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EDIÇÃO 7 20 de fevereiro de 2004
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ENSEBANDO. DICAS DE UM RATO.

José Mauricio da Silva
Aluno do 7º período de Letras
Campus Rebouças

"Às vezes, quase sempre, um livro é maior que a gente".
Guimarães Rosa

Eu sou o protótipo do que se poderia chamar de um "rato de sebo". Meus filhos já sabem: o ponto de encontro para um almoço na cidade é sempre o interior de um sebo. Sobrou-me um tempo livre... e lá estou eu entocado dentro de um.

Se para comprar bons livros em um sebo não precisamos de muito dinheiro, em termos relativos a uma livraria tradicional, em compensação, precisamos dispor de um bocado de tempo livre. Como hoje me encontro nesta situação: sem folga financeira, mas com algum tempo livre, procuro explorar ao máximo as oportunidades que os sebos nos oferecem. Seguem-se algumas dicas que podem ser úteis.

1) Escolha uma ou duas lojas, que tenham um bom movimento, nas quais os atendentes sejam mais simpáticos a você, e estabeleça um relacionamento menos comercial, torne-se um "amigo da casa". Nunca encontrei um acolhimento frio ou indiferente, acho que o lidar com livros estabelece algum tipo de ligação metafísica entre as pessoas.

2) Passe o mais regularmente que puder por essas lojas, boas compras em sebo precisam de sorte, e a sorte somos nós quem provocamos... A sorte grande em um sebo consiste em você chegar lá no dia em que está sendo colocada nas prateleiras uma biblioteca recém-adquirida, e que tenha pertencido a alguém com interesses semelhantes ao seu. É uma festa!

3) As lojas novas também costumam oferecer boas surpresas. Se você costuma caminhar pela cidade, procure ficar atento; pequenos sebos vivem abrindo e fechando, ou se mudando, e geralmente têm os melhores preços.

4) Pechinche sempre! Se você algum dia tentou vender livros em um sebo, sabe que há uma enorme margem para negociação.

5) Se você não tem problemas alérgicos, dê preferência aos sebos com poeira. Eu nunca fui feliz em sebos desensebados.

6) Para encerrar esses meus palpites, se você encontrar "aquele" livro esgotado, antigo objeto de seus mais profundos desejos, não hesite em comprá-lo, na pior das hipóteses peça ao livreiro para reservá-lo, pelo menos por alguns dias. A dor mais profunda que um rato de sebo pode sofrer é voltar à loja e terem comido o "seu" queijo!

E-mail para a coluna:
jmjornalista@uol.com.br