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EDIÇÃO 3 29 de setembro de 2003
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Amigo Letrado gostaria de contar com sua colaboração para que nossa coluna fique cada mais interessante. Mandem suas dúvidas, opiniões ou sugestões sobre os lançamentos para a próxima edição do jornal. Enquanto isso, aproveitem os principais publicações do momento.

Boas Leituras!

Flávia França
livros_letras@ig.com.br


LANÇAMENTOS

A ORIGEM CURIOSA DAS PALAVRAS
Márcio Bueno

Editora: JOSÉ OLYMPIO
Número de páginas: 264

A ave que na língua portuguesa conhecemos como peru é chamada estranhamente de turkey [Turquia], em inglês, e de dinde [da Índia], em francês. Quais as razões dos nomes de três países diferentes, se não é originária de nenhum deles? Esclarecimentos de questões como essas se sucedem em todas as páginas do livro. No verbete "cuba-libre", são revelados os interesses políticos que motivaram a criação da bebida e do nome. O autor não economiza nas explicações, indo muito além da origem etimológica em si. Ilustrado com diversas fotografias, nos permite conhecer tanto personagens históricos quanto objetos que deram origem a palavras que usamos no dia-a-dia. No capítulo "Influência Portuguesa", um momento de elevação da nossa auto-estima – o autor brinda os leitores com palavras de várias outras línguas (em japonês são dezenas), que tiveram origem em nosso idioma.

AS MIL CASAS DO SONHO E DO TERROR
Atig Rahimo
Tradução: Marina Appenzeller

Editora: ESTAÇÃO LIBERDADE
Número de páginas: 184

Do autor de Terra e cinzas, um romance sobre amor, sonhos, terror e esperança ambientado no Afeganistão dos anos 1980.

Em persa, "mil casas" designa o labirinto, essa extensão em que saída e becos sem saída confundem-se; o tempo pára, instalam-se a escuridão e o terror. E a mínima mancha branca evoca o sol.

No tempo das ditaduras, Cabul e todo o Afeganistão não são essa extensão, esse labirinto?

Cinco personagens presos na trama tentam escapar ao terror pela embriaguez ou pela fuga, pela morte, pelo amor, pelo sonho.

Sempre me perguntarei qual a receita de Atiq Rahimi para conciliar com tanto efeito numa mesma obra a delicadeza oriental de contos parecendo saídos de um tapete persa e a dura realidade política de um Afeganistão vítima das dilacerações da guerra fria e de seu corolário de infindáveis conflitos civis e golpes de Estado. O que já era magistral em Terra e cinzas vem em dose redobrada agora nesta história onde se conjuram sonhos suaves e djins maléficos; cenas de repressão tristemente universais e citações de clássicos da literatura persa antiga; o despertar para o amor ao abrigo de pátios orientais e a férula da bota de soldados – até a longa viagem para o exílio num tapete muito real.

Imagens que ficam, também, de um país (ainda) com salas de leitura em bibliotecas universitárias, estudantes militantes – qual a causa certa do momento?, quais as palavras de ordem a seguir?, em meio à liberdade de uma eventual embriaguez e anacrônicos pontos de ônibus com nomes de paradas. Que fim dá o impiedoso turbilhão da História a ternos personagens sempre mais fortes do que ela, pois movidos à certeza de que "o homem dá mais crédito a seus sonhos que à realidade"?

O editor

OS 100 MELHORES CONTOS DE HUMOR DA LITERATURA UNIVERSAL
Flávio Moreira da Costa

Editora: EDIOURO
Número de Páginas: 560

Numa pesquisa pelas editoras do mundo todo, via Internet, dificilmente iremos encontrar uma antologia com a amplitude desta Os cem contos de humor da literatura universal. É um verdadeiro tour de force realizado por Flávio Moreira da Costa. Há décadas, como contista, organizador de antologias e coordenador de uma oficina de ficção permanente, Flávio Moreira da Costa vem trabalhando com a história curta. E ele aqui não só encarregou-se da seleção (cerca de dois mil contos lidos ou relidos), como também da maioria das traduções (do inglês, francês, espanhol e italiano).

