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EDIÇÃO 6 19 de dezembro de 2003
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Amigo Letrado,

Natal é época de confraternizar, comemorar e, principalmente, demonstrar carinho. Nossa cultura alia esses sentimentos ao ato de presentear. E esta coluna, com o intuito de auxiliá-lo nessa tão importante tarefa, preparou uma Lista Especial de Livros que são verdadeiros Presentes de Natal. Aproveite!

Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de Paz e Amor!

Flávia França
livros_letras@ig.com.br


LANÇAMENTOS

MÍMESIS: DESAFIO AO PENSAMENTO
Luiz Costa Lima

Editora: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
Número de páginas: 432

A maioria dos analistas contemporâneos da literatura acredita que o fenômeno da mímesis corresponde simplesmente ao que se costuma chamar de "imitação". Mas o ensaísta, crítico e professor Luiz Costa Lima, um dos mais prestigiados representantes da intelectualidade brasileira, não concorda.

Luiz Costa Lima faz uma outra leitura do conceito. De Descartes a Freud, ele mostra como é importante reconsiderar a idéia de sujeito e repensar a mímesis. Além disso, revela claramente a insuficiência do pensamento de vanguarda na tentativa de ultrapassar suas próprias debilidades.

Após o livro Mímesis e modernidade (1980), o ensaio Representação social e mímesis (1981), e a tese Vida e mímesis (1995), Costa Lima resolveu, finalmente, encarar de frente o desafio ao pensamento proposto pela mímesis: "Como quem parte para uma luta com um adversário incomparável, disse a mim mesmo que só havia uma coisa a fazer - formular o delineamento geral daquele repensar", afirma.

Nascido em 1937, o maranhense Luiz Costa Lima é autor de quinze obras de análise literária, entre as quais Lira e antilira, Limites da voz, O controle do imaginário, Mímesis e modernidade e Terra ignota: a construção de Os sertões. Eleito um dos cinco melhores críticos literários do país por uma comissão de escritores e intelectuais formada pelo suplemento Idéias, do Jornal do Brasil, em 1989, Luiz Costa Lima é também professor titular do Departamento de Letras da UERJ e faz parte do programa de pós-graduação de História da PUC/RJ.

"Antes de tudo, devemos festejar Mímesis: desafio ao pensamento, de Luiz Costa Lima, como um raro e magnífico evento na pobre cultura do nosso país devastado pela barbárie neoliberal." - João Adolfo Hansen

O ANDARILHO
Bernard Cornwell

Editora: RECORD
Número de páginas: 462

O Andarilho é o segundo romance da série Em busca do Graal, de Bernard Cornwell, iniciada com O Arqueiro, livro que chegou às listas de mais vendidos em todo o mundo, inclusive no Brasil. O autor conquistou os brasileiros, e seus romances - O rei do inverno, Inimigo de Deus e Excalibur, integrantes da trilogia de Artur - já estão perto dos 50 mil exemplares vendidos.

O Andarilho é um romance espetacular, conduzido de forma hábil e envolvente por Bernard Cornwell. Guerra, tortura, amor, luxúria e perdas - uma saga histórica que apresenta os elementos que consagraram o autor. Uma fábula sobre nobreza e heroísmo que encanta do início ao fim.
Bernard Cornwell nasceu em Londres e foi criado em Essex, apesar de morar nos Estados Unidos desde 1979, quando se casou e desistiu de uma carreira como produtor de TV para se tornar escritor. É autor da série Sharpe, de enorme sucesso, passada durante a Guerra Peninsular, e que foi adaptada para a televisão, tendo Sean Bean no papel principal. Cornwell reteve o senso de fina ironia britânico, coleciona mapas e gosta de pesquisar sobre conflitos famosos visitando os campos de batalha.

"Cornwell demonstra ser imbatível nas descrições de batalhas e dos homens que as lutam." - The Mirror

"Espetacular." - The Times

MACHADO DE ASSIS, HISTORIADOR
Sidney Chalhoub

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Número de Páginas: 352

Estudioso do Rio de Janeiro do século XIX, Sidney Chalhoub analisa obras de Machado de Assis sob a luz da história social: romances e contos lhe permitem buscar o sentido das mudanças do período segundo a visão do escritor. Ao rever o debate em torno da lei do Ventre Livre (1871), o autor mostra também o empenho do Machado funcionário público na aplicação da lei.


