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EDIÇÃO 5 29 de novembro de 2003
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Amigo Letrado, nesta segunda edição de nossa coluna, apresento-lhes o que há de mais interessante no mundo dos lançamentos literários.

Boas Leituras

Flávia França
livros_letras@ig.com.br


LANÇAMENTOS

MORTE EM VENEZA. TONIO KRÖGER
Thomas Mann

Editora Nova Fronteira
Número de páginas: 164
Tradutor: Eloísa Ferreira Araújo Silva

Na carreira de Thomas Mann, as novelas Tonio Kröger e Morte em Veneza correspondem ao período que vai do momento de sua chegada a Munique até o ano de 1912. Nela se configurou o desabrochar de um gênio literário indiscutível e a elaboração de uma psicologia do artista, inteiramente original. Em Tonio Kröger, Mann apresenta o protótipo do artista como indivíduo afastado da vida mundana e prisioneiro de seu ofício, tendo angariado, de imediato, a simpatia de toda uma juventude intelectual que, no início do século, ansiava por uma filosofia que abrangesse a arte e a vida. Morte em Veneza é um mergulho na alma e no destino trágico de um artista que sucumbe à atração fulminante exercida pela beleza. Nesse texto, celebrizado pela versão cinematográfica de Luchino Visconti, talvez esteja resumida, nas entrelinhas dos dilemas de Gustav von Aschenbach, toda a teoria manniana da criação.

Dois dos mais altos momentos de toda a ficção contemporânea, Morte em Veneza e Tonio Kröger são reflexões apuradas a respeito do papel da criação estética e de outros temas essenciais ao escritor alemão, tais como a decadência física e moral e a morte.

PRÊMIO ANO
Prêmio Jabuti - Capa & Produção Editorial 2001

A CASA NA RUA ESPERANÇA
(House on hope street)

Danielle Steel

Editora Record
Número de páginas: 240
Tradução de Lourdes Menegale

Em A casa na rua esperança, seu 53º romance, Danielle Steel manteve a rotina de sucessos à qual está habituada, chegando às principais listas de mais vendidos dos Estados Unidos, e levando novamente aos seus leitores o glamour, a emoção e as tramas cativantes que já venderam 500 milhões de livros em todo o mundo.
Danielle Steel não poupa o leitor. A escritora conhece como ninguém a anatomia da dor. A contagiosa e palpável sinceridade de Steel conquista de imediato a simpatia dos leitores de A casa na rua esperança.
Dona de um estilo intransferível, amada por legiões de leitores em dezenas de países, Danielle Steel é também autora, entre outros, de O fantasma, Maldade, Meio amargo, Honra silenciosa e Segredos do passado, publicados pela Editora Record.

"Tão criativa quanto John Grisham ou Robin Cook." – O Estado de São Paulo

MÁQUINA DE ESCREVER - POESIA REUNIDA E REVISTA
de Armando Freitas Filho
POESIA

Editora Nova Fronteira
Número páginas: 608

Ao completar 40 anos da publicação de sua primeira obra, Palavra, de 1963, Armando Freitas Filho lança Máquina de escrever – Poesia reunida e revista. O livro agrupa outros 12 já publicados e um inédito: Numeral/Nominal, que abre o volume. São 608 páginas de poesia, revistas pelo autor, que, pessoalmente, digitalizou grande parte da obra. Máquina de escrever traz ainda prefácio de Viviana Bosi e orelha-retrospecto da trajetória poética de Armando Freitas Filho assinada por Sebastião Uchoa Leite.

O poeta que navega com o instinto
O carioca Armando Freitas Filho, de 63 anos, diz que não está "no alto" dos seus 40 anos de carreira. "Sinto-me no chão, me perguntando se consegui um bom lugar dentro da minha geração", afirmou ele em entrevista especial à professora, crítica e editora Heloisa Buarque de Hollanda. Máquina de escrever – Poesia reunida e revista (607 páginas, R$ 64), recém-lançado pela editora Nova Fronteira, reúne os 12 livros já lançados pelo poeta – desde o primeiro, Palavra, de 1963, e um inédito, Numeral/Nominals. "O que caço é um verso livre que preste, o animal mais arisco que existe, misto de ar e músculo", disse.

Prosa e verso – O Globo


MALU DE BICICLETA
Marcelo Rubens Paiva

Editora Objetiva
Número de páginas: 224

O novo romance de Marcelo Rubens Paiva
Nesse livro que marca sua volta à literatura, depois de oito anos dedicados exclusivamente ao teatro, Marcelo Rubens Paiva mescla com rara habilidade erotismo e lirismo, construindo uma engenhosa história de amor.

