Universidade Estácio de Sá Entre no Campus Virtual

EDIÇÃO 7 20 de fevereiro de 2004
Entrevistas
Crônicas
Ficção
Fórum de Debates
Pós-Graduação
Coluna de Música
Coluna de Cinema
Coluna de Teatro
Coluna de TV
Coluna de Inglês
Coluna de Alemão
Coluna de Português
Colina de Francês
Coluna de Espanhol
Lançamentos
Resenhas
Sebos
Livrarias
Livros Recomendados
Humor
Eventos
Publicações em Jornais e Revistas
Cartas do Leitor
Coluna Social
Horóscopo
Classificados
voltar página principal números anteriores
 

VOCÊ SABE O QUE É "BOOKCROSSING"?

Sérgio Narcizo
Aluno do 4º período de Letras e analista de sistemas
Campus Méier

Sempre se brincou que o único objeto que nunca é roubado, ou desaparece, é o livro. Mas esta "constatação" não é bem verdade: o bookcrossing está aí para provar.

A atividade do bookcrossing (cuja tradução literal é "cruzamento de livro") vem sendo incentivada por um site norte-americano e consiste em incentivar as pessoas a abandonarem livros em locais públicos para que outros os encontrem. Mas o jogo não acaba aí: uma vez que o livro tenha sido encontrado e lido, a idéia é a de que ele seja novamente abandonado em local público, para que seja encontrado por terceiros, e assim por diante.

A adesão a essa salutar brincadeira vem recebendo muitos adeptos e apresenta muitas vantagens: incentivar a leitura, aproximar leitores, além de estimular gestos de doação e partilha. Por outro lado, o efeito de quem "descobre" o livro é o de vivenciar uma surpresa agradável, além, é claro, de ganhar uma boa leitura.

Na verdade, o bookcrossing é um clube global de leitores apaixonados pela leitura, querendo estimular o hábito pelo mundo. Segundo os iniciadores do empreendimento, o bookcrossing é um "trabalho de amor". Parece ser, pois está se espalhando pelo mundo e também já chegou ao Brasil, embora aqui ainda não seja uma prática tão difundida.

O site (cujo endereço é http://www.bookcrossing.com/) merece uma visita. Lá ficam registrados todos os sócios e existem várias informações complementares importantes. Por exemplo, descobre-se que cerca de 200 mil membros já participam desse jogo e que cerca de 800 mil obras estão lá registradas. Aliás, esse cadastramento faz parte do jogo. Uma vez que o interessado faz o registro, ele deverá também registrar a obra a ser "abandonada", o local em que isso se dará e quais os procedimentos a serem adotados. Assim, o livro vai sendo "rastreado", pois quem o "receber" também terá procedimentos a cumprir.

O site determina o que ele nomeia de 3 "Rs": read (leia), register (registre) e release (libere). Tudo vem acompanhado de comentários e de um fórum de debates, que também se espalha pelo mundo. No caso brasileiro, a língua ainda está sendo um impedimento, já que não são muitos os que dominam línguas estrangeiras por aqui, como também a língua portuguesa não é tão estudada pelo mundo. Mesmo assim, o processo tem recebido inúmeros adeptos e experiências já foram registradas até pelos jornais. Segundo o site oficial, cerca de 300 a 500 pessoas fazem registro diariamente.

Nem todos os amantes do livro vão se enquadrar no perfil de um doador de suas obras: querendo ou não, há elementos e hábitos no ato de leitura que nem sempre merecem ser partilhados: por exemplo, aquele leitor que costuma conferir a sua personalidade ao percurso da percepção, sublinhando ou anotando as suas idéias nas margens. Nesse caso, é desaconselhável, pois os outros não vão querer receber uma obra que já venha com as trilhas do pensamento identificadas. Além do mais, elas também podem resvalar naquele velho e incômodo processo de julgamento do leitor anterior. Para quem a leitura e o livro são associados à identidade, é melhor nem tentar.

Mesmo assim, não deixa de ser uma boa iniciativa, para humanizar um pouco mais o mundo, além, é claro, de disseminar o hábito de se ler, tanto mais no Brasil, onde os livros são caros para o poder aquisitivo do povo – pelo menos é o que alegam os leitores casuais – e as livrarias e bibliotecas são pouco freqüentadas.

E-mails para esta coluna:
eter_net@yahoo.com.br