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EDIÇÃO 7 20 de fevereiro de 2004
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LANÇAMENTOS

Por Flávia França

CARLOTA JOAQUINA NA CORTE DO BRASIL
Francisca L. Nogueira de Azevedo

Editora Civilização Brasileira
Número de páginas: 400

Desde os primeiros livros de História sobre o Brasil, Carlota Joaquina é retratada como uma mulher vulgar, ambiciosa, perversa, inculta, ninfomaníaca, enfim, transgressora de todas as normas morais e éticas inerentes às mulheres da nobreza de seu tempo e essa foi a imagem que se fixou ao longo dos anos no imaginário popular.

Nascida na corte espanhola, filha dos reis Carlos IV e Maria Luísa, Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança trocou, logo cedo, a festiva e culturalmente dinâmica sociedade de seu país pela sombria e conservadora corte portuguesa, ainda sob os auspícios da severa rainha D. Maria I. Mesmo mantendo permanente vínculo com a Espanha, ela mostrou-se hábil negociadora política, desempenhando importante papel na crise das coroas ibéricas e, posteriormente, no processo revolucionário que culminou com a desintegração do império espanhol na América. No entanto, até hoje a historiografia tem sido implacável e sempre parcial na abordagem da vida pública e privada da princesa.

Procurando estilhaçar essa imagem, a autora, sem realizar pré-julgamentos, privilegiou a correspondência ativa, passiva e correlata referente à personagem, englobando um total de mil quatrocentas e cinqüenta e três documentos, entre cartas privadas, relatórios, manifestos e material de propaganda política. Através desse farto material foi possível acompanhar e dimensionar todo drama da vida de uma mulher do século XIX, com uma existência marcada simultaneamente pela paixão, fraqueza, implacabilidade, e que ousou enfrentar o mundo dos homens, transgredir as normas sociais de seu tempo. Uma mulher com desejos, vigor e ambição para viver de forma radical aquilo que queria e em que acreditava.

Francisca L. Nogueira de Azevedo é formada em História, com mestrado em História da América Latina na Temple University (Filadélfia) e doutorado no Programa de História Social da UFRJ. Atualmente é professora adjunta do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História Social da UFRJ e coordena o Programa de Estudos Americanos (UFRJ). Tem vários artigos publicados em revistas especializadas e livros. Participou da organização de dois volumes da coleção América 500 anos: Raízes da América Latina e Confronto de culturas: conquista, resistência, transformação. CARLOTA JOAQUINA NA CORTE DO BRASIL é seu primeiro livro.

O PRISIONEIRO DA SOMBRA
Luiz Roberto Mee

Editora Record
Número de páginas: 308
Preço: R$ 36,00

Com uma narrativa elegante e muita imaginação, O PRISIONEIRO DA SOMBRA revisita o arquétipo do herói clássico na figura de Ruldra, um adolescente de personalidade complexa. Filho de um ferreiro com um passado misterioso, o jovem Ruldra é adotado pelo sábio feiticeiro Manin Salzavar logo após a morte de seu pai.

Ruldra, então, se torna aprendiz de mago no fantástico reino de Sammar. Mas nem tudo é simples. Sobre Rulda repousa a responsabilidade de restaurar o balanço da magia, segundo a profecia anunciada com o devido drama pelo arquimago do reino. Enviado à Escola de Saroléa, o rapaz cede ao orgulho e irresponsabilidade típicos de sua pouca idade e liberta as Trevas sobre o mundo.

Acompanhado de sua namorada Lena e de sua consciência pesada, Ruldra tenta consertar o que fez, numa perigosa aventura. O PRISIONEIRO DA SOMBRA é uma metáfora fantástica da luta do bem contra o mal. Mee transporta o leitor para um universo onde a Luz e a Treva travam eterna luta pela alma de seus personagens. Mas há sempre uma fresta deixada pela Treva onde a Luz há de entrar. É esse facho de esperança que ilumina a aventura de Ruldra.

Luiz Roberto Mee publicou quatro livros desde que estreou na literatura no início dos anos 1990. Formado em Engenharia, teve passagens pela Shell e pelo programa nuclear brasileiro, em Angra dos Reis. Aos 59 anos, Mee, quando não está viajando para algum lugar distante no globo, tem sua base no Rio de Janeiro, onde já está preparando seu sexto romance.