Marcelo Rubens Paiva nasceu, em 1959, em São Paulo. Escritor, dramaturgo e jornalista, ele estudou na Escola de Comunicações e Artes da USP, freqüentou o mestrado de Teoria Literária, da Unicamp, o King Fellow Program, da Universidade de Stanford, Califórnia.

Publicou cinco romances: Feliz ano velho (1982, Prêmio Jabuti), Blecaute (1986), Ua brari (1990), Bala na Agulha (1992) e Não És Tu, Brasil (1996). Publicou também o livro de crônicas As Fêmeas (1994). Foi traduzido para o inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e tcheco. Como dramaturgo, escreveu: 525 Linhas (1989); O Predador Entra na Sala (1997); Da Boca pra Fora - E Aí, Comeu? (1999, Prêmo Shell); Mais-Que-Imperfeito (2000); As Mentiras que os Homens Contam (2001); Closet Show (2001) e No Retrovisor (2002).


HEINER MÜLLER: O ESPANTO NO TEATRO
Ingrid D. Koudela

Editora Perspectiva
Número de Páginas: 192

A coleção "Textos", em Heiner Muller: O Espanto no Teatro, apresenta na bibliografia em língua portuguesa um volume singular que abrange o escritor, o ensaísta, o encenador e o político que foi um dos maiores talentos da literatura pós-moderna.

Engajado, Heiner Müller toma posição contra a hegemonia da práxis e dos valores desenvolvidos na Alemanha Ocidental e que, após a reunificação, redundaram no crescente abandono dos ideais socialistas em nome de um liberalismo democrático. Defende a encenação teatral como "espaços livres para a fantasia", "ilhas de desordem no mar de nossa ordem capitalista".

Organizado por Ingrid D. Koudela, o livro reúne estudos introdutórios, entrevistas, ensaios sobre os ícones da cena do século XX, como Brecht, Artaud, Pina Bausch, etc. – e duas de suas peças – Horácio e Macbeth -, inéditas no Brasil.

É a oportunidade para o estudioso de teatro e de literatura conhecer o vigoroso universo poético e político de um dos grandes escritores alemães do século XX, e que deu nova dimensão à Lehrstück, a peça teatral de caráter didático.

VESTIDO DE NOIVA
de Nelson Rodrigues
TEATRO - COLEÇÃO TEATRO COMPLETO

Editora Nova Fronteira
Número de páginas: 72

Às vésperas dos 60 anos e da estréia de Vestido de Noiva nos palcos brasileiros, a Nova Fronteira relança o texto da peça em um volume exclusivo. Encenada pela primeira vez em dezembro de 1943, Vestido de Noiva causou grande impacto na cena teatral brasileira, não só pela temática rodriguiana, mas também pela montagem de Ziembinski.

O PODER DO CLÍMAX: FUNDAMENTOS DO ROTEIRO DE CINEMA E TV
Luiz Carlos Maciel

Editora Record
Número de páginas: 158

Maciel dá diretrizes teóricas e práticas para um roteiro de cinema e TV, em função do ápice dramático, o clímax. O autor mostra a complexidade que envolve fazer um roteiro.

ESCRITOS SOBRE POESIA E ALGUMA FICÇÃO
Antônio Carlos Secchin

Editora EdUERJ
Número de páginas: 300

Trata-se de uma coleção de textos ensaísticos, sobre prosa e poesia, tentando abarcar os mais variados autores da literatura brasileira, desde o século XIX até nossos dias. Com o poder de concisão, sem perder a densidade, trata-se de uma obra constituída por textos publicados desde 1996 em jornais, ou textos de seminários e congressos.

O livro divide-se em três grandes áreas: a primeira traz capítulos de maior porte, ao tratar da literatura e de autores, como Castro Alves, Machado de Assis, Cruz e Souza, Raul Bopp, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e muitos outros. A segunda parte, mais concisa, trata de resenhas, comunicações e prefácios.

Por fim, encerrando a obra, entrevistas, em que o autor (que é professor titular de Literatura da UFRJ e poeta) discorre sobre temas tão instigantes como as relações entre a crítica e o fazer-poético, a linguagem, a poesia e tantos outros temas relacionados à literatura.

