Universidade Estácio de Sá Entre no Campus Virtual

EDIÇÃO 9 30 de abril de 2004
Editorial
Entrevistas
Crônicas
Ficção
Fórum de Debates
Pós-Graduação
Coluna de Música
Coluna de Cinema
Coluna de Teatro
Coluna de TV
Coluna de Inglês
Coluna de Alemão
Coluna de Português
Colina de Francês
Coluna de Espanhol
Coluna de Italiano
Lançamentos
Resenhas
Sebos
Livrarias
Livros Recomendados
Humor
Eventos
Publicações em Jornais e Revistas
Cartas do Leitor
Artigos de ex-alunos
Coluna Social
Horóscopo
Classificados
voltar página principal números anteriores
 

LANÇAMENTOS LITERÁRIOS

Flávia Santos de França
Aluna do 4º período de Letras – Campus Méier

ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ
José Saramago

Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 328

Num país imaginário, um fenômeno eleitoral inusitado detona uma séria crise política: ao término das apurações, descobre-se um espantoso número de votos em branco – uma "epidemia branca" que remete ao Ensaio sobre a cegueira (1995), do mesmo autor. Neste romance, José Saramago faz uma alegoria sobre a fragilidade do sistema político e das instituições que nos governam.

Comunista renitente, não há dúvida de que Saramago consideraria um gesto de lucidez a rejeição sumária a "todo o sistema que aí está". Pode-se concordar ou não. O problema de seu romance não é ideológico, mas literário. Ensaio sobre a lucidez é um livro fendido em dois. A primeira e a melhor parte consiste numa fábula política sobre as conseqüências de uma revolta popular que não se dá com violência, mas por uma maciça votação em branco que solapa a legitimidade de um regime. Diante da crise, o governo procura saídas. Nos debates maquiavélicos entre ministros, o estilo inconfundível de Saramago, que comprime os diálogos em parágrafos apinhados de vírgulas, ressalta a desorientação dos personagens (...). Na tentativa de trazer os eleitores de volta à praxe, o Estado vai lançando mão de estratégias cada vez mais opressivas. Subitamente, porém, a história sofre uma guinada.

Na busca por um bode expiatório, o governo esbarra numa das personagens centrais de Ensaio sobre a cegueira: a única mulher que mantivera a visão em meio ao inferno narrado naquele livro. Ensaio sobre a lucidez converte-se a partir daí numa espécie de thriller paródico, em que a polícia investiga a mulher para, talvez, eliminá-la. Além disso, a segunda parte do livro se encaixa mal na primeira. O impacto de Ensaio sobre a cegueira devia-se ao modo implacável como Saramago perseguia a lógica de sua história até as últimas e terríveis conseqüências.

Veja (24/03/2004)

JOSÉ SARAMAGO nasceu em 1922, na província do Ribatejo, em Portugal. Devido a dificuldades econômicas foi obrigado a interromper os estudos secundários, tendo a partir de então exercido diversas atividades profissionais – serralheiro, mecânico, desenhista, funcionário público, editor, jornalista, entre outras. Seu primeiro livro foi publicado em 1947. A partir de 1976, passou a viver exclusivamente da literatura, primeiro como tradutor, depois como autor. Romancista, teatrólogo e poeta, em 1998, tornou-se o primeiro autor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura.

RACHEL DE QUEIROZ
Amélia Lacombe

Editora: Ediouro
Número de páginas: 23

A coleção Conhecendo Nossos Clássicos retrata a vida da revolucionária autora Rachel de Queiroz, buscando transmitir, através da ficção da infância da autora e de cenas próximas às de sua obra, o mundo que ela criou em seus livros: seus personagens mais marcantes, seu ambiente.

Amélia Lacombe elaborou textos em que estão presentes tanto a pesquisa histórica quanto o lirismo, a fantasia, a magia. Também a pesquisa iconográfica – que nos leva porta a dentro para a casa de Rachel de Queiroz, para sua mesa de trabalho, sua máquina de escrever, sua cozinha, sua intimidade e ao cenário onde nasceram e viveram seus personagens – conduz crianças e jovens a outras bandas deste nosso Brasil, ao nordeste da seca, às montanhas de Quixadá.

