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EDIÇÃO 8 20 de março de 2004

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ANA LUIZA BUSTAMANTE SMOLKA

Ana Paula Smolka
Graduada em Letras pela Universidade Estácio de Sá – Campus Rebouças
Reside em São Paulo.

Ana Luiza Bustamante Smolka é professora do departamento de Psicologia Educacional na Faculdade de Educação da Unicamp. É autora do livro A criança na fase inicial da escrita – alfabetização como processo discursivo, que está na 12ª edição pela editora Cortez.
Fez seu mestrado em Educação na Universidade de Tucson, Arizona, e doutorado em Educação na FE / Unicamp.

1. O que você está lendo agora?

Tenho mania de ler várias coisas ao mesmo tempo. Leio muitos livros relacionados ao meu trabalho, e isso envolve leituras no campo da filosofia, da sociologia, da psicologia, da educação... Nesse momento, por exemplo, estou trabalhando na escrita de dois textos, um sobre as relações de ensino, outro sobre autoria, e tenho que retomar muitas leituras... Mas eu gosto de fazer isso. É leitura "tipo" estudo, investigação, mas a gente fica na escuta dos autores e se deixa inspirar pelo que eles dizem. Nos intervalos, leio Manuel de Barros. Ganhei de presente o último livro dele, Memórias Inventadas, ilustrado pela Marta, sua filha, que é uma jóia!

2. Se você tivesse que escolher três livros inesquecíveis, quais você escolheria?

Muito difícil, responder a essa pergunta. Até porque acho que as leituras vão fazendo sentidos diferentes em diversos momentos de nossa vida. Mas assim, rapidamente? Penso em alguns livros que li quase sem respirar: Evangelho segundo Jesus Cristo, de Saramago; O nome da rosa, de Umberto Eco; O Cristo re-crucificado, de Nikos Zazantzakis; Grande sertão veredas, de Guimarães Rosa; Angústia, de Graciliano Ramos; A hora da estrela, de Clarice Lispector; O amor em tempos do cólera, de Gabriel Garcia Marques; Incidente em Antares, de Érico Veríssimo... Quando pego um romance, gosto de mergulhar na leitura e não ser interrompida por nada e por ninguém! Gosto de contos, de poesia, e adoro muitos livros de literatura infantil!

3. Que autores você indicaria como fundamentais na formação do estudante universitário, independente do curso?

Olhe, eu acho importante o estudante ser exposto a uma diversidade de opções, e vejo que faz uma diferença quando ele conhece os autores e um pouco da história da nossa produção literária. Nesse sentido, vejo que os professores têm um papel fundamental no convite à leitura e na mobilização dos estudantes para a literatura. Como fazer isso é um grande problema, porque as condições e os modos de leitura estão mudando muito rapidamente, sobretudo com o cinema e a internet. Uma estratégia é ler para eles alguns trechos, algumas pérolas literárias, e encantá-los com essa leitura. Faço isso muito freqüentemente nas minhas aulas, relacionando, por exemplo, um assunto "científico" com um modo de falar ou problematizar sobre esse assunto na literatura. Pode ser Machado de Assis, Baudelaire, Ítalo Calvino... Não importa. O que vale é como texto, o autor, afeta a gente, toca nossa alma. E isso pode acontecer de infinitas maneiras, é imprevisível.

4. Qual seria a sua recomendação de leitura nas categorias clássicos da literatura e lançamentos recentes?

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis; Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro; Chega de saudade, de Ruy Castro...

5. Haveria algum livro que você teria vontade e ainda não tenha podido ler?

Muitos!! Sobretudo romances e novelas! Além da falta de tempo porque tenho que dar conta de leituras no âmbito profissional, a super produção hoje em dia deixa a gente desnorteada! Dois deles, lançados mais recentemente: Budapeste, do Chico Buarque e O beijo da morte, do Carlos Cony.

6. Quando você escolhe um livro para ler, o que leva em consideração?

Tem uma coisa que é a necessidade premente, algo específico que você precisa conhecer e que faz parte da sua atividade profissional. A minha atividade está baseada na leitura. Mas se estou passeando numa livraria, vou apreciando as capas (que estão cada vez mais bonitas!), lendo os títulos, as contracapas, as orelhas dos livros. Freqüentemente sou atraída por temas e autores já conhecidos ou referidos nos jornais, mas deixo-me capturar também pelo que parece novo para mim.