NOVA ANTOLOGIA POÉTICA
Vinicius de Moraes

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Número de Páginas: 288

Organizada pelo poeta e filósofo Antonio Cicero e pelo poeta e professor de literatura Eucanaã Ferraz, esta antologia reagrupa a obra de Vinicius segundo um parâmetro crítico que revê idéias consolidadas sobre a poesia do autor. Os organizadores confrontaram diferentes versões e resgataram poemas "esquecidos" para traçar um rico painel da obra de Vinicius de Moraes.


O PRESENTE DE HITLER
Jean Medawar e David Pyke

Tradução de Antonio Nogueira Machado
Editora Record
Número de páginas: 308

Quando Hitler se tornou chanceler da Alemanha, em janeiro de 1933, deu início imediatamente à demissão em massa de cientistas judeus e outros acadêmicos contrários ao regime nazista, o que resultou na perda para a Alemanha de muito de seu melhor talento científico. Para se ter uma idéia da supremacia alemã até então, dos cem prêmios Nobel de ciências concedidos desde o primeiro, em 1910, até 1932, 33 foram de alemães ou cientistas radicados na Alemanha, enquanto a Grã-Bretanha recebeu dezoito e os EUA, seis. Nos 27 anos seguintes, a situação se inverteu: a Alemanha ganhou oito e a Grã-Bretanha, 21.

Este livro descreve o avançado e produtivo estágio da ciência alemã antes de 1933 e os efeitos desastrosos da chegada dos nazistas ao poder. O êxodo desses cientistas, que causou danos irreparáveis à produção científica da Alemanha, trouxe ganhos incalculáveis para o Ocidente. O Terceiro Reich perdeu inclusive físicos que se tornaram a força condutora do projeto da bomba atômica. Foram esses gênios que terminaram ajudando os aliados a ganhar a guerra.

Em O presente de Hitler, Medawar e Pyke entrevistaram mais de vinte acadêmicos sobreviventes para contar a história de alguns dos maiores físicos, matemáticos, biólogos e químicos do século XX. Cientistas que abandonaram suas pesquisas e esperanças juntamente com a ascensão do Terceiro Reich, só podendo prosseguir com a ajuda dos governos americano e inglês.

Entre os cientistas emigrantes estavam Albert Einstein, Erwin Schrödinger (não-judeu), Max Born, Fritz Haber, Otto Frisch, Rudolf Peierls, Hans Krebs, Max Perutz, Ernest Chain, Richard Courant, Edward Teller, Hans Bethe e Enrico Fermi. Este último fugiu da Alemanha por ter se casado com uma judia.

O presente de Hitler também aborda o dilema igualmente dramático daqueles que ficaram: Max Plank, que não podia acreditar que o novo regime iria durar; Werner Heisenberg, brilhante inventor do Princípio da Incerteza, e Max von Laue, reverenciado por sua heróica oposição ao Terceiro Reich.

"O presente de Hitler para a Grã-Bretanha e a América foi talento, mais valioso do que ouro - esta é a mensagem deste inspirado livro."
Dr. M. F. Perutz, Prêmio Nobel de Química

TROPICALISTA LENTA LUTA
Coleção: FOLHA EXPLICA
Tom Zé

Editora: PUBLIFOLHA

O livro se divide em quatro partes. A primeira é o texto autobiográfico que dá título ao conjunto - memórias de Irará, na Bahia, histórias da música, trajetória do artista. Na segunda, foram reunidos 25 textos escritos em ocasiões diversas - para jornais, revistas, sites - e uma carta. Os assuntos vão da música à política, dos livros às cidades, da ecologia às lembranças pessoais. Depois disso vêm todas as letras, incluindo o disco novo Imprensa Cantada 2003. A quarta parte é a transcrição de uma longa entrevista, concedida ao músico Luiz Tatit e ao editor da Publifolha, Arthur Nestrovski, em que esses e outros assuntos se combinam. Tropicalista Lenta Luta traz ainda a discografia completa de Tom Zé e uma biografia musical.

Sua narrativa, embora recupere desde a infância em Irará até os Festivais heróicos, não é linear nem óbvia. Contorce-se em volteios estilísticos: Panis et Serpentes. Sua estória é contada usando imagens de tantas outras. As Mil e Uma Noites de Irará.