Com essa disposição para a pluralidade é que essa coleção surge sempre como novidade, pois a autora segue a trilha das produções editoriais que traduzem para as crianças, simultaneamente, múltiplos aspectos de beleza em fotografias, desenhos, ilustrações, palavras. Somado à narrativa fluente de Amélia Lacombe, o visual apurado dessa edição faz com que os leitores se envolvam facilmente com a história. Os três primeiros livros da coleção foram dedicados a D. Dinis, o rei e poeta português que oficializou o uso de nossa língua portuguesa no lugar do latim; a Gonçalves Dias, nosso primeiro poeta autenticamente brasileiro; e a Maria Clara Machado, revolucionária e primeira na literatura teatral infantil. Em seguida, foram publicados Castro Alves, Camões, Lygia Bojunga e Ana Maria Machado, cuja importância em nossa literatura clássica é evidente para todos os leitores.

Rachel de Queiroz é o oitavo volume da coleção, que tem como objetivo divulgar, junto a nossas crianças e jovens, escritores portugueses e brasileiros considerados "clássicos"; assim, mesmo que inconscientemente, nossas crianças começarão a perceber suas raízes culturais e, apossando-se do nosso passado clássico, pela identidade com a infância de nossos escritores, farão germinar, cada um em seu terreno, um grão fecundo que se há de transformar em novas espécies.

AMÉLIA LACOMBE é formada em Letras pela PUC-RJ, tendo defendido teses de Mestrado na PUC e de Livre-Docência na UFF. Participou da fundação do CUP – Centro Unificado Profissional e foi Subsecretária de Estado de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Foi professora de colégios estaduais e particulares, da PUC e da UFRJ. Atualmente, trabalha no Colégio Don Quixote (RJ).

NOVAS SELETAS - JOÃO UBALDO RIBEIRO
Organizador: Domício Proença Filho

Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 192

Organizada por Domício Proença Filho, escritor, crítico e professor de literatura brasileira, a Novas Seletas, de João Ubaldo Ribeiro, apresenta ao leitor iniciante uma variada amostra da obra de um dos mais importantes autores do País. Ocupando a cadeira número 34 da Academia Brasileira de Letras desde 1993, o baiano João Ubaldo Ribeiro é um prosador por excelência, e Domício nos mostra isso com maestria, ao reunir todos os gêneros praticados pelo autor. A escolha dos textos foi feita com a preocupação de que fossem representativos da riqueza, da imaginação, da baianidade e ao mesmo tempo da universalidade que marcam a obra do escritor.


NOVAS SELETAS - LIMA BARRETO
Organizador: Isabel Travancas

Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 192

Este volume, organizado pela jornalista e doutora em literatura Isabel Travancas, busca levar ao jovem leitor um dos mais importantes escritores brasileiros. Marginalizado em função de seu olhar crítico da sociedade brasileira, Lima Barreto não recebeu a atenção que mereceu em vida e, ainda hoje, é pouco conhecido pelos leitores. Esse livro apresenta um apanhado geral de sua obra, mostrando que, apesar de ter vivido apenas 41 anos, produziu muito e em diversos gêneros, como crônicas, folhetins, contos, romances, sátiras, críticas literárias e memórias. Usando o jornal como principal veículo de divulgação de sua produção, Lima Barreto sempre apresentou inquietação diante da realidade brasileira e indignação ante as injustiças sociais. Acreditando que o papel tanto do jornalista como do escritor é o de transformador da realidade, sua literatura é um reflexo direto dessa postura política.


A ÉTICA PROTESTANTE E O "ESPÍRITO" DO CAPITALISMO
Max Weber

Tradução: José Marcos Mariani de Macedo
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 288

Edição comemorativa de um dos grandes clássicos da sociologia. Publicado em 1904, A ética protestante e o "espírito" do capitalismo ganha nova tradução brasileira, em edição que marca o centenário do estudo. A edição recupera a versão original do ensaio e a apresenta em conjunto com o texto de 1920, revisto e ampliado pelo próprio Max Weber.

