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EDIÇÃO 9 30 de abril de 2004
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MITOLOGIA DO ZODÍACO - ÁRIES

Adriano Andre Vilas Boas Siqueira
Professor de inglês e aluno do 4º período de Letras – Campus Rebouças

O símbolo de Áries está associado ao mito do carneiro de pêlo de ouro – Crissômalo, ou Velocino de Ouro, em que a vontade, o impulso para agir, o espírito empreendedor, o desejo de liderar por ser o melhor, estão presentes. Áries fala daquele que abre uma via, do caminho que leva à recuperação de algo anteriormente perdido. O símbolo de Áries está associado, também, ao mito do herói, tendo em Jasão e nos Argonautas sua melhor expressão. É a representação do guerreiro, do que parte para o cumprimento de uma missão, do guerreiro que nada teme, que só se interessa em lutar com audácia e ser vitorioso. É a representação do herói, que luta bravamente, não admitindo derrotas, só tendo em mente a vitória. É a exaltação da coragem.

Jasão, filho de Ésom, rei de Iolco e Alcímede, é o nome ligado ao signo de Áries. A história se inicia quando o rei Éson foi destronado pelo próprio irmão, Pélias. Com a intenção de efetivar sua soberania, o novo rei manda matar o sobrinho Jasão, único que poderia clamar o trono quando fosse adulto. Convencido de que a fraca criança não sobreviveria por muito tempo, Pélias manda o garoto para o exílio, sob os cuidados do sábio centauro Quirão.

Jasão sobrevive e é educado pelo centauro até completar vinte anos, quando parte para Iolco, a fim de reclamar o trono que havia sido usurpado do pai. Trajando uma pele de pantera, o herdeiro se apresenta calçando apenas uma sandália, tendo perdido a outra quando atravessara um riacho. O oráculo prevenira Pélias de que desconfiasse de todo homem calçado com uma única sandália. Ao ver Jasão, Pélias, lembrando-se das palavras do oráculo, compreende de imediato o perigo, resolvendo livrar-se dele. Assim, fingindo concordar com as exigências de Jasão, Pélias impõe uma tarefa, que julga ser a mais difícil de ser cumprida: conquistar o Velocino de Ouro, em poder do rei Eetes, e trazê-lo a Iolco.

Esse Velocino, consagrado por Eetes a Marte, era guardado por um dragão. O Velocino de Ouro era um tesouro inigualável. A preciosidade fora retirada de um carneiro dourado, que corria, nadava e voava melhor do que ninguém, oferecido por Mercúrio a Néfele, para que salvasse seu casal de filhos da ira da nova mulher do seu marido. Néfele coloca seus filhos, Frixo e Hele, no dorso do animal, que voa e desaparece com as crianças. Hele tem uma vertigem e tomba no mar, mas seu irmão sobrevive e, ao chegar a salvo em Cólquida, sacrifica o animal a Júpiter e oferece sua pele ao soberano Eetes, que o abriga. O tesouro foi então guardado no jardim de Marte e vigiado por um dragão que nunca fechava os olhos.

Mesmo sabendo da dificuldade de obter tamanha preciosidade, Jasão aceita o desafio e reúne um grupo de 50 homens, os mais corajosos que pôde encontrar, entre eles vários heróis e semideuses como Hércules, o músico Orfeu, os irmãos Castor e Pólux e o bravo Teseu. Para transportar o grupo, Jasão encomenda a maior e melhor embarcação que já havia sido construída na Grécia a um artesão de renome: Argos, cujo nome foi dado à nau. Estava assim constituído o grupo dos Argonautas, que parte em direção a Cólquida, reino de Eetes, para conquistar o Velocino de Ouro e restituir o trono a Jasão.


"Barca de Argos"
de Lourenço Costa

"Os argonautas"

Depois de diversas dificuldades no percurso, os Argonautas chegam a Cólquida e Jasão reclama a posse do Velocino de Ouro a Eetes, que concordou em ceder o objeto se o herói cumprisse duas provas de coragem: arar a terra com dois touros de narinas fumegantes e patas de bronze, que jamais haviam conhecido o jugo, além de semear os dentes do dragão do Cadmo, dos quais nasceriam uma leva de gigantes, que o herói deveria vencer, tudo isso num só dia.