É extraordinário o que a nossa MPB fomentou e fomenta de cultura em seus melhores representantes. Como é possível que alguém saído do sertão ressequido possa reverberar, conscientemente, em sua fala e obra autores como Bach, Stravinsky, Proust, Conrad, Stockhausen, Guimarães Rosa, João Gilberto, Kafka, Schoenberg, Charles Ives, Max Planck, Koellreutter, Jaa Torrano, Arnault Daniel, Ravel, Shelley, Browning, etc. É um milagre. Milagres de Irará.

O livro também traz todas as letras do compositor, sua discografia completa, biografia musical e uma entrevista muito saborosa feita pelo editor e crítico de música Arthur Nestrovski e pelo compositor e professor de Lingüística Luiz Tatit.

A entrevista é a cereja no bolo. Tom Zé, que é um contador de estórias maravilhoso, se põe à vontade diante de interlocutores tão sensíveis a sua obra.

As observações agudas de Tatit sobre como Tom recria a tropicália em outras bases, com sua necessidade de superar 'deficiências atávicas', são esclarecedoras.

Quando nasceu, um anjo torto disse: vai Zé! Ser gauche na vida. Mas por favor, em algum momento ressuscite e dê o tom.

Tom Zé é um forte, antes de tudo. Um sobrevivente comprometido com o futuro. O passado já era. E como diz a canção: Farewell, farewell, para o Irará irei.

JOÃO GUIMARÃES ROSA: CORRESPONDÊNCIA COM SEU TRADUTOR ALEMÃO CURT MEYER-CLASON (1958-1967)
de Guimarães Rosa | Curt Meyer-Clason

Editora: NOVA FRONTEIRA
Número de páginas: 448

João Guimarães Rosa e Curt Meyer-Clason corresponderam-se ativamente entre 1958 e 1967, período em que o alemão traduziu para sua língua materna as principais obras de Guimarães Rosa. O livro reúne as cartas trocadas durante essas traduções, que entusiasmavam especialmente Rosa. Ao elucidar as dúvidas de Clason, Rosa explica, minuciosamente, as origens das palavras, expressões e personagens, apresentando um valioso painel de seu processo criativo. Esta é uma oportunidade rara de admirar Guimarães Rosa falando de sua própria obra e revelando segredos de sua escrita.

HÓSPEDE SECRETO
Miguel Sanches Neto

Editora Record
Número de páginas: 160

Os contos de Hóspede Secreto, novo livro de Miguel Sanches Neto, autor de Chove sobre minha infância - aclamado pela crítica e sucesso de vendas, que foi rapidamente contratado pelo selo Bronce, da Editora Planeta, da Espanha -, foram os vencedores do Prêmio Cruz e Souza de 2002, um dos mais prestigiados concursos da literatura brasileira.

A escrita marcante de Sanches Neto suga o leitor para a boca de um redemoinho, em cujo âmago se depara com os espectros das relações familiares, e a cada vez que, a custo, consegue-se respirar, é com os limites de cada um em relação ao outro que nos confrontamos.
Todos os contos são narrativas intensas que absorvem o leitor por completo. Um livro devastador que comprova o vigor da literatura brasileira contemporânea.

Miguel Sanches Neto nasceu em Bela Vista do Paraíso, norte do Paraná, em 1965, e passou a infância em Peabiru. Crítico literário (com mais de 400 artigos) e atual diretor-presidente da Imprensa Oficial do Paraná, trabalhou como técnico agrícola, agricultor e professor universitário. Tem doutorado em literatura pela Unicamp. Seu primeiro romance foi Chove sobre minha infância, publicado em 2000.

"Um dos grandes escritores brasileiros do nosso tempo." - Wilson Martins

"Miguel Sanches busca nas histórias comuns o resgate do ser e de suas raízes, com uma prosa que é densa, sem perder a cristalinidade e a poesia." - Ronaldo Cagiano

"Uma literatura que deixa de lado os malabarismos e vai ao ponto, ao osso, e fala do humano, que, no fundo, é o que interessa em qualquer literatura." - Marçal Aquino

"Todos os contos - uns mais líricos, outros mais dramáticos - são narrativas intensas, que absorvem o leitor." - Nelson de Oliveira

A BÍBLIA INGLESA E AS REVOLUÇÕES DO SÉCULO XVII
Christopher Hill

Tradução de Cynthia Marques
Editora: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
Número de páginas: 658

Christopher Hill foi o mais importante historiador inglês do século XX. Em A Bíblia inglesa e as revoluções do século XVII, defende a tese que a tradução da Bíblia reformista do século XVI para o inglês foi o estopim para as revoluções do século XVII.