FLORBELA ESPANCA - UMA ESTÉTICA DA TEATRALIDADE
Renata Soares Junqueira

Editora: Unesp-SP
Número de páginas: 154

A escrita de Florbela faz parte de um movimento de renovação que teve lugar no Portugal dos anos 20 e 30, e quem vem na (con)seqüência do alto Modernismo de 1913-1917, com o seu epicentro no Orpheu de Fernando Pessoa e Sá-Carneiro. Mas não tem parecido assim. Esta série de análises apaixonadas e sistemáticas de Renata Soares Junqueira traz essa contribuição preciosa para a reavaliação e releitura de uma das vozes mais intensas do moderno lirismo em português.

Fernando Cabral Martins. Universidade Nova de Lisboa

É a primeira vez que, dentro da fortuna crítica de Florbela Espanca, se consagra à sua prosa um estatuto de tal magnitude – e tamanho carinho. Estudiosa e amadora de Florbela, Renata Junqueira desde há muito a desvenda, perscrutando a sua poesia com íntima compreensão, conferindo as incertezas da sua biografia e ajustando-as – numa espécie de (entende-se agora) acercamento do centro nervoso, de invocação da tonalidade propícia ao trato dos contos e do diário da poetisa. Sintonizando com argúcia as harmonias e a desafinação literária de Florbela com colegas de data (Pessoa, Almada-Negreiros e Sá-Carneiro), Renata a desloca daquela berlinda em que a pecha de anacronismo havia marginalizado a sua narrativa ficcional e autobiográfica, deitando luz sobre tais zonas até então entrevadas e arregimentadas pelo preconceito de olhares empenhados. Devolver Florbela a si mesma é tarefa inesgotável – tal a densidade de aderências interpretativas que as atribulações polêmicas, ao longo do salazarismo, depositaram sobre a sua obra. Afinal, essas personagens obsessivas; essa deliberada ambigüidade instável e modulada; essa prática esteticista e sofisticada; essas ilusões de ótica, esse jugo de máscaras; esse apagamento do mundo circundante; essa quebra de verossimilitude; essa ausência de demarcação territorial entre ficção e realidade; essa transferência patética da vida para a arte; essa representação voluntária, a bem dizer, de camarim, de encenação – tão próprios da prosa de Florbela – remetem a muito mais iludidas mistificações do que podemos supor. E Renata nos faz, além de tudo, mais este favor: devolve-nos um alvo móvel para descrermos definitivamente de toda a fixidez.

Maria Lúcia Dal Farra

RENATA SOARES JUNQUEIRA nasceu em Campinas-SP. É bacharel, mestre e doutora em Letras pela Universidade Estadual de Campinas. Desde 1994, ensina literatura portuguesa na Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara-SP.

GUIMARÃES ROSA: FRONTEIRAS, MARGENS, PASSAGENS
Marli Fantini

Editora: Senac - SP

Um dos méritos fundamentais dessa publicação é mostrar, com atualidade crítica e para um leitor que ingressa neste século XXI, a capacidade de Guimarães Rosa de dar visibilidade a potencialidades não-realizadas.

O QUINZE
Rachel de Queiroz

Editora José Olympo
Número de páginas: 160

Poesias

DICIONÁRIO SESC: A LINGUAGEM DA CULTURA
Autor: Newton Cunha

Editora Perspectiva
Número de páginas: 800

Uma obra de caráter inédito no Brasil, para leigos e especialistas. Com mais de 1800 verbetes distribuídos ao longo de oitocentas páginas, o Dicionário Sesc constitui um grande atlas da linguagem da cultura, numa condensação conceitual, cujo repertório de definições e configurações espelha o universo cultural e seus saberes, em todos os períodos históricos, ao mesmo tempo em que abre, por mais essa via, o seu acesso ao leitor brasileiro. Seu objetivo é dar início ou facilitar a consulta a um universo multiforme, mas interligado, como são os labirintos. Nele se encontram termos ou expressões eruditas e populares provenientes das artes plásticas e cênicas, das literaturas poética e narrativa, da música e da arquitetura, da história das artes, de seus estilos e movimentos, e ainda da filosofia. Racionalismo; rap; rapsódia; recitativo; refletor; Rei Momo; remake; réquiem; resolução; retórica e figuras de linguagem; retrato; ribalta; rima; Risorgimento; rocambolesco; romance; rufo – esses são alguns dos verbetes que os leitores poderão consultar na letra R.