Partindo do pressuposto de que não existe humor, mas sim humores, como diz na apresentação, Flávio Moreira da Costa compõe um painel de todos os tipos dessa expressão humana, da singeleza das fábulas de Esopo, à sátira mordaz de Swift e Alberto Morávia, do humor de costume medieval e renascentista de Bocaccio e Cervantes, ao realismo e a modernidade de Guy de Maupassant e Mark Twain, não esquecendo do humor negro de Poe a Carlo Manzoni, nem da contemporaneidade de Cortazar e Gombrowic. Sem falar do ineditismo em português de Felizberto Hernandez, Júlio Ramon Ribeyro e outros. Enfim, de Homero a Veríssimo, são praticamente 28 séculos aqui reunidos. Os cem melhores contos de humor da literatura universal, é um lançamento que, por sua amplitude, diversidade e qualidades, não encontra paralelo em nenhuma antologia publicada no mundo.


CAIXA DE SAPATOS - ANTOLOGIA
CARPINEJAR

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Número de páginas: 80

Não é sempre que um escritor de voz original surge com tamanha maturidade. A habilidade em equacionar imagens fulgurantes e rigor formal faz de Carpinejar uma voz extraordinária da poesia brasileira contemporânea. A importância da paisagem do Rio Grande do Sul na obra do autor é evidente, sem que isso acarrete, porém, uma dicção regionalista.

Desde o livro de estréia, As solas do sol (1998), percebe-se a densidade de sua poética, repleta de experiência da terra de origem, mas permeada sobretudo de força universal. Em Um terno de pássaros ao sul (2000), num único poema longo, Carpinejar relaciona-se com a ausência de uma figura paterna. Em Terceira sede (2001) e Biografia de uma árvore (2002), o poeta projeta-se no futuro e deixa a sabedoria da velhice dar contornos à poesia.

Em Caixa de sapatos, os espaços da imaginação, da memória e da realização poética se encontram. Como defende a poesia do autor, prosseguir na fábula é estratégia para fazer a realidade emergir com mais força e completude.


INVENÇAO DE ARNAUT E RAIMBAUT A DANTE E CAVALCANTI
Augusto de Campos

Editora: ARX
Número de páginas: 280

Esta obra aborda as poesias inventivas dos trovadores Arnaut e Raimbaut, e os cantos e canções de Dante e Cavalcanti, que Augusto de Campos apresenta com muita maestria. Dividido em duas partes, este livro traz textos que introduzem o leitor no universo translingüístico que o autor propõe, colocando lado a lado o texto original e a tradução correspondente, além da breve biografia de seus criadores. Na primeira parte, Augusto de Campos fala de Arnaut e Raimbaut, considerados duas das maiores expressões da arte provençal. Na segunda, há seis cantos da Divina Comédia, de Dante, completamente traduzidos, e canções de Guido, sempre levando-se em conta as rimas, aliterações, metáforas e todos os outros valores formais.

DIANTE DA DOR DOS OUTROS
Susan Sontag

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Número de páginas: 112

Graças à televisão e ao computador, imagens do sofrimento são apresentadas diariamente pelos meios de comunicação. Mas como a representação da crueldade influencia as pessoas? Discutindo os argumentos sobre como essas imagens podem inspirar discórdia, fomentar a violência ou criar apatia, a autora evoca a longa história da representação da dor dos outros – desde As desgraças da Guerra, de Francisco Goya, até fotos da Guerra Civil Americana, da Primeira Guerra Mundial, dos campos nazistas de extermínio, além de imagens contemporâneas de Serra Leoa, Ruanda, Israel, Palestina e de Nova York no 11 de setembro de 2001.

SERIAL E ANTES

A EDUCAÇÃO PELA PEDRA E DEPOIS
João Cabral de Melo Neto

Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 326

A Nova Fronteira está publicando, em dois volumes, toda a obra poética de um dos expoentes da literatura brasileira: João Cabral de Melo Neto. Por sugestão do próprio autor, o título dos livros referem-se a toda produção anterior ao poema "Serial" e posterior ao "Educação pela pedra".

Serial e antes abrange toda a obra do autor publicada até 1961, onde "Serial" é o último dos poemas. Neste primeiro volume ficaram "Serial", "Dois parlamentos", "Quaderna", "Uma faca só lâmina", "Morte e vida Severina", "Paisagens com figuras", "O rio", "O cão sem plumas", "Psicologia da composição", "O engenheiro", "Os três mal-amados e Pedra do sono". O segundo volume, Educação pela pedra e depois, reúne todos os livros publicados a partir de então: A educação pela pedra, Museu de tudo, A escola das facas, Auto do frade, Agrestes, Crime da calle Relator, Sevilha andando e Andando Sevilha.
Em um novo corte dado em sua obra, esta reedição de suas poesias completas revela a poesia afiada e seca de João Cabral de Melo Neto, que rejeita o sentimentalismo e a exuberância fácil para fazer, acima de tudo, uma poética dos sentidos. Como afirma Marly de Oliveira, no prefácio a essa edição, "Ele mesmo se definiu como antilírico, cujo percurso vai de um surrealismo inicial ao encontro de uma preocupação social, sem jamais se descuidar da linguagem."