Durante as décadas de 1640 e 1650, os ingleses enfrentaram situações revolucionárias inesperadas - principalmente a intensa disputa entre o rei e o parlamento -, sem nenhuma orientação teórica, como a que Rosseau e Marx deram a seus sucessores franceses e russos, e sem a experiência de acontecimentos anteriores que pudessem ser chamados de revoluções.

A improvisação foi necessária e a Bíblia foi o livro escolhido para orientação, sua tradução para o inglês estava disponível desde o século anterior. Era a Palavra de Deus, cuja autoridade ninguém podia rejeitar. Além disso, era o maior patrimônio da nação inglesa protestante. Sua edição impressa encontrava-se disponível graças aos conflitos e martírios da reforma inglesa, uma fase essencial da pré-história revolucionária.

Hill parte da tese de que todas as idéias que dividiram os partidos da guerra civil e que separaram, entre os parlamentaristas, os conservadores dos radicais podem ser encontradas nas escrituras sagradas. Mostra como a história de Israel foi utilizada para justificar, em nome de Deus, tanto a defesa quanto o ataque ao rei, e como as citações bíblicas se tornaram uma espécie de código para a divulgação de novas idéias em vez de censura, sendo utilizadas por grupos tão diferentes quanto os reformistas, quacres, caçadores de heréticos, antipapistas e médicos.

Um dos principais historiadores marxistas de sua geração, Christopher Hill estudou na St. Peter's School, York, e no Balliol College, Oxford. Em 1934, tornou-se fellow do All Souls College, Oxford, e, em 1936, professor de história moderna no University College, Cardiff. Dois anos depois, passou a dar aulas e a orientar teses em história moderna no Balliol. Hill, fellow da Royal Historical Society e da British Academy, recebeu diversas menções honrosas das principais universidades britânicas. Morreu em 2003, aos 91 anos. Entre suas principais publicações estão: Origens intelectuais da Revolução Inglesa; A Revolução Inglesa de 1640; O mundo de ponta-cabeça; O eleito de Deus; Lenin and the Russian Revolution; Puritanism and Revolution; Milton and the English Revolution e A turbulent, seditious and factious people: John Bunyan and his church. A Bíblia inglesa e as revoluções do século XVII foi indicado para o NCR Book Award.

O REDEMUNHO DO HORROR - AS MARGENS DO OCIDENTE
Luiz Costa Lima

Editora: PLANETA DO BRASIL
Número de páginas:

O horror é sensação inseparável do mundo contemporâneo. Na visão de Luiz Costa Lima sua origem remonta ao século XVI, na expansão colonial do Ocidente para a Ásia e a África. Do confronto brutal entre culturas e mundos tão radicalmente diferentes, violência física e psicológica se misturaram num redemunho que nasceu nas margens do Ocidente e engolfou o homem moderno, tornando-se parte fundamental de sua vivência. Cruzando história e literatura sem procurar explicar uma pela outra, Costa Lima analisa neste ensaio três momentos-chave desta experiência crucial - a expansão lusa para o Oriente tal como relatada nos escritos dos portugueses João de Barros, Diogo do Couto e Fernão Mendes Pinto; a aventura colonial africana refletida na obra de Joseph Conrad; e, finalmente, a América pós-colonial recriada por Gabriel García Márquez e Alejo Carpentier.

RECADO DO NOME - LEITURA DE GUIMARÃES ROSA À LUZ DO NOME DE SEUS PERSONAGENS
Ana Maria Machado

Editora: NOVA FRONTEIRA
Número de páginas: 208

Diadorim, Hermógenes, Riobaldo, Manuelzão, Miguilim... Ana Maria Machado parte dos nomes dos personagens para fazer uma rica viagem pelas veredas da obra de Guimarães Rosa.

Consagrada pelos seus livros infanto-juvenis, Ana Maria Machado mostra nesta obra sua outra faceta: a de ensaísta. Em O recado do nome, a autora mergulha nas narrativas de Grande sertão: veredas e Corpo de baile, tendo sempre por guia os nomes próprios dos personagens rosianos. O papel de cada nome na construção dos personagens e de seu universo físico, social, religioso e histórico, além da importância da escolha dos nomes na elaboração da estrutura narrativa, é examinado, fazendo do livro um ensaio indispensável aos que se interessam pela obra de Guimarães Rosa. A obra é fruto da tese de doutorado da autora concluída na Sorbonne, em Paris, sob orientação de Roland Barthes.