PERDAS & GANHOS
Lya Luft

Editora Record
Número de páginas: 128

Obra que alia memórias a uma delicada e sensível visão sobre o processo de envelhecimento da mulher, por uma das mais importantes escritoras da atualidade. Um dos maiores best sellers de 2003.

Lya Luft é uma mulher de seu tempo, e sobre ele dá seu testemunho em tudo o que escreve, especialmente nesse novo livro. Uma mulher madura que já experimentou perdas e ganhos, mas mantém o otimismo, ama a vida, se diz "um bicho de sua casa" – embora pouco doméstica, considera sua família o centro da vida, e a vida mais importante do que a literatura. Num misto de ensaio e memórias, em Perdas e ganhos, Lya Luft retoma diversos temas de O rio do meio (1996), vencedor do prêmio de melhor livro da Associação Paulista de Críticos de Arte. Entre alegrias, descobertas, decepções e buscas, a autora busca dar um testemunho pessoal sobre a experiência do amadurecimento. Convoca o leitor para ser seu amigo imaginário; cúmplice e companheiro de reflexões que vão da infância à solidão e à morte, ao valor da vida e à transcendência de tudo.


CRISTAL POLONÊS
Letícia Wierzchowski

Editora Record
Número de páginas: 176

Belíssimo drama sobre a vida de uma família humilde de origem polonesa, escrito pela consagrada autora de A casa das sete mulheres. O medo, o sonho, a alegria mais genuína estão entre as páginas deste livro, e sopram no rosto do leitor os seus segredos mais sutis.

Cristal Polonês mostra uma família muito pobre. Todas as alegrias, como um casaco novo ou um móvel bonito, chegam de segunda mão. A rigidez da máma polonesa é amenizada quando o táta ganha uma aposta. O prêmio é uma temporada na casa de campo de um amigo. A viagem faz a alegria dos três filhos e transforma o futuro da família. Nunca mais, o sabor daquela sonhada Coca-Cola que tomavam de vez em quando será igual.

A trama poderia ser explorada em um conto, mas Letícia demonstra faro para desenvolvê-la em maior número de páginas. Cristal Polonês não tem o lirismo de O Anjo e o Resto de Nós, o tom épico de Prata do Tempo e muito menos a pretensão de A Casa das Sete Mulheres. É uma história singela, mais um exemplar da criatividade de Letícia, que aproveita o fôlego de seus 31 anos para praticar a mania de não parar de escrever.


DE VOLTA PARA CASA
Mary Sheldon

Editora Record
Número de páginas: 320

Uma mulher casada e bem-sucedida procura pela mãe, que a abandonou muitos anos antes, ao trocar a maternidade por uma carreira de atriz. Romance de estréia da filha de Sidney Sheldon.

De volta para casa acompanha a trajetória da decoradora de interiores Alexis. Aos 40 anos, bonita, rica e bem-sucedida, ela tem passe-livre nos lares mais conceituados de Nova York. Além de um invejável casamento e um fabuloso apartamento em Manhattan. Mas nem todo o dinheiro do mundo conseguiu comprar a felicidade de ter uma mãe presente. Alexis vive infeliz, assombrada pela memória de sua mãe, Maggie Royal, atriz exuberante, que a abandonou quando ainda era uma garotinha. Uma perda que jamais conseguiu superar. E agravada com a morte da própria filha, Elise, quando esta tinha apenas seis anos de idade.

FIGURAS DO SABER

FOUCAULT
Pierre Billouet
Tradução: Beatriz Sidou

Editora: Estação Liberdade
Número de páginas: 232

Foucault: uma intervenção sobre o presente

Foucault não se interessava pelas "superfícies" e sim pelas "profundezas" dos domínios do saber – lá onde acontecem as rupturas que fazem com que, sob as mesmas palavras, se pense de fato em coisas diferentes. Como pôde esse filósofo nada fácil ultrapassar os limites dos campi e exercer tanta influência sobre a sociedade e o pensamento contemporâneos, e fazer com que a maioria das discussões sobre os caminhos da psiquiatria, da medicina e das prisões tenham no horizonte a sua obra?

