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EDIÇÃO 7 20 de fevereiro de 2004
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AQUÁRIO

22 de janeiro a 20 de fevereiro

Símbolo:
Tem o mesmo dualismo de Gêmeos e Câncer e remete para o seu elemento, o ar.

Elemento:
Ar

Regente
Urano (antigo regente: Saturno)
Rege o tornozelo, calcanhar, aparelho circulatório

Características:
A racionalização. Visão centrada na coletividade. Busca da coerência e da fraternidade. O mundo dos princípios e da lei.

AQUÁRIO: CHARLES DICKENS

Um aquariano típico é aquele que é incompreendido por aqueles do seu tempo, afinal ele está com o pensamento sempre à frente. Desta maneira, suas idéias são sempre tidas como não-convencionais e diferentes: o aquariano gosta de ser diferente, contudo não gosta deste rótulo. Outra característica está em sua preocupação com o coletivo, no amor a toda humanidade, o amor demonstrado através do altruísmo.

O inglês Charles Dickens, aquariano desta edição, tem muito dessa preocupação com o coletivo, não negando boa parte das características que Urano lhe confere - o que pode ser inclusive lido em sua lápide na Abadia de Westminster:

"Ele foi solidário aos pobres, aos que sofriam e aos oprimidos e, com sua morte, o mundo perde um dos maiores escritores da Inglaterra".

Sabe-se que, para baratear o custo de seus livros, muitos foram publicados em fascículos e assim, para garantir a fidelidade do público, cada edição terminava com um gancho instigador da curiosidade dos seguidores. Este artifício, que visava atingir todo o povo, realmente nos mostra como Aquário se manifestou em sua vida.

Outra marca aquariana estava na sua capacidade de captar o que acontecia à sua volta ao desenvolver enredos altamente complexos. A sensibilidade de elaborar e desenvolver personagens, que lhe eram inspirados por pessoas do seu cotidiano, é única na literatura Inglesa. Digna de nota, também, foi sua habilidade de descrever objetos inanimados e dar-lhes vida. Seu domínio da língua permite que o leitor veja e sinta, talvez, o mesmo que se passava na história que se desenrolava em sua mente.

A sua obra mais apreciada é "The Pickwick Papers", romance considerado obra-prima do humor e da ternura apresenta o Sr. Pickwick, sábio distraído que viaja por Inglaterra. Dickens é um mestre das narrativas protagonizadas por crianças, como em "David Copperfield", "Tempos Difíceis" ("Hard Times") e "Oliver Twist". Nelas reflete a sua própria infância infeliz, com o que a narrativa alcança o vigor e o colorido do autobiográfico. Fustiga com insistência uma sociedade insensível ao abandono das crianças e aos sofrimentos dos indigentes.

Sua infância não foi das melhores. Criança, ainda, Dickens sofreu na carne o avanço da Revolução Industrial: seu pai, sem habilidade para controlar os minguados proventos, vivia de empréstimos, sem conseguir saldá-los. Um dia, os credores se impacientaram e às pressas a família teve de mudar-se para Londres. No sótão de uma rua pobre da cidade grande, viu seu pai ser preso por conta das dívidas e sua mãe mudar-se para a prisão; assim, aos 12 anos, vivendo em casa de parentes, foi obrigado a trabalhar, colando rótulos em potes de graxa. Até os estudos, que representavam um grande desejo, foram curtos, pois as dívidas do pai nunca o permitiam ir adiante.

Sonhou em ser ator, mas não pôde. Porém empenhou-se em aprender estenografia e, aos 20 anos, começou a trabalhar no jornal "True Sun". A vida de repórter era dura, mas se divertia, anotando fatos pitorescos. E ele escrevia. Aqui, mais uma qualidade do signo se apresenta: muito inventivos e criativos, os aquarianos estão sempre "antenados" com as mais recentes novidades do mundo.

O mundo da escrita ficcional pareceu atender bem ao seu perfil de aquariano: criativo, inteligente e cheio de idéias grandiosas, o mundo intelectual é mais fácil de ser vivido por um aquariano do que este mundo terrestre tão cheio de regras. Ele está mais interessado em se desenvolver e evoluir através de temas interessantes e conversas intelectualmente produtivas. O temperamento irrequieto e fértil em observação e imaginação, Dickens produziu muito, escreveu tão intensamente que seu estilo demonstra a intensidade do pensamento. E o público correspondia, vivendo as emoções de suas personagens, o que alimentava a necessidade que tinha em ser amado. Por isso, tão bem interpretou as emoções populares.

Dentro deste veio que lhe é peculiar, não devemos esquecer de "Christmas Carol" ("Conto de Natal"), em que um espírito visita o sovina e explorador dos trabalhadores, Scrooge, e o ajuda a se tornar uma pessoa mais preocupada com os seres humanos a sua volta. Como bom aquariano, Dickens também é muito justo, sempre pronto a corrigir as injustiças, para mudar todas as regras que prejudicam os menos favorecidos.

Sem dúvida, pela obra Dickens reforça as características básicas de Aquário: sempre disposto a reformar e inovar, seu trabalho, para a época, se mostrou tão revolucionário e progressista quanto a sua intenção de trazer uma nova forma de pensar e fazer as coisas evoluírem. Aquarianos são independentes e livres pensadores. Libertários por natureza, sempre estão tentando fazer as pessoas se livrarem das amarras que as prendem, e por sinal amarras que só eles vêm. Adoram aconselhar, e seus conselhos sempre terão um caráter revolucionário e rebelde, envolvendo romper, largar e se rebelar contra as normas antiquadas e castradoras que são impostas pela sociedade.

Segundo o crítico literário Harold Bloom, Dickens é, assim como Shakespeare (em um de seus aspectos) e assim como Rabelais, "um autor do carnaval, tanto quanto do fogo de palco, e sua obra é uma espécie de festival infinito. O leitor vê-se no meio dessa festa, que é variada demais para ser compreendida em todos os seus aspectos, mesmo depois de muitas releituras. Alguma coisa sempre escapa ao nosso entendimento. A literatura "abarrotada de vida" de que falava o elisabetano Ben Johnson tem seu melhor exemplo aqui -mais até do que em Rabelais -, naquela plenitude quase shakespeariana que é a glória peculiar de Dickens".

Sugerimos dois sites para quem deseja conhecer mais sobre Charles Dickens:

Em inglês:
http://www.fidnet.com/%7Edap1955/dickens/index.html

Em português:
http://www.speculum.art.br/module.php?a_id=324


Cartas para a coluna:
adrianovilas@terra.com.br