POESIA REUNIDA
Alexei Bueno

Editora: NOVA FRONTEIRA
Número de páginas: 448

Ao completar 40 anos, mais da metade deles publicando poesias, Alexei Bueno lança Poesia reunida, volume que congrega seus dez livros de poesia e alguns poemas avulsos. Um dos nomes centrais da poesia brasileira contemporânea, Alexei reviu meticulosamente toda a sua obra já publicada e optou por agrupá-la em ordem cronológica, formando assim a edição definitiva de toda a sua poesia até agora. Em Poesia reunida, os leitores poderão acompanhar toda a evolução do poeta, através de sua obra completa.

A MULHER QUE AMOU DEMAIS
Myrna (Nelson Rodrigues)

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Número de páginas: 184

Pode a mulher tornar-se dona de si ou ela está irremediavelmente presa a impulsos e inclinações devastadores? O amor é uma escolha ou um abalo, uma doença que acomete as mulheres quando elas menos esperam? É com questões como essas que Nelson Rodrigues provoca as almas femininas sob o disfarce do pseudônimo Myrna.

"Myrna escreve" era o nome da coluna em que Nelson respondia a consultas sentimentais no Diário da noite. Com o mesmo nome, o autor assinou um único romance, publicado em 26 capítulos diários, no ano de 1949.

PROUST
Samuel Beckett

Tradutor: Arthur Rosenblat
Editora: COSAC & NAIFY
Número de páginas: 104

Publicado em 1931, este ensaio de Samuel Beckett (1906-1989) figura entre as análises mais sensíveis do ciclo romanesco de Marcel Proust (1871-1922). Mergulhando nas centenas de páginas de Em busca do tempo perdido para resgatar sua 'estrutura nervosa e sutil', sua máquina de guerra voltada contra o Tempo que tiraniza e o Hábito que embota, o jovem irlandês demonstrava a absoluta modernidade desse que é também o último grande autor do século XIX.

Sai em português ensaio que o autor de Godot dedicou ao autor da Recherche.

O Proust de Beckett é, acima de tudo, um exercício de leitura - essa arte que Borges chamava de mais civilizada que a da escrita. Beckett lê Proust de maneira ostensivamente ativa. Coloca, a partir do texto do outro, suas próprias questões como artista. Daí que, lendo-se esse Proust, já reconhecemos temas e maneiras de abordá-los que estarão em Godot, em Malone morre, em Fim de jogo, nas obras enfim que valeram ao irlandês passaporte para o panteão da literatura universal.

Pela lupa de Proust, Beckett vê o ser humano jogado em suas contingências, como o tempo, o hábito e a memória. O tempo é esse "monstro de duas cabeças", fonte de danação e perdição, condição de ressurreição e instrumento da morte. O hábito é o que protege o homem do real, daquilo que ele não pode suportar. E a memória, segundo sua bela expressão, seria "um laboratório clínico com estoques de veneno e medicamento, de estimulante e sedativo".

Também admira a maneira como Proust constrói seus personagens, camada a camada, detalhe sobre detalhe, desinteressado em chegar a qualquer síntese definitiva. Vê, nesse ponto, um paralelo entre Proust e Dostoievski, que também expõe seus personagens sem explicá-los. Pode parecer um paradoxo, porque se Proust explica seus personagens à exaustão é para que eles apareçam como são - inexplicáveis. "Ele os inexplica", conclui Beckett. Com esse ensaio, temos o raro privilégio de ler um gênio através de outro.

DICIONÁRIO DE EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS DA LÍNGUA INGLESA
Peter Schambil, Maria Helena

Editora: DIFEL
Número de páginas: 560

CECÍLIA MEIRELES - COLEÇÃO MELHORES CRÔNICAS
Cecília Meireles

Editora: GLOBAL
Número de páginas: 343

Registro do mundo circundante, a crônica de Cecília Meireles é também uma projeção de sua alma no universo das coisas. Alimenta-se da referencialidade, das coisas concretas, de fatos e situações que envolvem o ser humano em seu comércio diário, mas matiza subjetivamente tudo isso. No comentário da vida e suas situações visíveis e pungentes, de entusiasmo e revolta, tem sempre Cecília Meireles uma ironia sem travo ou uma ternura sem excesso, mas que sentimos morna e brotada de uma aceitação maior do mundo e seus desconcertos e do pobre ser humano que se esforça nos labirintos da vida.