Nesse livro, Pierre Billouet assume o desafio de apresentar essa obra restituindo sua dinâmica interna (em que todo livro de Foucault é encadeado aos precedentes) e a externa (em que todo livro é encadeado ao mundo e a seu tempo), seguindo a ordem cronológica e fazendo uma longa análise, inclusive da repercussão, de cada um dos principais trabalhos do filósofo (História da loucura, O nascimento da clínica, As palavras e as coisas, A arqueologia do saber, Vigiar e punir, História da sexualidade) em capítulos que funcionam como verdadeiros guias de leitura dos escritos desse autor paradoxal.

ORLANDO
Virginia Woolf
Tradutor: Cecília Meireles

Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 224

O mais popular livro de Virgínia Woolf, Orlando é uma biografia fantástica de um nobre inglês nascido no século XVI que se transforma em mulher e atravessa o tempo até chegar aos anos 20 do século XX. Orlando está constantemente em busca do amor e da arte. Através das aventuras e desventuras do personagem, Virgínia Woolf apresenta um panorama das transformações sofridas pela Inglaterra e traça divertidas comparações entre homens e mulheres, que acima de tudo servem para desenhar Orlando como um ser humano, independente do sexo. Traduzido pela grande poeta Cecília Meireles, o livro nada perde ao ser lido fora do original.

ABC DE CASTRO ALVES (Recomposição)
Jorge Amado

Editora: Record
Número de páginas: 256

Escrito em tom lírico e afetuoso, essa obra destaca-se como um livro à parte dentre as demais biografias de Castro Alves, um artista que nunca hesitou em envolver-se com os problemas dos homens. Jorge Amado restitui a autenticidade do poeta, situa-o em sua época e tem a vantagem de conhecer e compreender como ninguém o poeta-abolicionista. Certamente em nenhum outro autor poderá ser encontrada tamanha consciência militante de sua função pública nem tanto amor pelo homem e por sua obra.

LITERATURA E MÚSICA
Solange Ribeiro de Oliveira, Carlos Renno, Paulo Freire, Maria Alice Amorim, Janaina Rocha

Editora: Senac SP
Número de páginas

Os cinco autores especializados em literatura e/ou música analisam, aqui, a "musicalidade" do texto, as relações dessas artes que, segundo um dos autores, são evidentes na prosa e na poesia de grandes escritores.

ARTE E VIDA NO SÉCULO XXI
TECNOLOGIA, CIÊNCIA E CRIATIVIDADE

Organizadora: Diana Domingues

Editora: Unesp
Número de páginas: 380

Esse livro testemunha alguns dos desenvolvimentos artísticos mais recentes, tal como a ciberarte, a poesia, o teatro interativo, a arte genética e a arte transgênica. Nesse horizonte estético, aparecem visões tal como aquela de Roy Ascott, que prevê o advento de "mídias úmidas", caracterizadas por simbioses pós-biológicas entre a telemática, a biotecnologia e a nanoengenharia. É por tudo isso que as documentações contemporâneas e as visões futuristas desse livro serão capazes de conduzir os leitores além do limiar da cibercultura até os confins do horizonte de uma estética pós-biológica e uma cultura pós-humana.

ORELHAS

Depois do seu muito bem-sucedido livro A arte no século XXI: a humanização das tecnologias (UNESP, 1997), Diana Domingues nos apresenta nessa nova coletânea um panorama ainda mais vasto e igualmente vanguardístico, que amplia os temas do livro anterior, a ciberarte e a ciberestética, em duas direções aparentemente opostas, a ciência e a vida cotidiana. De fato, Arte e vida no século XXI: tecnologia, ciência e criatividade é um campo de pesquisa extremamente amplo, cuja abordagem, à primeira vista, parece demasiadamente ambiciosa, mesmo para o time internacional e nacional de autores que a organizadora reuniu para esse livro. Porém, nos trabalhos aqui organizados se manifesta uma complementaridade tão convincente quanto inesperada, pois eles dão evidência de que, no início do século XXI, a ciência, a arte e o cotidiano estão mais intimamente ligados do que nunca. A visão do século XXI que o livro nos apresenta é a de uma era pós-biológica, em que seres pós-humanos interagem num tecno-ambiente, acoplados a máquinas e redes digitais. A vida cotidiana já não é mais o real, nem o virtual: ela virou uma realidade mista, na qual seres orgânicos entram em simbioses com vidas artificiais e máquinas complexas, que começam a se auto-organizar. Os leitores desse livro se tornam testemunhas dos desenvolvimentos artísticos mais recentes, tal como ciberarte, poesia e teatro interativos, arte genética e arte transgênica. Nesse horizonte estético, aparecem visões tal como aquela de Roy Ascott, que prevê o advento de "mídias úmidas", caracterizadas por simbioses pós-biológicas entre a telemática, a biotecnologia e a nanoengenharia.

