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EDIÇÃO 5 29 de novembro de 2003
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O Barroco e o Rio de Janeiro

Por Ana Paula Bruno (*)

Aproveitando o assunto da palestra do professor Marcos Tadeu (dia 29 de outubro, na Semana de Letras, no Campus Méier), sugerimos mais um programa gratuito (nele você só gastará a sola dos sapatos) e que pode ser feito de acordo com a sua disponibilidade: passear a pé, pelo centro da cidade, para ver as igrejas barrocas do século XVIII.

Mas, para poder apreciar melhor o passeio, você precisa conhecer algumas características do barroco. Na arquitetura, temos como características principais, o excesso de ornamentação; uso de muitos elementos decorativos e visuais como curvas, contracurvas, colunas retorcidas e espirais; tetos elevados e elaborados; entrelaçamento de arquitetura e escultura; grandes contrastes entre luz e sombras; enfim, reflete toda a opulência, toda a grandiosidade do período. Isso se dá porque a Igreja Católica vivia a reação ao movimento protestante: a opulência era uma forma de propaganda das suas idéias e valores. Todos esses elementos pretendiam passar uma emotividade, despertar sentimento nas pessoas, dar uma idéia de movimento. Nas obras barrocas, o que predomina é a emoção.

Agora que você já tem uma idéia sobre o assunto, chegou a hora de começar o passeio. Você pode começar visitando a Igreja de Nossa Senhora da Candelária. Não precisa ser muito atento para perceber que ela se localiza de costas para a Av. Presidente Vargas. Você sabe o motivo? Ela foi construída muito antes da avenida, como o pagamento de uma promessa feita por um navegante que, colhido por uma tempestade, prometeu a Nossa Senhora da Candelária que, caso se salvasse, construiria no local uma capela. Com o tempo a capela foi crescendo e se transformou na belíssima igreja que vemos hoje em dia. Outra curiosidade é que a igreja demorou 106 anos para ter a aparência que tem hoje. Por isso, sofreu influência de vários períodos artísticos, como podemos constatar na mescla de características (barrocas e neoclássicas) que o prédio possui. Do barroco, ela conserva a imponência, a forte decoração da fachada e as sobrevergas de granito. Um detalhe para o qual merece ser chamada a atenção são as belas portas, esculpidas em bronze e que fizeram parte da exposição Universal de Paris, de 1889.

Já na Praça XV, temos duas outras igrejas, uma ao lado da outra: a Igreja do Carmo e a Igreja da Ordem Terceira do Monte do Carmo. Embora com o nomes parecidos, são igrejas diferentes. O que chama a atenção na Igreja da Ordem Terceira do Monte do Carmo são a porta em pedra de lioz (com um medalhão em mármore de Nossa Senhora do Carmo) vinda de Portugal e o lavabo de mármore, presente na sacristia, em estilo rococó. Já a Igreja ao seu lado, a Igreja do Carmo (antiga Sé), foi palco de vários acontecimentos importantes para o Brasil-colônia, como a coroação e aclamação do Rei D. João VI, o casamento de D. Pedro I e D. Amélia, a sagração de D. Pedro II. Foi a primeira catedral do País e também funcionou como catedral do Rio de Janeiro até meados dos anos 70, quando uma nova (de São Sebastião) foi construída. Seus elementos barrocos convivem com os neoclássicos: seu frontispício movimentado possui o corpo central mais saliente e capitéis jônicos, com um frontão sinuoso.

No centro, ainda temos, no Largo de São Francisco, a igreja da Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, cuja inauguração contou com a presença de D. Pedro II e de D. Teresa Cristina; a igreja de Santa Luzia, que foi construída especialmente para o casamento do navegador português Fernão de Magalhães com uma mameluca chamada Luzia (esta é a igreja mais antiga da cidade); Igreja de Santa Rita, com seu frontão tipicamente barroco, com volutas e contravolutas; Igreja de Nossa Senhora do Terço, antiga capela dedicada ao Senhor dos Passos, o que chama a atenção são os altares e seus entalhes em madeira; e a Igreja de Santo Antônio dos Pobres.

O centro do Rio possui outras igrejas, de outros períodos, que também merecem uma visita. Caminhe pelo centro, perceba quantas vezes você caminhou em frente a essas construções e nunca havia percebido a história que estava ao seu lado. Mas sempre há tempo para aprender e descobrir algo mais.

Endereços:

Igreja de Nossa Senhora da Candelária
Praça Pio X, s/nº, Centro
Telefone: 2233-2324
Horário: De 2ª a 6ª feira, das 7:30h às 16:30h

Igreja do Carmo
Rua Primeiro de Março, s/nº, Centro
Telefone: 2242-4828
Horário: De 2ª a 6ª feira - das 08:00h às 13:00h; sábado - das 08:00h às 11:00h

Santa Luzia
Rua Santa Luzia, 206, Centro
Telefone: 2220-4367
Horário: De 2ª a 6ª feira - das 08:00h às 17:00h; sábado e domingo - das 08:00h às 11:00h

Igreja de Santo Antônio dos Pobres
Rua dos Inválidos, 42, Centro
Telefone: 2222-2586
Horário: De 2ª a 6ª feira - das 07:00h às 16:00h

Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco
Largo de São Francisco, s/nº, Centro
Telefone: 2231-0068
Horário: Diariamente - 07:00h às 17:00h.

Igreja de N. Sra. do Terço
Rua Senhor dos Passos, s/nº, Centro
Telefone: 2224-3674
Horário: De 2ª a 6ª feira - das 08:00h às 17:00h; sábado - das 8:00h às 10:00h

Igreja de Santa Rita
Largo da Santa Rita, s/nº, Centro
Telefone: 2233-2731
Horário: Diariamente - das 07:00h às 19:00h

(*) Ana Paula Bruno é aluna do 3º período de Letras, campus Méier.

E-mail para contato:
ana-letras@uol.com.br