João Cabral de Melo Neto nasceu em 1920, no Recife, Pernambuco. Publicou pela Editora Nova Fronteira: O auto do frade, Cão sem plumas, Agrestes, Crime na calle Relator, Museu de tudo e depois, Sevilha andando e Morte e vida Severina e outros poemas para vozes.

DICIONÁRIO DE TEATRO
Patrice Pavis

Editora: PERSPECTIVA
Número de Páginas: 506

Patrice Pavis é professor na área teatral da Universidade de Paris, VIII, e autor de Problèmes de sémiologie théâtrale; Le Théâtre au croisement de cultures; Confluences; Le Dialogue des cultures dans les spectacles contemporains; L'Analyse des spectacles, entre outras obras e estudos sobre o teatro intercultural, a teoria dramática e a encenação contemporânea.

O Dicionário de Teatro, de Patrice Pavis, é uma obra conhecida internacionalmente, não só no texto original do francês, como nas traduções para numerosos idiomas. Publicado agora em português pela Editora Perspectiva, a partir de sua terceira edição corrigida e aumentada, vem enriquecer enormemente a nossa bibliografia especializada, devendo constituir-se em valioso instrumento para o ensino e o conhecimento do teatro. Em seus 560 verbetes, traduzidos por professores e pesquisadores do campo, são sintetizadas as grandes questões da dramaturgia, da encenação, da estética, da semiologia e da antropologia da arte dramática, o que o constitui numa suma do saber sobre a História, a teoria e a prática da criação teatral.

Léxico moderno, além de definir e explicitar noções fundamentais da análise textual e cênica por meio de exemplos colhidos no repertório da literatura clássica, assim como das mises em scène contemporâneas, apresenta e problematiza uma vasta gama de experiências interculturais e interartísticas, nos termos das concepções mais atualizadas da análise crítica hoje vigente. Por isso mesmo trata-se de um dicionário que o leitor poderá consultar com máximo de proveito para a sua informação no domínio do teatro, tanto mais quanto o acesso aos temas, conteúdos e fontes lhe é facilitado por um índice temático e outro onomástico, além de rica bibliografia sobre o assunto – um conjunto de recursos e dados que o torna obra de referência indispensável.

ESTRANGEIRISMOS - Guerras em torno da língua
Organização de Carlos Alberto Faraco

Editora: PARÁBOLA
Número de páginas: 190

A Editora Parábola inicia uma nova coleção chamada "Na ponta de língua" dedicada à reflexão sobre a língua em geral.

Este primeiro livro da série é uma tomada de posição em relação a um projeto de lei referente aos estrangeirismos no Brasil. Os vários autores reunidos defendem um ponto de vista contrário ao projeto, e explicam, em uma análise profunda e sintética, os vários posicionamentos frente à presença de palavras estrangeiras no português do Brasil, dentre os quais podemos citar:

Segundo John Robert Schmitz, "a presença de vocábulos estrangeiros contribui para enriquecer qualquer idioma… […] é praticamente impossível regulamentar a língua humana". "Um léxico pode sempre crescer, ou o atual adquirir novos sentidos, mas isso dificilmente se faz por decreto", afirma Sírio Possenti.

O livro passa em revista os estrangeirismos em suas múltiplas manifestações, e estuda suas várias formas de maneira cronológica e social. Trata-se de uma obra séria e, ao mesmo tempo, uma maneira descontraída de refletir sobre nossa língua, e seu uso.

MACAU
Paulo Henriques Britto

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Número de páginas: 80

O projeto poético de Paulo Henriques Britto ganha prosseguimento e renovação. Sua já conhecida predileção por formas fixas vem de novo acompanhada por imagens prosaicas e um bom humor folgado. O título do livro indica uma localização espacial ao mesmo tempo familiar e estrangeira: Macau é cidade chinesa onde se fala o português.