BOA COMPANHIA
Dora Ferreira da Silva - Ferreira Gullar - Armando Freitas Filho - Francisco Alvim - Zuca Sardan - Chacal - Nicolas Behr - Roberto Marinho de Azevedo - Arnaldo Antunes - Josely Vianna Baptista - Alice Ruiz - Bruno Zeni - Lélia Coelho Frota - Antonio Fernando de Franceschi - Eucanaã Ferraz - José Almino

Editora: Cia. das Letras
Número de páginas :176

Boa Companhia - Poesia reúne dezesseis poetas brasileiros contemporâneos, em textos inéditos de diversas tendências estéticas, que refletem inquietações pessoais, dão contornos às incongruências da nossa sociedade e respondem aos desafios do tempo.

A pluralidade de caminhos da nossa produção poética atual denota vitalidade artística. Os poemas reunidos nessa coletânea vão do coloquialismo ao apuro formal, do haikai à poesia em prosa, da contenção da poesia visual às formas mais expressivas do verso tradicional.

Depois de Boa Companhia - Contos, esse é o segundo volume de uma coleção que apresentará autores de destaque, brasileiros e estrangeiros, de todas as épocas, em diversos gêneros da escrita, com o objetivo de demonstrar que o prazer da leitura é sempre uma boa companhia.

100 MELHORES HISTÓRIAS ERÓTICAS DA LITERATURA UNIVERSAL
Organizado por FLAVIO MOREIRA DA COSTA

Editora: Ediouro
Número de páginas: 640

Histórias eróticas

O erotismo já foi definido como a força de atração entre os seres, força de vida aspirando ao bem absoluto e motivando a pedagogia, as artes e a filosofia. E como sendo a razão da elevação da alma em direção ao belo, a transposição do impulso sexual em princípio de ordem e unidade. Nas palavras da escritora Anaïs Nin, "o erotismo é uma das bases do autoconhecimento, tão indispensável quanto a poesia". Erótico é o discurso que seduz, como o canto das musas, é o conceito do amor como o que se manifesta numa obra, num grupo de textos. A arte erótica convida homens e mulheres a participar integralmente da festa da vida. Nesse livro, Flávio Moreira da Costa reúne os melhores discursos sedutores de todos os tempos, de Flaubert a Sade e Masoch, de Machado de Assis a Hilda Hilst, de Shakespeare a D. H. Lawrence, entre outros.

GUIA DOS SEBOS
Antonio Carlos Secchin

Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 168

Sucesso nas versões anteriores, a nova edição de Guia dos Sebos traz agora os sebos de mais quatro capitais. Fortaleza, Maceió, Manaus e Natal se unem ao Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Luís do Maranhão nesse valioso guia. O livro traz também a atualização dos endereços já existentes na edição de 2002. As lojas estão divididas por bairros, com telefone, endereço postal e eletrônico, forma de pagamento aceita e características de cada um dos 236 estabelecimentos citados. Os do Rio de Janeiro receberam, ainda, um breve comentário sobre o acervo.

MARIA ANTONIETA - A ÚLTIMA RAINHA DA FRANÇA
Evelyne Lever

Editora: Objetiva
Número de páginas: 384

A mais completa, atualizada e reveladora biografia de uma das mais instigantes personagens da história universal.