COLEÇÃO FIGURAS DO SABER

MAIMÔNIDES
Gérard Haddad

Editora Estação Liberdade
Número de páginas: 128
Tradução: Guilherme João de Freitas Teixeira

O filósofo dos judeus perseguido pela Inquisição
"A Maimônides foi o mais belo presente feito pela Providência ao povo judeu."

Quem foi o paradoxal personagem que mereceu esse elogio e é considerado pela Tradição rabínica o único membro do povo judeu a alcançar a mesma envergadura do profeta Moisés, mas que, ao mesmo tempo, tem boa parte de sua obra, em particular sua grande obra filosófica, O guia dos perplexos, proibida pelas autoridades rabínicas? Que, sendo um pensador judeu, é citado com freqüência, nominal ou implicitamente, por Santo Tomás de Aquino e exerceu grande influência sobre o pensamento cristão da Idade Média?

Moisés Maimônides (1135-1204) foi, na Idade Média, a figura mais importante do judaísmo. Médico, cientista, talmudista, filósofo de imenso saber, empreendeu uma nova apresentação de toda a tradição judaica tomando Aristóteles como referência, além de, em sua Epístola sobre a apostasia, ter dado conselhos aos judeus sobre como agir sob a opressão, conselhos que, dois ou três séculos depois, serviram de referência para os judeus perseguidos pela Inquisição e que se tornaram os marranos.

Gérard Haddad, nesse livro, procede à análise da obra científica, religiosa, política e filosófica de Maimônides, um personagem de múltiplas atividades, mostrando a influência exercida por ele e ainda exerce ao afirmar a força e a universalidade da razão contra o sobrenatural, a magia e as alucinações.

"Mesmo que acreditemos que a época atual (...) nada tenha, propriamente falando, a aprender com o passado, até mesmo nesse caso acabaremos por nos deparar com Maimônides, desde que comecemos a procurar, com seriedade, ter uma idéia clara sobre o presente a que atribuímos tanta importância."
Leo Strauss

COLEÇÃO FIGURAS DO SABER

ESPINOSA
André Scala

Editora Estação Liberdade
Número de páginas: 136
Tradução: Tessa Moura Lacerda

Uma filosofia contra todas as formas de superstição
"A força da filosofia de Espinosa está em ter entristecido a alegria dos tiranos e teólogos."

A frase de André Scala mostra bem por que, em seu tempo, o judeu Baruch Espinosa (1632-1677) – um "cartesiano imoderado", segundo Leibniz – foi o ateu, o ímpio, o infame; por que, acusado de horríveis heresias e atos monstruosos, foi excomungado pela comunidade de seu povo; e por que, apesar da excomunhão judaica, as portas cristãs não se abriram para ele. Os poderosos não gostam que se lhes anuvie o riso, diz o mesmo Scala, "as religiões sempre se reconciliam pelas costas daqueles que uma delas baniu".

Esse livro, dividido em capítulos que são verdadeiras introduções a cada grande obra de Espinosa (Tratado da emenda do intelecto, Princípios da filosofia de René Descartes, Tratado teológico-político e Ética), mostra como o filho de um comerciante de Amsterdã se tornou filósofo e de que forma ele fez filosofia, apesar de todos os obstáculos: pregando a completa liberdade de pensamento e de prática religiosa, atacando a superstição, desvelando os artifícios do poder para conseguir a servidão e a obediência, e defendendo a idéia de que nosso principal objetivo é levar uma vida terrena plena e prazerosa.

"Todos os filósofos têm duas filosofias: a sua e a de Espinosa"
Henri Bergson

"[A filosofia de Espinosa] talvez seja o mais destacado exemplo de construção sistemática na história da filosofia."
Bertrand Russell

"A filosofia de Espinosa é uma crítica da superstição em todas as suas formas: religiosa, política e filosófica."
Marilena Chaui

ÁDEN, ARÁBIA
Paul Nizan

Editora Estação Liberdade
Prefácio de Jean-Paul Sartre
Tradução: Bernadette Lyra
Número de páginas: 176