A missão teria sido impossível de ser cumprida por qualquer mortal se não houvesse a interferência de Medéia, filha de Eetes, que se apaixonara perdidamente por Jasão. Convencida pelas promessas de eterno amor do jovem grego, Medéia resolve trair o pai e a pátria para ajudar o argonauta a vencer seu desafio. Ela usa seus poderes mágicos e torna o corpo do amado imune ao fogo e ao ferro, protegendo-o contra as chamas e as patas dos touros. Assim, Jasão consegue, com o auxílio do bálsamo de Medéia, colocar o jugo nos touros, atrelou-os a um arado e preparou o campo, onde semeou os dentes. Deles surgiram homens armados. Ainda agindo de acordo com as indicações de Medéia, Jasão observa os gigantes nascerem da terra e joga entre eles pedras; os homens, acusando-se uns aos outros, começam a lutar entre si e, aproveitando-se da confusão, Jasão matou-os.

Eetes, surpreso com o sucesso de Jasão, não cumpre a promessa de ceder o Velocino de Ouro e pretende matar os argonautas e destruir a Argo. Medéia novamente interfere, previne o amado e o ajuda a roubar o tesouro, fazendo com que o dragão vigilante adormecesse sob o seu encanto e se tornasse presa fácil para a lança de Jasão.


"Jasão e o velocino de ouro"
de Erasmo Quellinus

De posse do Tosão de Outro, os Argonautas e Medéia fogem na Argo e levam Absirto, outro filho de Eetes como refém. O rei, ao perceber que havia sido enganado, envia seus soldados ao encalço dos fugitivos para recuperar o Velocino e trazer de volta a filha traidora. Medéia, disposta a tudo pelo amado, usa uma artimanha cruel para retardar os perseguidores: mata o próprio irmão, esquarteja seu corpo e joga seus pedaços ao mar. Os guerreiros param então a perseguição para recuperar os restos mortais do filho do rei e sepultá-lo, deixando os Argonautas escaparem rumo a Iolco. Em honra ao feito de Jasão, o carneiro da lã de ouro foi transformado na constelação de Áries.

Áries é uma constelação polar, cuja mitologia tem raízes mediterrâneas. O mito associa-se sempre, em sua representação, a Cefeo, pai de Andrômeda e esposo de Cassiopeia, rei da Etiópia. Segundo a lenda, foi também um dos argonautas na busca do Velocino de Ouro. Os árabes viam essa zona como a um pastor com seu rebanho, onde a estrela vértice, Errai, guiava as demais.


Constelação de Áries / Cefeu

Cefeu

Cefeu

Cefeu

Andrômeda

Perseu

Mas a história de Jasão não termina aqui: Júpiter, irritado com o crime de Medéia, enviou uma tempestade, que afastou o navio Argo de sua rota. Para se livrarem do flagelo, os Argonautas dirigiram-se para a ilha de Ea, onde Jasão e Medéia foram purificados por Circe. Depois de muitas aventuras, chegaram de volta a Iolco. Por terem provocado a morte de Pélias, Medéia e Jasão foram banidos para Corinto. Ali, o herói apaixonou-se por Creúsa, repudiando Medéia. Esta se vingou matando a jovem; em seguida, para que Jasão não encontrasse consolo em parte alguma, ela assassinou os próprios filhos, nascidos da união com o herói. Desesperado, Jasão suicidou-se. Segundo outra versão, morreu esmagado sob a popa do navio Argo, quando descansava.

Apolônio de Rodes, em sua crônica sobre os argonautas, e Eurípides, na tragédia Medéia, foram alguns dos grandes escritores gregos que trataram da lenda de Jasão.

REGENTE: MARTE


Marte, o planeta vermelho

Marte é o nome latino de Ares, deus da guerra. É, também, uma das doze divindades do Olimpo. Segundo algumas versões, é filho de Juno e Júpiter. Contam que Marte teria pulado, já crescido, do corpo da enciumada Juno. É que Juno sentindo-se ultrajada por seu esposo Júpiter, que fizera nascer sem sua participação a bela Palas, gerou e fez nascer, também sozinha, o seu não muito apreciado filho, Marte. Assim, Marte nasceu de uma disputa, gerado junto à energia da raiva e do despeito.