"Um livro evocativo... a mais importante contribuição ao tema desde os estudos de Pierre de Nolhac no início do século XX... As qualidades de Lever como biógrafa, já demonstrada em suas biografias de Luís XVI e de Luís XVIII, novamente aparecem em seu hábil tratamento da narrativa." – The Times

"Essa biografia, nada romanceada, é muito bem escrita e fornece uma boa descrição dos personagens e locais de uma tragédia que ficou gravada na história." – La Libre Belgique

Baseado em diários, cartas e documentos de arquivos austríacos e suecos, esse livro deixa para trás a imagem caricata com que a história costuma retratar Maria Antonieta, e nos proporciona vívidas descrições da rainha, de seu círculo íntimo e da extravagante corte de Versalhes – "um retrato psicológico que não deixa espaço para ambigüidade" e, como observa o Figaro Madame, "restaura a dimensão política freqüentemente ausente nas biografias da última rainha da França."

Numa narrativa brilhantemente construída, a renomada historiadora francesa Evelyne Lever conduz o leitor pela fascinante, conturbada e sanguinária trajetória de Maria Antonieta – a vida junto da família em Viena, o casamento precoce por interesses políticos em Versalhes, a corte francesa, o tédio, a hipocrisia, a solidão. Os grandes aliados e os inimigos implacáveis. Divertimentos extravagantes, escândalos, intrigas, paixões fulminantes. As rebeliões camponesas, a queda da Bastilha, o ataque a Versalhes, a reclusão nas Tulherias, a multidão enfurecida em Paris, o encarceramento, a guilhotina.

EVELYNE LEVER é uma das principais historiadoras francesas e autora de sete livros, entre eles, as biografias de Luís XVI e de Luís XVIII e, mais recentemente, a de Madame de Pompadour. Atualmente mora em Paris.

A CAPITAL DA SOLIDÃO
Roberto Pompeu de Toledo

Editora: Objetiva
Número de páginas: 560

Uma história de São Paulo, das origens a 1900, escrita por um dos mais consagrados jornalistas brasileiros

De todos os paradoxos de São Paulo, um dos maiores é o que oferece o cotejo de seu presente com o seu passado. A metrópole vertiginosa e trepidante de hoje nasceu distante, fora do alcance dos navios portugueses, escondida pela serra do Mar – uma barreira que foi obstáculo, mas também desafio a vencer, definindo a personalidade desta São Paulo obstinada e perturbadora.

Convidado pela editora Objetiva para escrever esse livro, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo mergulhou ao longo de quatro anos numa minuciosa pesquisa para reconstituir a história da primeira vila do interior do Brasil, até se tornar metrópole em 1900.

Numa narrativa envolvente e reveladora, o leitor é convidado, capítulo a capítulo, a conhecer momentos cruciais da trajetória da cidade que, por mais de uma ocasião, esteve ameaçada de penosos retrocessos, senão de extinção, por motivo do abandono dos moradores, da precariedade de recursos e do que por vezes pareceu uma irremediável falta de futuro.

O destino de São Paulo, ao longo dos três primeiros séculos de existência, foi de isolamento e de solidão. Em 1872, quando os primeiros sinais de prosperidade começavam a visitá-la, por obra da riqueza trazida pelo café, ainda assim a população de pouco mais de 30 mil habitantes a situava numa rabeira com relação às demais capitais brasileiras. Em 1890, já tinha dobrado de tamanho. O momento em que finalmente engrena e começa a virar a São Paulo que se conhece é súbito como uma explosão – na passagem do século XIX para o XX, quando se transformou num aglomerado de gente vinda de diferentes partes do mundo.

Ilustrada com rico material iconográfico como mapas, fotos e gravuras, A capital da solidão é biografia exemplar de uma personagem que seduz e intriga desde suas origens – a cidade de São Paulo.

Roberto Pompeu de Toledo nasceu na cidade de São Paulo, em 1944. Jornalista desde 1966, trabalhou no Jornal da Tarde, no Jornal da República, na Isto é, no Jornal do Brasil e Veja, revista em que ocupou diferentes cargos, entre os quais o de editor-executivo e o de correspondente em Paris. Atualmente, também para a Veja, escreve matérias especiais e uma coluna semanal.

Endereço para correspondência:
livros_letras@ig.com.br