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EDIÇÃO 7 20 de fevereiro de 2004
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SIMPLESMENTE AMOR

Francisco Malta
Ator e aluno do 6º período de Letras
Campus Rebouças

Se você não quer saber nenhum conceito sobre o amor, ou também não está preocupado em encontrar a outra metade da laranja, então é aconselhável não ir até o cinema para assistir a Simplesmente amor. Sim, caro leitor, é um filme de amor, filme de pipoca, filme para você se sentir bem, filme de véspera de Natal, filme para dar beijocas, filme para ficar de mãos dadas e, para quem estiver sozinho, sair da sala cruzando os olhares.

A psicóloga Rose Costa defende a tese de sucesso desses filmes românticos; segundo a doutora, as pessoas andam muito sozinhas. A solidão cresce avassaladoramente.

A estudante Bárbara Britto assume o posto de solteirona convicta. Prestes a torna-se uma balzaquiana, a moça já recorreu a cartas, búzios, tarô, mãe de santo, despacho, internet. Procurou uma famosa cigana de Realengo. Tudo sem sucesso. A estudante afirma que o tão sonhado príncipe a la Henri Castelli anda escasso no mercado. A mulherada anda matando cachorro a grito! A solteirona pensa em recorrer aos serviços de madame Janete – a mesma que avisou à exuberante Hilda Furação que, antes de encontrar a tão sonhada felicidade, iria sofrer igual à Gata Borralheira. Pobre Hilda! Mas o próprio Roberto Drummond já havia me confessado que com Madame Janete era batata! Madame morava em Lagoa Santa, em Minas Gerais: foi vizinha de um tio de Gilberto Braga e havia garantido que Vale Tudo seria um marco na história das telenovelas.

A professora Glória Rita também pensa em recorrer ao além, para conseguir encontrar sua outra cara metade. A professora tem fortes argumentos. Segundo a educadora, até Maria Clara Diniz – a heroína da trama de Gilberto Braga – sofre por amor. E vejamos que Maria Clara é linda e bem sucedida. Será que é o destino das belas é sofrer por amor? Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral também fazem a doce Ana Paula Arósio chorar por amor na minissérie brasileira.

A verdade, caro leitor, é que o amor é um tema inesgotável. Sempre alguém vai sofrer por amor, sempre alguém vai escrever sobre o amor. Indagado sobre essa questão, o poeta itabirano Carlos Drummond de Andrade respondeu: "Por que sofremos tanto por amor?"

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por ter conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos."

Muitos já se mataram por amor: Romeu, Julieta, Werther, entre outros. Em recente declaração, a cantora Pink disse que meninos e meninas têm lá suas particularidades e o interessante é conhecer as duas faces da moeda. A cantora Preta Gil, sempre muito bem disposta, reforça essa idéia. A verdade é que em nome do amor as pessoas mudam suas vidas.

Um caso recente aconteceu com este prosador: meu professor de literatura saiu dizendo que estava indo a Goiás fazer um concurso... Pura cascata! O mestre estava mesmo era apaixonado por uma rica fazendeira da terra de Carolina Ferraz. E dizem as boas línguas que a moça é tão charmosa quanto Carol Ferraz...

Mas, caro leitor, voltando ao filme em pauta, esse é o primeiro longa-metragem de Richard Curtis, roteirista de Quatro Casamentos e um Funeral, Diário de Bridget Jones e Um Lugar Chamado Notting Hill. É uma produção inglesa: o produtor Duncan Kenworthy fez longa exposição sobre a necessidade de falar de amor nos dias de hoje, com um realismo que só é comum em filme de denúncia ou violentos. Segundo o produtor, esse filme nasceu de uma forma pouco convencional. "Curtis queria falar de amor de uma forma ampla e sua primeira idéia foi flagrar essas manifestações de carinho num aeroporto. Não acreditei que ia dar certo, mas ele me levou lá e, em poucos momentos, me emocionei até as lágrimas", lembrou. "As cenas iniciais e finais foram feitas aleatoriamente, com o cinegrafista passando oito horas diárias no aeroporto e o produtor correndo atrás das pessoas filmadas para conseguir a autorização do uso da imagem. No fim, deu muito certo."

Rodrigo conta que, após participar, nos Estados Unidos, de As panteras detonando (Charlie's Angels II), um filme de ação, ele estava curioso e temeroso de trabalhar na Inglaterra. "Temia representar em outra língua e o famoso humor inglês. Minhas dúvidas acabaram logo, pela acolhida e o profissionalismo deles", elogiou. "Aqui também temos tudo isso, pois há enormes talentos no cinema brasileiro. Só falta investimento."

Não tenho como objetivo deixar nenhum recado moralista, caro leitor, apenas, despretensiosamente, que se atente para o amor: olhe para os lados, pisque durante a missa, diga "oi" no elevador, corra na praia, entre na sala de bate papo. Quem sabe não estará por lá a sua metade da laranja.

Nas palavras do anônimo poeta, eu vos digo:

"Existem pessoas que são um sonho. Um sonho pelo qual a gente dormiria a vida inteira. Mas o destino vem e nos acorda violentamente... E nos leva aquele sonho tão bom..."

Existem pessoas que são estrelas. Doces, luzes que enfeitam e iluminam as noites escuras de nossas vidas. Mas vem o amanhecer e nos rouba com toda a sua claridade aquela estrela tão linda.

Existem pessoas que são flores. Belezas discretas que alegram o nosso caminho. Mas, com o tempo, as flores murcham, e nos enchem de saudade de sua cor e de seu perfume.

Existem, finalmente, as pessoas que são simplesmente amor. Um amor doce como o mel de uma flor... que desabrochou numa estrela e que veio até nós num lindo sonho!

E ainda bem que são amor, porque flores, estrelas ou sonhos, mais cedo ou mais tarde, terminam... mas o amor...

O AMOR NÃO TERMINA NUNCA.. "