De caráter brutal, amante da luta e semeador de desentendimentos entre os deuses e os mortais – Marte, pois, pode representar a força bruta, a impetuosidade, a raiva cega e um estouvamento que nos faz parecer bobos, mas pode também ser entendido como um tipo de agressão saudável: o impulso positivo para compreender e dominar o mundo exterior –, Marte era desprezado pelos próprios olímpicos. Marte foi mais cultuado entre os romanos, que tornaram-no a mais importante das divindades: consideravam-no pai de Rômulo e Remo. Primitivamente, cultuavam-no como o deus das tempestades e invocavam-no para impedir que seus efeitos maléficos (chuvas fortes, granizo, neve) destruíssem as plantações. Marte era, pois, divindade essencialmente agrícola. Mais tarde, provavelmente identificando a tempestade com a idéia de força instintiva, com a violência das batalhas, os romanos transformaram-no num deus guerreiro.

Originário da Trácia, cujo povo era considerado pelos gregos como rude, bárbaro e inculto, jamais foi bem aceito pela sociedade helênica. Por isso, em suas batalhas os gregos preferiam invocar Minerva, deusa inspiradora de atos heróicos, executados com inteligência e astúcia. Enquanto as outras divindades participavam das lutas, protegendo um lado ou outro e salvaguardando a vida de seus heróis favoritos, Marte golpeava ao acaso, personificando a carnificina, o assassinato sem sentido, a violência gratuita. Revestido de couraça e capacete e armado de escudo, lança e espada, nas batalhas, estava sempre acompanhado de seus filhos, Deimos (o medo) e Fobos (o terror). Chegava num carro puxado por quatro cavalos, mas logo saltava, misturando-se aos guerreiros como qualquer mortal.

Na guerra de Tróia, lutou ao lado de Heitor. Defrontando-se com Minerva, que defendia o campo inimigo, insultou-a e arremessou sua espada contra a égide da deusa. Esta afastou-se, apanhou uma pedra e lançou-a contra Marte, atingindo-o no pescoço. O deus caiu e suas armas espalharam-se no campo de batalha. Conta outra versão, para justificar o fato de nem sempre sair vitorioso nas batalhas, que chegou a fazer papel de menino imaturo, como quando foi derrubado com uma pedrada: o deus da guerra chorou de dor como se fosse um simples mortal.

Em outra ocasião, ferido por Diomedes, que, graças a Minerva, escapara a um golpe de sua lança, Marte fugiu para o Olimpo, onde Júpiter mandou que o curassem. Raramente saía vencedor dos combates que empreendia, razão para ter se retirado para o Olimpo.

Marte não teve muito sucesso em seus amores. Perseguia ninfas, deusas e mortais e quando estas o rejeitavam, violentava-as brutalmente. A mais célebre de suas aventuras amorosas foi a que envolveu Vênus, esposa de Vulcano. Quando seduziu Vênus, foi apanhado no leito com sua amada: presos numa rede invisível, confeccionada pelo marido traído, Vulcano convidou os outros deuses para presenciar a cena. Mas desta união nasceram Cupido, Harmonia, Deimos e Fobos. Mas teve muitos outros filhos, com ninfas e de um modo geral, os filhos de Marte eram homens violentos, que atacavam viajantes e praticavam atos de crueldade.


Marte e Vênus

Na Grécia, o mais célebre santuário era o Areópago. Já em Roma havia numerosas festas em seu louvor. Nas Ambarválias, celebradas no mês de maio, Marte aparecia como divindade agrícola. Essas comemorações tinham um caráter de purificação, pois os romanos acreditavam que a natureza ficava mais limpa e pura após uma forte tempestade. Depois de cada batalha vitoriosa, realizavam festas que destacavam o caráter militar da divindade. Os animais consagrados a Marte eram o cão e o abutre.

O posicionamento de Marte no mapa do céu é quem vai nos dar a distinção entre as duas formas de manifestação da energia, porém nem sempre tão fácies de serem identificadas. Por exemplo, quando uma criança se rebela raivosamente contra a autoridade, ela pode estar sendo agressiva, porém está manifestando sua necessidade de independência, que é vital para o seu crescimento. A força expressa no planeta Marte pode ser um ato de violência; entretanto, ela representa o nosso sentimento mais íntimo de sobrevivência e se algo ameaça a nossa integridade física, diante do risco do perigo, é natural uma reação e ela sempre será, intuitivamente, a nosso próprio favor, em princípio. Claro que uma vez conhecido esse sentimento, a reação poderá ser alterada.

É importante sempre lembrar que Marte, regente do signo de Áries, na Mitologia, é o deus da guerra e que, mesmo não saindo vencedor em todas as situações, não devemos perder de vista o herói e o guerreiro que existe dentro de cada um de nós.


Cartas para a coluna:
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