeço da vida. Alguns historiadores garantem que o costume de cozinhar e colorir ovos de galinha para depois presenteá-los surgiu entre os antigos egípcios, persas e algumas tribos germânicas. Os egípcios e persas costumavam tingir ovos com as cores primaveris e os davam a seus amigos. Os persas acreditavam que a Terra saíra de um ovo gigante.

Os cristãos primitivos da Mesopotâmia foram os primeiros a usar ovos coloridos na Páscoa. Em alguns países europeus, os ovos são coloridos para representar a alegria da ressurreição. Na Grã-Bretanha, costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos dados aos amigos. Na Alemanha, os ovos eram dados às crianças junto de outros presentes na Páscoa. Na Armênia, decoravam ovos ocos com retratos de Cristo, da Virgem Maria e de outras imagens religiosas.

No século XIX, ovos de confeito, decorados com uma janela em uma ponta e pequenas cenas dentro, eram presentes populares, porém os ovos ainda não eram comestíveis. Pelo menos como são conhecidos hoje, com chocolate. Atualmente, as crianças encontram ovos de chocolate ou "ninhos" cheios de doces nas mesas na manhã de Páscoa. Em alguns lugares os ovos são escondidos em lugares públicos e as crianças da comunidade são convidadas a encontrá-los, celebrando uma festa comunitária.

Hoje, atribui-se aos chineses o costume milenar de presentear parentes e amigos com ovos nas festas de primavera. Mas foram os reis e príncipes da Antiguidade que confeccionaram ovos de prata e ouro recobertos de pedras preciosas. O povo, sem recursos para tais luxos, manteve a tradição de presentear ovos de galinha confeccionados.

A TRADIÇÃO DO COELHO

No antigo Egito, o coelho era o símbolo da fertilidade, do nascimento e da nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a lua determinar a data da Páscoa. Por ser um animal que apresenta condições de gerar grandes ninhadas, a imagem do coelho simboliza a capacidade da Igreja em produzir novos discípulos constantemente.

A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.

Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?

O CALENDÁRIO

O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da lua cheia (a data do equinócio). Entretanto, a data da lua cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. A Igreja, para obter consistência na data da Páscoa, decidiu, no Conselho de Nicea, em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma lua imaginária – conhecida como a "lua eclesiástica". A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e, portanto, a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da Quaresma, que começa na Quarta-feira de Cinzas.

Com essa definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, transformando a Páscoa numa festa "móvel". De fato, a seqüência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.

OUTROS SÍMBOLOS DA PÁSCOA

Como todas as festas religiosas, a Páscoa Cristã é repleta de símbolos. As luzes, velas e fogueiras são uma marca das celebrações pascais. Em certos países, os católicos apagam todas as luzes de suas igrejas na Sexta-feira da Paixão. Na véspera da Páscoa, fazem um novo fogo para acender o principal círio pascal e o utilizam para reacender todas as velas da igreja. Então acendem suas próprias velas no grande círio pascal e as levam para casa a fim de utilizá-las em ocasiões especiais. O círio é a grande vela acesa na Aleluia, simbolizando a luz dos povos, em Cristo. Alfa e Ômega nela gravadas querem dizer: "Deus é o princípio e o fim de tudo". Em muitas partes da Europa Central e Setentrional, é costume acender fogueiras no cume dos montes. As pessoas reúnem-se em torno delas e cantam hinos pascais.

Ainda temos como símbolos:

• O cordeiro, que simboliza Cristo, que é o cordeiro de Deus, sacrificado em favor do seu rebanho.

• A cruz, que condensa todo o significado da Páscoa, na Ressurreição e também no sofrimento de Cristo. No Conselho de Nicea, em 325 d.C, Constantim decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, não somente um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica.

• O pão e o vinho, pois na ceia do Senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue e a vida eterna, eles são dados aos seus discípulos.

• O círio, que é a grande vela que se acende na Aleluia. Quer dizer: "Cristo, a luz dos povos". "Alfa" e "Ômega" (primeira e última letras do alfabeto grego), nela gravadas, significam dizer que "Deus é o princípio e o fim de tudo".

O CHOCOLATE E O APARECIMENTO DA TRADIÇÃO

Foi com os Maias e os Astecas que essa história toda começou. O chocolate era considerado sagrado por essas duas civilizações, tal qual o ouro. O nome dado pelos gregos ao "alimento dos deuses", o chocolate, era "Theobroma" e o nome científico é "Theobroma cacao", assim chamado pelo botânico sueco Linneu, em 1753.

Na Europa, chegou por volta do século XVI, tornando rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois juntadas com água, mel e farinha. Vale lembrar que o chocolate foi consumido, em grande parte de sua história, apenas como uma bebida.

Em meados do século XVI, acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, o chocolate dava poder e vigor aos que o bebiam. Por isso, era reservado apenas aos governantes e soldados. Aliás, além de afrodisíaco, o chocolate já foi considerado um pecado, remédio, ora sagrado, ora alimento profano. Os astecas chegaram a usá-lo como moeda, tal o valor que o alimento possuía.

Chega o século XX, e os bombons e os ovos de Páscoa são criados, como mais uma forma de estabelecer de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro. É tradicionalmente um presente recheado de significados.

Endereço para correspondência:
snarcizo@yahoo.com.br