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EDIÇÃO 7 20 de fevereiro de 2004
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MITOLOGIA DO ZODÍACO - AQUÁRIO

Adriano Villas Boas
Professor de inglês e aluno do 4º período de Letras
Campus Rebouças

PROMETEU

O titã Iápeto, filho de Urano (Céu) e Gaia (Géia), irmão de Saturno (Cronos), uniu-se a Clímene e teve quatro filhos: Menécio, Epimeteu, Atlas e Prometeu, o filho mais jovem. Prometeu tinha o dom da profecia e desde pequeno foi criativo e inteligente, usando essa capacidade para comunicar-se com os deuses. Dessa maneira compreendia a essência de todas as coisas do universo.

Prometeu manteve-se neutro, durante a luta entre titãs e olímpicos. Entretanto, quando notou que a vitória caberia a Zeus, ofereceu seus préstimos ao deus. Desse modo foi recebido no Olimpo, participando da assembléia e dos banquetes das divindades. Na época do reinado de Saturno sobre a Terra, todos os homens eram iguais aos deuses.

Enviado à terra com a incumbência de criar um ser diferente dos animais, decidiu vingar-se do pai dos deuses, que destruíra a sua raça. Apanhou o barro do chão, umedeceu-o com água e esculpiu a massa, até obter feições iguais às de um deus. Inspirado na primeira estátua, modelou várias outras, para, em seguida, insuflar-lhes a fidelidade do cavalo, a força do touro a esperteza da raposa e a avidez do lobo. Atena (Minerva) fez as novas criaturas sorverem algumas gotas de néctar e elas adquiriram o espírito divino. Assim, estava criada a raça humana. Com o advento do destronamento de Saturno por Júpiter (Zeus) e seus irmãos, Netuno (Poseidon) e Plutão (Hades), surge a geração olímpica.

Num banquete, em que um boi seria dividido entre os olímpicos e os homens, Prometeu encarregou-se de fazer a partilha: de um lado, pôs carne e as entranhas do animal; do outro, apenas os ossos, disfarçados sob gordura branca. Zeus escolheu a segunda parte. Ao verificar que fora vítima de um ardil, irritou-se contra Prometeu e os mortais. Para puni-los, escondeu o fogo, último elemento que lhes faltava para desenvolverem uma civilização.

Prometeu, compadecido dos homens, sua criação, voou aos céus, acendeu um galho nas brasas do carro solar e entregou a chama ao homem. Enganado mais uma vez, Zeus mandou Pandora à terra para espalhar toda a sorte de desgraças entre os homens. Acorrentou Prometeu no cume do monte Cáucaso e enviou uma águia para comer-lhe o fígado. Apesar do sofrimento, Prometeu manteve a sua atitude de revolta. Desafiou Zeus, declarando que sabia um segredo sobre sua deposição. Passados 30 anos, Zeus permitiu que Hércules libertasse Prometeu que, em gratidão, revelou um oráculo, segundo o qual se o deus esposasse Tétis, teria um filho que o destronaria.

Após tudo que fizera, Prometeu torna-se mortal e não podia entrar no Olimpo, como desejava, só recuperaria a imortalidade se um imortal consentisse em trocar de destino com ele. O centauro Quíron, ferido por uma flecha de Hércules, ofereceu-se para morrer em seu lugar. O titã pode, assim, ser readmitido entre os deuses.

Uma outra versão dá conta de que enfurecido, Zeus, para se vingar de Prometeu e dos homens, pediu a Hefestos (Vulcano) que fizesse uma virgem com uma beleza sem igual, feita de argila e água, dando-lhe luz e vida. Todas as divindades deram algo de si à criatura e Hermes (Mercúrio) lhe deu a perfídia e os discursos enganadores. Essa criatura se chamou Pandora. Desceu à terra e se aproximou de Epimeteu, irmão de Prometeu. Levava consigo uma caixa lacrada, sem saber o que continha. Epimeteu, apaixonado, a trouxe junto aos homens e ela se tornou um deles, embora Prometeu o tivesse avisado para não receber presentes dos deuses. Epimeteu não se importou, e louco de paixão, levou-a para sua casa. Numa noite em que dormiam em seu quarto, curioso, Epimeteu abriu a caixa de Pandora. Dessa caixa, então, saíram males terríveis que se espalharam sobre a Terra e atormentaram os homens. A violência, a miséria, as doenças e tudo o que há de mal no mundo. Essa era a vingança dos deuses contra a arrogância dos homens. Não satisfeito, Zeus resolve afogar a humanidade, fazendo ocorrer um dilúvio durante quarenta dias e quarenta noites. Quando baixaram as águas, ainda restavam seres humanos vivos. Deucalião, filho de Prometeu, recolheu animais e homens da Terra, para tornar a repovoá-la. Dentre esses homens estava Prometeu. Para garantir a paz no mundo e nos céus, Zeus prendeu Prometeu.

Pediu a Hefestos (Vulcano) que construísse correntes enormes e indestrutíveis, para que acorrentasse Prometeu, nu e de cabeça para baixo, no pico do Monte Cáucaso, aonde uma águia viria arrancar-lhe, todos os dias, pedaços de seu fígado, que à noite se reconstruiria, e novamente pela manhã viria a águia para torturá-lo. Mesmo assim, o rebelde Prometeu não se abateu e, ainda orgulhoso e rebelde, desafiou Zeus. Esse flagelo durou trinta mil anos. Até que um dia, Prometeu enviou uma mensagem telepática a Zeus, que na ocasião estava apaixonado por Thétis. De acordo com as leis do destino, dessa união nasceria uma criança que seria o deus supremo de todo o universo, que o destronaria, assim como ele fez com seu pai Saturno, e seu pai com seu avô Urano. Zeus ficou, então, em débito com Prometeu. Hércules, sabendo dessa dívida, pediu a Zeus que pagasse com a imortalidade entregue por ele a Quíron, o centauro, que padecia de uma dor incurável, e só podendo livrar-se do flagelo se morresse. Zeus, então, retirou a imortalidade de Quíron e a transferiu a Prometeu, que se tornou mais um entre os deuses imortais, afastando-se definitivamente dos homens e juntando-se a Zeus.


Cartas para a coluna:
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