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EDIÇÃO 8 20 de março de 2004
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JUANA DE IBARBOUROU

Elda Albertini
Tradutora e aluna do 3º período de Letras – Campus Rebouças

"En el mundo de los niños, las bestias tienen una importancia fraterna"


Esta simple citación de la escritora, este sentimiento de piedad y compresión estuvo siempre en su vida. El mundo de Juana de Ibarbourou era fresco, cándido, encantador y puro iluminando la infancia, pero de pronto ese mundo se transformava en una riqueza de imágenes barrocas y requintadas, de exuberancia erótica y de exaltación a la vida. Esa es su poesía y através de la cual ganó el título de Juana de América.

Escribió en poesia y prosa y ofrecío al lector el candoroso mundo de la fábula. Aquí nos referimos al animal utilizado en el verso de forma metafórica, por ejemplo: para simbolizar el amor sumiso ("Cierva / que come en tus mares la olorosa hierba") o la alegría despreocupada de la juventud ("yo iré como una alondra cantando por el río") o el paso del tiempo (los días que veo correr como "gamos con sed"); o las fieras sombrías que llevan dentro la Muerte para cobrar sus piezas; la Muerte, dura cazadora que camina "seguida de lebreles, / con un dedo de niebla sobre el labio"...

Juana era bella, tuvo fama. Escribió a partir de sus recordaciones, de su infancia, en una ciudad del interor del Uruguay llamada Melo.

Cantó a la naturaleza, al agua, al cántaro, al lago, a los cabellos negros, a su própio cuerpo, a la alegría.

Contodo, con el fallecimiento de su marido y la pérdida de su belleza, se entregó a una poesía más melancólica y pesimista encerrándose en su casa como en una tumba.

Sus principales obras fueron:
Lenguas de diamante
El cántaro fresco
Raiz salvajen

"No mundo das crianças, os animais têm uma importância fraternal"

Essa simples citação da escritora, esse sentimento de piedade e compreensão esteve sempre na sua vida. O mundo de Juana de Ibarbourou era fresco, cândido, encantador e puro iluminando a sua infância, porém de repente esse mesmo mundo transformava-se numa riqueza de imagens barrocas e requintadas, de exuberância erótica e de exaltação à vida. Essa é sua poesia e foi através dela que ganhou o título de Juana de América.

Ela escreveu em poesia e prosa e ofereceu ao leitor o candoroso mundo da fábula. Aqui nos referimos ao animal utilizado no verso em forma de metáfora, por exemplo: para simbolizar o amor submisso ("veado/, que como nos teus mares a erva cheirosa") ou a alegria despreocupada da juventude ("eu irei como uma andorinha cantando pelo rio") ou a passagem do tempo ("os dias que vejo correr igual a 'veados sedentos'"); ou às sombrias feras que levam dentro a Morte para cobrar-se suas peças; a Morte, dura caçadora que caminha "seguida de cachorros,/ com um dedo de névoa sobre o lábio"...

Juana era bela, teve fama. Escreveu partindo das suas lembranças, sua infância numa cidade do interior do Uruguai chamada Melo.

Cantou à natureza, à água, ao cântaro, ao lago, aos cabelos pretos, ao seu próprio corpo, à alegria.

Contudo, com o falecimento do seu marido e a perda da sua beleza, entregou-se a uma poesia mais melancólica e pessimista encerrando-se na sua casa como num túmulo.

Suas principais obras foram:
Língua de diamante
O cântaro fresco
Raiz selvagem

DESPECHO

¡Ah, qué estoy cansada! Me he reido tanto,
tanto, que a mis ojos ha asomado el llanto;
tanto, que este rictus que contrae mi boca
es un rastro extraño de mi risa loca.

Tanto, que esta intensa palidez que tengo
(como en los retratos de viejo abolengo)
es por la fatiga de la loca risa
que en todo mi cuerpo su sopor desliza.

¡Ah, qué estoy candada! Déjame que duerma;
pues, como la angustia, la alegría enferma.
¡Qué rara ocurrencia decir que estoy triste!
¿Cuándo más alegre que ahora me viste?

¡Mentira! No tengo ni dudas, ni celos,
ni inquietud, ni angustias, ni penas, ni anhelos,
si brilla en mis ojos la humedad del llanto,
es por el esfuerzo de reirme tanto...

DESPEITO

Ah, estou tão cansada! Tenho rido muito,
tanto, que aos meus olhos tem aparecido o pranto;
tanto, que esta marca que contrai minha boca
é um vestígio estranho do meu riso louco.

Tanto, que esta intensa palidez que tenho
( como nas velhas fotografias)
é pela fadiga do riso louco
que no meu corpo seu torpor desliza.

Ah, estou tão cansada! Me deixa dormir;
pois , assim como a angústia, a alegria faz adoecer.
Que estranha idéia dizer que estou triste!
Quando mais alegre que hoje me viste?