Os verbetes relativos à arte brasileira no final do século XX contam com a colaboração de Cássia Neves, Dilmar Miranda, Ismail Xavier, Kátia Kanton, Maria Isabel Villac, Nelly Novaes Coelho, Silvana Garcia e Fátima Saad.

NEWTON CUNHA é agente cultural do Sesc de São Paulo. Formado em Jornalismo (ECA-USP), cursou pós-graduação em Filosofia (PUC-SP) e Sociologia da Educação e dos Lazeres, na Sorbonne (Paris VII). É autor de A felicidade imaginada: relações entre o trabalho e o lazer.

ESBOÇO DE CRÍTICA À ESCOLA DISCIPLINAR
Wanderson Flor do Nascimento

Número de páginas: 56

Não é de hoje que a escola vem sendo merecedora de questionamentos, a fim de que seus agentes tenham cada vez mais aumentada a consciência do processo transformador. Aqui, em poucas páginas, o autor vai direto ao ponto. Apresenta esboços de questionamento da própria instituição escolar, orienta uma leitura crítica do tema e depois retoma os questionamentos, agora voltados para o currículo escolar, o espaço, o professor e a avaliação. Sem querer esgotar o assunto, deixa-o aberto - de outra maneira não haveria como criar caminhos que levassem à junção dessas reflexões com outras produzidas em contextos diferentes, cumprindo assim seu propósito: contribuir para a renovação da escola.

LITERATURA E JORNALISMO, PRÁTICAS POLÍTICAS
Carlos Rogé Ferreira

Editora: Edusp
Número de páginas: 434

O jornalista Carlos Rogé Ferreira examina algumas relações determinantes existentes entre contradiscursos, um discurso emancipador de esquerda e narrativas literário-jornalísticas usualmente classificados como Novo Jornalismo e romance-reportagem, considerados como paradigmas para os chamados livros-reportagem. Através da análise de obras de autores norte-americanos, como Norman Mailer, Tom Wolfe, Gay Talese, e brasileiros como José Louzeiro, Renato Tapajós, Caco Barcellos, entre outros, o autor mostra como literatura e jornalismo são práticas políticas, enfatizando a natureza ideológica da comunicação, da arte e da própria existência do homem.

A MAGIA DO CINEMA
Roger Ebert

Editora: Ediouro
Número de páginas: 556

Roger Ebert, o famoso crítico americano de cinema e único ganhador do Prêmio Pulitzer, seleciona cem brilhantes ensaios sobre filmes que, segundo ele, definem a grandeza cinematográfica.

A magia do cinema apresenta um Roger bem diferente da personalidade televisiva que oferece dicas a respeito dos últimos lançamentos de Hollywood para cinéfilos pouco exigentes. Aqui ele escolhe cem grandes filmes, ou melhor, ele afirma, os cem melhores filmes, e explica por que eles, e não a batelada atual de filmes comerciais, são os que importam. Elevando-se ao nível de seu tema, escreve com eloqüência e uma convicção poucas vezes expressas por ele na TV ou em sua críticas diárias no jornal. Diferentemente das críticas atuais, tais julgamentos são verificados pela passagem do tempo e pelo número de vezes que os filmes são revistos, e, também, pela vasta e generalizada experiência de Ebert em assistir a filmes.

Os cem títulos que aqui apresenta foram selecionados entre as aproximadamente cento e cinqüenta críticas que publicou até hoje, mas a série quinzenal continua.

