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EDIÇÃO 3 29 de setembro de 2003

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GABRIELA MELLO DE ARAUJO GOES

Publicitária, Gabriela trabalha na Conspiração Filmes. Continuista em três filmes: Tributo a Nelson Gonçalves, Os Filhos de Nelson, Living O (este útimo erótico, baseado no universo de Histoire d'O, da escritora francesa Dominique Aury). Roterista de um documentário sobre Niterói (sendo gravado). Além de tudo, estudou na Sorbonne, onde aprimorou o francês.

 

1. Qual o livro que mais a impressionou e por quê?

O Estrangeiro, do Albert Camus. Porque, com sua escrita ágil e profunda, conseguiu mostrar como o sujeito moderno é "jogado" a fazer coisas que nem sabe a razão. O vazio que o personagem central sente, seu trabalho medíocre, a morte do árabe, nos mostram como podemos ser alheios a tudo, sobretudo a nós mesmos.

2. Qual livro você não quer nem lembrar de haver lido?

As Pessoas dos Livros, da Fernanda Young, por julgar que não tenho nada pra tirar daquilo, como diz, sabiamente, seu marido em determinados momentos.

3. Que o livro você lê no momento?

Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, da Clarice Lispector. Ela, mais uma vez, tocando fundo na condição feminina pensante, que questiona, vive paradigmas em busca do amor, e nem sabe o que fazer com ele.

4. E, "puxando a brasa para a nossa sardinha", indique um autor brasileiro (ou uma obra) imprescindível para estudantes de Letras?

Pilatos, do Carlos Heitor Cony. O surrealismo "cinelândico", que coloca o submundo na condição de realidade. O personagem central circula com seu pênis num pote de vidro sem a menor vergonha. É assim que somos, exibimos nossas feridas com o maior bom humor. (Ou alienação?)

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