Mentira! Não tenho nem dúvidas, nem ciúmes,
nem inquietude, nem angustias, nem dor, nem desejos,
se brilha nos meus olhos a umidade do pranto,
é pelo esforço de rir tanto...

SILENCIO

Mi casa tan lejos del mar.
Mi vida tan lenta y cansada.
!Quién me diera tenderme a soñar
Una noche de luna en la playa!
Morder musgos rojizos y ácidos
Y tener por fresquísima almohada
Un montón de esos curvos guijarros
Que ha pulido la sal de las aguas.
Dar el cuerpo a los vientos sin nombre
Bajo el arco del cielo profundo
Y ser toda una noche, silencio,
En el hueco ruidoso del mundo.

SILÊNCIO

Minha casa tão longe do mar.
Minha vida tão lenta e cansada.
Quem me dera deter-me a sonhar!
Uma noite de lua na praia!
Morder musgos avermelhados e ácidos
E ter por fresquíssimo travesseiro
Um montão dessas curvas pedras
Que há polido o sal das águas.
Dar o corpo aos ventos sem nome
Abaixo o arco do céu profundo
E ser toda uma noite, silêncio,
No vazio ruidoso do mundo.

IMPLACABLE

Y te di el olor
De todas mis dalias y nardos en flor.
Y te di el tesoro
De las hondas minas de mis sueños de oro.
Y te di la miel,
Del panal moreno que finge mi piel.
¡Y todo te di!
Y como una fuente generosa y viva para tu alma fui.
Y tú, dios de piedra
Entre cuyas manos ni la yedra medra;
Y tú, dios de hierro
Ante cuyas plantas velé como un perro,
Desdeñaste el oro, la miel y el olor.
¡Y ahora retornas, mendigo de amor.
A buscar las dalias, a implorar el oro,
A pedir de nuevo todo aquel tesoro!
Oye, pordiosero:
Ahora que tú quieres es que yo no quiero.
Si el rosal florece,
Es ya para otro que en capullos crece.
Vete, dios de piedra,
Sin fuentes, sin dalias, sin mieles, sin yedra.
Igual que una estatua,
A quien Dios bajara del plinto, por fatua.
¡Vete, dios de hierro,
Que junto a otras plantas se ha tendido el perro!

IMPLACÁVEL

E te dei o cheiro
De todas minhas dálias e narcos em flor.
E te dei o tesouro
Das fundas minas de meus sonhos de ouro.
E te dei mel,
Do favo moreno que finge minha pele.
E tudo te dei!
E como uma fonte generosa e viva para tua alma fui.
E tu, deus de pedra
Entre cujas mãos nem a hera cresce;
E tu deus de ferro
Ante cujas plantas velei como um cachorro,
Desdenhaste o ouro, o mel e o cheiro.
E agora retornas, mendigo de amor!
A buscar as dálias, a implorar o ouro,
A pedir de novo todo aquele tesouro!
Ouve, mendigo:
Agora que tu queres é que eu não quero,
Se o roseiral floresce,
É já para outro que em casulo cresce.
Vá embora, deus de pedra,
Sem fontes, sem dálias, sem mel, sem hera
Igual que uma estátua,
A quem Deus baixara do pedestal, por vaidade.
Vá embora, deus de ferro!
Que junto a outras plantas se há estendido o cachorro!

LA HORA

Tómame ahora que aún es temprano
y que llevo dalias nuevas en la mano.

Tómame ahora que aún es sombría
esta taciturna cabellera mía.

Ahora, que tengo la carne olorosa
y los ojos limpios y la piel de rosa.

Ahora, que calza mi planta ligera
la sandalia viva de la primavera.

Ahora que en mis labios repica la risa
como una campana sacudida aprisa.

Después... ¡ah, yo sé
que ya nada de eso más tarde tendré!

Que entonces inútil será tu deseo
como ofrenda puesta sobre un mausoleo.

¡Tómame ahora que aún es temprano
y que tengo rica de nardos la mano!

Hoy, y no más tarde. Antes que anochezca
y se vuelva mustia la corola fresca.

Hoy, y no mañana. Oh, amante, ¿no ves
que en la enredadera crecerá ciprés?

A HORA

Toma-me agora que ainda é cedo
e que levo dálias novas na mão.

Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.

agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.

Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.

Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido às pressas.

Depois..., iah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!

Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.

Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!

Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se volte murcha a corola fresca.

Hoje, e não amanhã. Oh, amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?

Leia mais sobre Juana:

http://members.tripod.com/Heron5/poets/juana.htm
http://www.avantel.net/~eoropesa/poesia/jibarbourou1.html
http://www.webmujeractual.com/biografias/nombres/ibarbourou.htm
http://www.buscabiografias.com/cgi-bin/verbio.cgi?id=1499
http://www.damisela.com/literatura/pais/uruguay/autores/ibarbourou/
http://www.ale.uji.es/ibarbou.htm

E-mails para a coluna:
elda.albertini@bol.com.br