Além disso, discute-se o simbolismo, controvérsias, estilos e manias de direção, e muito mais. Um livro informativo, ricamente ilustrado, excelente para cinéfilos e para pessoas que vão ao cinema de maneira geral. A escrita é cativante, divertida e jamais técnica. O amor de Ebert por filmes está presente em cada página da obra.

ROGER EBERT nasceu em Urbana, Illinois, estudou nas escolas locais e na Universidade de Illinois, onde foi o editor do The Daily Illini. Após a sua graduação em Língua Inglesa nas universidades de Illinois, Cidade do Cabo e Chicago, em 1967, se tornou crítico de cinema, do Chicago Sun-Times, tendo sido agraciado com o Prêmio Pulitzer por sua atuação nessa área. No mesmo ano, iniciou uma longa parceria com Gene Siskel num programa de televisão conhecido por "Siskel & Ebert". Após o falecimento de Siskel, em 1999, o programa continuou com Richard Roeper, como "Ebert & Roeper". Desde 1969, leciona na cadeira de Cinema, no Programa de Belas-Artes da Universidade de Chicago. Em 1999, deu início ao Overlooked Film Festival, na Universidade de Illinois, selecionando filmes, estilos e formatos que acredita merecerem estudos mais aprofundados. Suas resenhas são apresentadas anualmente no Movie Yearbook. Além disso, publicou uma dúzia de outros livros. Vive atualmente em Chicago com a mulher, Chaz Hammelsmith Ebert, uma procuradora.

MINORIDADE CRÍTICA
Luís Antônio Giron

Editora: Ediouro
Número de páginas: 416

Minoridade crítica, do jornalista e crítico Luís Antônio Giron, é resultado de nove anos de pesquisa apaixonada sobre as origens da crítica musical no Brasil. O autor apresenta uma antologia de textos raros ou inéditos de autores como Machado, Alencar e outros escritores que se dedicaram à polêmica pelos jornais e revistas nos chamados folhetins.

Giron concentra-se por meio da pesquisa e seleção de textos publicados em jornais no período de 1826 e 1861. São críticas e crônicas publicadas nesse gênero da moda – no meio do caminho entre o ensaio e o aforismo – ao longo do século XIX, praticado no Brasil por jornalistas que viriam a se tornar alguns dos nossos maiores escritores. Giron resgata ainda jornalistas esquecidos, entre eles, Joana Manso de Noronha, Saldanha de Marinho, Joaquim Noberto de Souza e Silva, Émile Adêt, e é preciso não esquecer Y.Y., O Montanhês; C., O Amigo das Coisas Antigas e tantos outros que se ocultaram pelo uso do anonimato ou do pseudônimo e formaram a confraria dos folhetinistas. Diletante ou pretensiosa, esforçada ou frívola, a crítica de arte no Brasil é a grande personagem deste ensaio original. O despreparo de alguns resenhistas – daí a minoridade crítica, expressa no título – é abordada por Giron, que realiza um profundo mergulho no estudo da crônica musical brasileira.

LUÍS ANTÔNIO GIRON é jornalista. Nascido em Porto Alegre e radicado em São Paulo, trabalhou em alguns dos principais veículos de imprensa brasileiros como editor, crítico de arte e repórter. Dedica-se ao estudo da crítica da música e do teatro brasileiros e escreve ficção. Ministra cursos e realiza pesquisas acadêmicas. É mestre em Musicologia, pela Universidade de São Paulo, e desenvolve, na mesma instituição, o Doutorado em Artes Cênicas, com trabalho sobre a produção crítica e teatral de Gonçalves Dias. Livros: Ensaio de ponto (romance, Editora 34, 1998), Mario Reis, o fino do samba (ensaio biográfico, Editora 34, 2001) e Teatro de Gonçalves Dias (edição e ensaio introdutório, Martins Fontes, 2004).

