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EDIÇÃO 7 20 de fevereiro de 2004
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ANIMES: VARIAÇÕES DE UM TEMA OU CRISE NA CRIATIVIDADE

Melissa Poyares
Aluna do 3º período de Letras
Campus Méier



















A mídia realmente é algo estranho. Ou talvez os roteiristas careçam de imaginação. Não sei bem ao certo, mas o fato é que, uma vez encontrada a pólvora ou o "santo graal", os fazedores de ilusões repetem-na à exaustão, de modo que ao telespectador incauto pouco resta – ou desliga a caixa de fazer bobos, ou permanece, ali, passivamente, recebendo fortes doses de zeradores de QI.

De qualquer modo, tais doses têm-se tornado mais freqüentes desde a invasão dos chamados "animes", animações japonesas, na década de noventa. O fenômeno tem-se apresentado mais constante. Apesar da variedade de universos e situações, os roteiros ressaltam a importância do coletivo, o que dificulta sobremaneira a formação da personalidade. Contudo, deixando de lado o tom psicológico, vejamos o que poderia ser realmente considerado como curiosos pontos em comum.

Fazendo um exercício de imaginação (por favor, não adentrando, é claro, no lindo mundo da imaginação), pensem em um lugar onde as carreiras mais cobiçadas não seriam as de médico, advogado, engenheiro, jornalista e, tampouco, astronauta, bombeiro ou até piloto de corrida; as carreiras mais correntes fossem: treinador de Pokemons, lutador de ben blade ou, ainda, jogador de yu gi o. Pois é, em uma realidade paralela, os pais, orgulhosos de sua prole, diriam: "meu filhão será treinador de pokemons". E olhem o irônico da questão em pauta – sabemos que a falta de criatividade impera, mesmo porque os "animes" versam sobre três temas universais que são: confusões da pré-adolescência; a visão futurista da cloaca podre que o mundo ou, pelo menos, que o Japão teria se tornado (com as conseqüentes lutas pelo destino do universo, categoria em que se encaixam inclusive "Jaspion", "Changeman", "Spectro Man" e outros); e competições – a famosa idéia da equipe: "Pokemon", "Benblade", "YuGiO" e outros fantasmas, cujo nome nem ouso proferir.

O mais inusitado disso tudo é que tais profissões seriam institucionalizadas, ou seja, exercitando mais uma vez nossas "caixolas", as pessoas teriam direito a Carteira de Trabalho e outros coisitas mais.

A questão suscitada, ainda que, aparentemente, sem sentido, vem ao encontro de uma questão capital: os roteiristas estariam sendo assolados pela maior crise de falta de criatividade já vista na mídia (seriam variações de um único tema sem alterar o tom?), ou estariam sendo levados pela necessidade premente de repetir, a partir de uma fórmula já consagrada, o sucesso alcançado pela animação anterior (mesmo porque todos temos contas a pagar no final do mês)?

Tudo isso nos leva a uma sugestão interessante: por que não investir em produções nacionais, pois já que não podemos lutar de "pokemons" e monstros afins, por que não dar apoio aos que seguem resistindo e criando, tentando sobreviver da arte em um país cuja maior arte é exatamente sobreviver?