Nessa obra que já se tornou um clássico da literatura de viagem, o filósofo Paul Nizan se engaja de corpo e alma numa viagem à Arábia que na verdade é uma viagem de descobrimento interno. Tolhido numa Europa estreita, colonialista, deprimida e sobre a qual pairam os prenúncios de um novo conflito a partir das cinzas ainda fumegantes da Primeira Guerra Mundial, além de um mal-estar evidente frente aos problemas ideológicos que assolam a União Soviética e o ideário comunista de que era adepto, Nizan larga tudo, pega um navio rumo a Áden, protetorado britânico na confluência do mar Vermelho e do mar Arábico, em empreendimento de limpeza de alma que seu amigo do peito e cúmplice de todas as horas Jean-Paul Sartre não hesita em chamar de fuga, suicídio, etc., no pungente libelo à amizade que serve de prefácio à obra e que demonstra, ao mesmo tempo, uma desconfortável incompreensão diante da "última tentação, a derradeira tentativa para achar uma saída individual. A última fuga, também" de seu amigo, que não digeriu o colonialismo in loco, mas passaria mais mal ainda ao retornar às origens (as suas e as do colonialismo), para no final sucumbir sob as balas ideológicas e também muito reais de mais uma dessas guerras que o homem ocidental sabe tão bem manusear.

PEQUENOS AMORES
José Roberto Torero

Editora Objetiva
Número de páginas: 120

Um romance de humor requintado, sarcasmo e lirismo
Lírico e irônico, poético e contundente, Pequenos Amores fala desse estranho vício de amar que nos mantém a todos vivos... ainda que, às vezes, castigue e mate.

José Roberto Torero conduz o leitor a Paraíso – uma cidade pequena, dessas que se resumem a praça, igreja, prefeitura, hospital. O lugarejo tem duas avenidas onde se enfileira a sonolência de suas casas singelas. Por detrás das janelas e cortinas fechadas, o amor semeia cúmplices e vítimas. Como um voyeur requintado e divertido, Torero faz de Paraíso um lugar místico – onde todas as formas de viver o amor valem realmente a pena. Amores proibidos e românticos. Platônicos e intensos. Incestuosos e inocentes

A cada página o leitor vai se deleitar com histórias românticas, singulares, divertidas e, por vezes, com pitadas de sarcasmo – como a trajetória de Dona Rosa que mesmo sabendo que seu marido, Dr. Augusto, tinha um caso com Berenice, uma de suas enfermeiras, sempre se comportou com resignada discrição. Então, por uma dessas ironias, o grande neurologista sofre um derrame e perde todos os movimentos. Para cuidar do médico, Dona Rosa decidiu contRatar a própria Berenice. O resultado não foi dos melhores. O doutor sofre profunda vergonha toda vez que sua amada dá banho em seu corpo sem vontades, e Berenice chora um pouco a cada manhã, pois lhe dói muitíssimo ver o amado em tal estado. Apenas Dona Rosa não está infeliz e, vez por outra, pode-se vê-la assobiando um bolero.

José Roberto Torero é paulista. Considerado um dos grandes talentos da nova ficção brasileira, é autor do best-seller O Chalaça (prêmio Jabuti, em 1995) e de Xadrez, truco e outra guerras (Coleção Plenos Pecados). Foi um dos roteiristas do curta-metragem Uma história de futebol, indicado ao Oscar, em 2001, e que se tornou livro infanto-juvenil, em 2002, conquistando o prêmio de Altamente Recomendável pela FNLIJ. Em parceria com o escritor Marcus Aurelius Pimenta, escreveu Terra Papagalli e Os vermes.

PALAVRA DE MULHER
Alvaro Alves de Faria

Editora SENAC SP
Número de páginas: 270

Vinte mulheres, com a sabedoria que a sua inquieta inteligência desenvolve ao longo da vida, falam aqui da aventura de registrar por escrito o que pensam, sentem e criam. O poeta e jornalista Álvaro Alves de Faria as entrevistou entre 1998 e 2003...

O DESERTOR
Manuel Inácio da Silva Alvarenga

Editora Unicamp
Número de páginas: 172

O livro é duplamente importante. Do ponto de vista estético e histórico, é o resgate de um "poema herói-cômico" de um árcade normalmente conhecido apenas por sua obra lírica. Do ponto de vista editorial e da pesquisa acadêmica, é uma empreitada intelectual rigorosa, com anotações eruditas do poeta Ronald Polito e do pesquisador Joaci Pereira Furtado.

IDÉIAS
Sergio Paulo Rouanet

Editora Unimarco
Número de páginas: 216

O filósofo Sergio Paulo Rouanet é um dos mais vigorosos defensores da razão iluminista, universal, contra os particularismos e o relativismo pós-modernos. Nesses ensaios, originalmente publicados no caderno Idéias, do Jornal do Brasil, Rouanet discute essas questões a partir das obras de autores como Heine, Freud, Heidegger e Sloterdjik.