AS UTOPIAS ROMÂNTICAS
Elias Thomé Saliba

Orelha de Nicolau Sevcenko
Editora: Estação Liberdade
Número de páginas: 144

"Heróis da história não escrita, criaturas da Mãe única e plenipotente, esperanças dela e uns dos outros; ergam-se como leões após o sono, atirem ao solo como orvalho essas correntes, pois vós sois muitos – e eles tão poucos!" Com versos inflamados como esses de Shelley, toda uma geração de poetas insuflou o ânimo público, no período turbulento que se seguiu à Revolução Francesa, clamando em tom profético a vitória do povo, da nação e da revolução que ensejariam a criação de um novo mundo de homens livres, destinados a viver na solidariedade, na paz e na abundância até o fim dos tempos.

Esse levante visionário e apaixonado dos inconformados e da sede de justiça se estendeu até o fatídico ano de 1848, assinalando um dos momentos mais frementes da história ocidental, chamado "A Primavera dos Povos". Nele vicejaram as utopias românticas, secretando a seiva vital do impulso revolucionário pela liberdade, igualdade e fraternidade, tal qual se mantém pulsante nos corações mais generosos até hoje.
Elias Thomé Saliba, um dos historiadores mais eruditos e sensíveis de sua geração, recria num painel amplo e vigoroso, ponteado de observações refinadas, as glórias e as misérias dessa ousada aventura política e cultural. Um livro inspirador e, nesse mundo neoconservador e opaco, mais oportuno que nunca.

Trechos:

"Movimento sociocultural, complexo e de múltiplas faces, [...] dificilmente se compreende a mentalidade romântica se não se analisa o enorme potencial de energia utópica por ela desencadeado." (p. 14)

"Todas as tentativas de definir o romantismo, identificando-o esquematicamente com a revolução ou com a reação, redundaram em fracasso, por ignorar a rota caprichosa deste imaginário.
A ambigüidade do pensamento romântico caracterizou-se exatamente por combinarora uma atitude, ora outra, numa busca desenfreada, talvez sem paralelo em outras épocas, para encontrar uma explicação global da realidade, uma explicação cósmica, combinando unidade e diversidade, continuidade e transformação." (p. 16)

TARSILA
Maria Adelaide Amaral

Editora: Globo
Número de páginas: 88

A autora pesquisou exaustivamente a história de Tarsila do Amaral, musa do modernismo brasileiro, para escrever peça teatral lançada em livro pela Editora Globo.

O livro

Ela nunca perdeu a disposição para ser feliz, mesmo frente às tragédias pessoais que a vida lhe impôs (como a perda da neta e da única filha). Tarsila do Amaral, grande artista do movimento modernista brasileiro, ressurge em todo o seu esplendor e sofisticação em Tarsila, de Maria Adelaide Amaral.

O dinamismo do texto de Maria Adelaide Amaral transporta o leitor ao ano de 1922, com a chegada da artista ao Brasil após temporada em Paris, e finaliza com a sua velhice, 50 anos depois. Retrata sua vida junto a de outros três importantes expoentes do modernismo: Mário de Andrade, Anita Malfatti e Oswald de Andrade, privilegiando o "ser humano" ao invés do "mito". Unidos por uma amizade que perdurou até o início dos anos 30, eles viveram frustrações, ciúmes e vaidades.

Cenas e diálogos contidos no livro ocorreram de fato, extraídos da correspondência trocada entre eles.

Momentos cruciais da vida de Tarsila estão presentes na obra, como a conturbada paixão por Oswald de Andrade, as confidências junto a Mário de Andrade, as graves dificuldades financeiras trazidas pela crise de 29, a prisão em 1932, o estremecimento da relação com Anita Malfatti. Mas, sobretudo, a autora dá a conhecer a lucidez e dignidade que a transformaram em uma mulher à frente de seu tempo, encontrando na arte o impulso para a vida.

A intimidade das quatro personagens é embalada por momentos históricos, como a quebra da bolsa de Nova Iorque e o advento do comunismo, e culturais, como os movimentos antropofágico e pau-brasil. Maria Adelaide Amaral traz à luz a importância e a atualidade das obras desses artistas, que se debatiam entre a influência européia e a busca de uma identidade artístico-cultural genuinamente brasileira.

Endereço para correspondência:
livros_letras@ig.com.br