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EDIÇÃO 9 30 de abril de 2004
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EDITORIAL

Ulisses Soares de Carvalho
Formado em Letras, em 2002
Pós-graduando em Língua Portuguesa, pela UERJ

FELIZ PÁSCOA

O que sabem os homens sobre Deus? Confesso que pouco sei. Por mais que entre em contato com a literatura especializada em assuntos divinos, pouco sei. Talvez Deus se revele aos homens em coisas mais simples como o sorriso inocente de uma criança. Talvez esteja escondido no amor que por vezes nos assalta o coração, fazendo com que todos os assuntos, todos os problemas, todas as dores pareçam menores. Talvez Deus esteja na esperança e na falta de fé simultaneamente. Quem sabe, em meio a tantas suposições, Deus não esteja na dúvida...

Há tantos mistérios circundando a nossa existência... Há o mistério de nos sentirmos maiores do que realmente somos, há também aquele que nos impede de enxergarmos a nossa força e, entre tantos mistérios, podemos até notar o misterioso equilíbrio que sustenta tanto os pequenos e insignificantes corpos, quanto os imensos gigantes que flutuam no espaço. Pode ser que Deus seja o próprio mistério e, por assim sê-Lo, não deseje se revelar nem aos que pensam saber muito sobre Ele nem aos que O negam, deixando de crer na Sua existência.

No momento em que escrevo, penso que Deus é a minha inspiração, o comando imperceptível que o meu cérebro dá aos meus dedos para que eu produza. Entretanto, Deus pode ser tantas outras coisas, que passaria o resto de minha vida escrevendo sobre o que Ele pode ser. Talvez, na incompreensão do que é Deus, aí se encontre o próprio Deus.

Diversas vezes, não compreendi muito bem o sacrifício de Jesus, mas fui, em algum momento da minha vida, tomado por uma humilde percepção que me fez entender que, por mais inteligente que eu seja, por mais que estude e leia, serei muito menor do que um grão de areia perante a sabedoria de Deus.

Deus, certa vez, fez-me dobrar os joelhos e baixar a cabeça a fim de poder senti-Lo. Foi um sentir muito pequeno, um sentir do meu exato tamanho e do tamanho exato do meu merecimento. Entretanto, foi o encantamento mais forte que já experimentei. O meu coração nunca mais teve forças para abandoná-Lo totalmente. Mesmo quando não penso Nele, parece apenas que estou dando voltas sem sair do lugar, visto que, com o passar do tempo, volto a ter com Ele para constatar que seu fardo é realmente leve e o seu jugo é suave.

Parece até que recebi uma grande graça e desejo agradecê-la por intermédio dessas palavras. No entanto, apesar de tudo, de todos os meus bens, de todos os benefícios a mim concedidos, o que mais quero agradecer é ter conseguido escrever esse texto. Não tive intenção alguma de ensinar ou pregar. Se há algum ensinamento aqui, este deve ser traduzido na minha certeza de que, mais cedo ou mais tarde, cada um de vocês terá a oportunidade de me compreender melhor. Deus sempre marca um encontro com cada um dos seus filhos e, nem que seja no instante do nosso último suspiro, esse encontro acontece.

Tive tão pouco da presença de Deus, porém, tive o suficiente para escrever até mais do que desejava. Não me vejo liberto dos meus anseios, das minhas carências, dos meus pequenos-grandes-sofrimentos; contudo, fui tocado de alguma forma bem lá no meu íntimo, onde jaz latente a esperança de prosseguir sempre com Ele em meu pensamento e no meu coração, a fim de servir-Lhe de instrumento para algum propósito útil a todos que por ventura me conhecem.

E, assim, termino: – Eu, pecador, confesso-me aos homens – confesso-me a Deus que está em todos os homens, rogando-lhes que orem por mim agora e sempre...

Feliz Páscoa!
Que Deus abençoe vocês!