Universidade Estácio de Sá Entre no Campus Virtual

EDIÇÃO 7 20 de fevereiro de 2004
Entrevistas
Crônicas
Ficção
Fórum de Debates
Pós-Graduação
Coluna de Música
Coluna de Cinema
Coluna de Teatro
Coluna de TV
Coluna de Inglês
Coluna de Alemão
Coluna de Português
Colina de Francês
Coluna de Espanhol
Lançamentos
Resenhas
Sebos
Livrarias
Livros Recomendados
Humor
Eventos
Publicações em Jornais e Revistas
Cartas do Leitor
Coluna Social
Horóscopo
Classificados
voltar página principal números anteriores
 

"O TEU GÊNIO NÃO NEGA, LALÁ"

Marcelo Gomes
Aluno do 4º período de Letras
Campus Méier

Gozador, sentimental, satírico, irreverente, gênio... Quantos adjetivos poderíamos empregar para aqui qualificar esse genuíno carioca que, há exatos cem anos, aportou cá por estas bandas! E foram muitas, como têm sido até hoje as bandas que executaram as consagradas marchinhas carnavalescas de Lalá. Bons tempos devem ter sido aqueles, quando o romanesco carnaval não era ainda um produto comercial; em que as ruas e salões povoavam-se de animados e amadores foliões, fossem eles pobres ou ricos, negros, brancos, mulatos, etc. Era o festival da democracia na folia.

Bons tempos devem ter sido aqueles, quando ainda não havia a televisão a nos robotizar. Havia, sim, os áureos tempos do rádio, onde Lalá era um de seus soberanos. Soberano que soube, mais do que ninguém, conviver com outros monstros sagrados da arte e reconhecer o seu talento – Mário de Andrade, Pixinguinha, Ary Barroso, dentre outros – brindando-nos com os resultados de tais parcerias.

Até dedicou-se, no começo, o moço a compor músicas religiosas. Contudo, quis o destino desviar (ou pôr no caminho certo) esse raro talento em direção ao profano – o carnaval, o teatro de revista, o futebol. Quantos, hoje em dia, de cor cantam suas músicas nos já elitizados bailes carnavalescos! Quantos outros, nos também áureos tempos do teatro de revista, deliciaram-se com espetáculos ao som da irreverência e desprendimento da trilha sonora de Lamartine Babo! Quantos apaixonados torcedores – sejam rubro-negros, tricolores, cruzmaltinos ou alvinegros – cantam nas arquibancadas dos estádios, a plenos pulmões e paixões, os hinos de seus clubes, compostos por esse americano de coração!

Todavia, foi cruel o mesmo coração americano de Lalá, a prematuramente privar-nos desse inigualável tijucano; deixando órfã a música popular brasileira, e a arte de um modo geral, de seu talento e irreverência. Foi-se Lalá, mas permanece a sua obra, como um farol sempre a sinalizar em meio à escassez que se faz presente hoje em dia na MPB.

E-mails para esta coluna:
instantes_letras@yahoo.com.br