O autor dialoga com a tradição modernista – principalmente com Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Mário de Andrade –, mas também com João Cabral de Melo Neto, como evidencia o poema "Fisiologia da composição". Ecos drummondianos podem ser sentidos em "Bagatela para a mão esquerda". Nesse poema, assim como em Trovar claro, seu livro anterior, o autor volta a fazer um elogio da mão gauche. Em sua fraqueza, a mão esquerda é aquela capaz de maior eloqüência.

Novidade, neste Macau, é o forte acento biológico de certos poemas. O livro se abre com "Biodiversidade", composição que define a poesia como uma fala "esquisita" - "[...] palavras bestas estrebuchando inúteis, / cágados com as quatro patas viradas pro ar". A necessidade orgânica do ato criativo é indissociável do ritmo diário, pois "são as palavras que suportam o mundo", como registra "De vulgari eloquentia", outro poema do livro.

A poesia revela-se, assim, tão vital quanto o repasto que atende à fome ou o líquido que aplaca a sede da existência.

BEPPO: UMA HISTÓRIA VENEZIANA DE BYRON
Tradutor: Paulo Henriques Britto

POESIA
Editora: NOVA FRONTEIRA
Número de páginas: 176

Byron se delicia com a liberdade de Veneza, exaltando, por exemplo, a figura do cavalier servante – uma espécie de amante oficial –, função que o anti-herói Beppo exerce junto à anti-heroína Laura. Em Beppo, Byron se vinga de seus desafetos, ao mesmo tempo que retrata um pouco de sua própria vida. Hedonista, polígamo, amante de muitas mulheres e alguns homens, iconoclasta, perdulário, o poeta viveu intensamente seus 36 anos. Foi extremamente popular no século 19 – a ponto de ter sido criada a expressão "herói byroniano" –, ficou esquecido depois do modernismo, mas hoje não se pode negar a qualidade e a força de sua obra.

VIVER PARA CONTAR
Gabriel Garcia Marques
Tradução de Eric Nepomuceno

Editora: RECORD
Número de páginas: 490

Autobiografia do autor de Cem anos de solidão. Garcia Márquez narra sua vida na melhor tradição de seus emocionantes e perenes romances. Neste primeiro volume da autobiografia do Prêmio Nobel de Literatura, o leitor acompanhará as origens do realismo fantástico e da Colômbia, que ressurge na obra de Garcia Márquez em uma narrativa comovente sobre o início de sua carreira.

No fim de 1945, Gabriel García Márquez formou-se no 2º grau e foi passar as férias com a família, no interior da Colômbia. Enquanto ele farreava, sua mãe remordia uma angústia: qual seria o destino de Gabo? Os pais, desde sempre, desejavam que ele se formasse em direito ou medicina. O rapaz dava sinais de não querer mais estudar. A suspeita confirmou-se numa tarde em que Luisa Santiaga chacoalhou o filho, que cochilava na rede, e o chamou para uma conversa. Ele não queria mesmo saber de nenhuma daquelas carreiras. Pior: não tinha a menor idéia de que outra profissão seguir. Dias depois, a mãe apareceu com uma sugestão. "Dizem por aí que, se você quisesse, podia ser um bom escritor." O filho haveria dito: "Se fosse para ser escritor, eu teria de ser dos grandes, e já não se fabricam mais grandes escritores. Se é para morrer de fome, existem ofícios melhores". A anedota está registrada em Viver para Contar, livro de memórias do colombiano Gabriel García Márquez. E, se o autor de Cem Anos de Solidão foi mesmo fiel ao passado, então o tempo transformou numa bela ironia aquela resposta enviesada que ele deu à mãe. Afinal de contas, Márquez, de 75 anos, é um dos poucos escritores de quem se pode dizer com segurança que seja "grande" hoje em dia – grande no mercado, na fama, e na força literária de seu texto, como se pode constatar mais uma vez.

O lançamento da versão original de Viver para Contar foi o grande acontecimento do mundo editorial de língua espanhola no ano passado. As sucessivas tiragens se esgotaram rapidamente e, a esta altura, o livro já deve ter batido na marca de 1,5 milhão de cópias vendidas. As memórias de Márquez também serviram a um experimento inédito nos Estados Unidos. Elas tiveram distribuição maciça, em espanhol mesmo, nas grandes redes de livrarias. O sucesso foi imediato, e demonstrou não apenas o peso cultural da comunidade latina que hoje vive naquele país, mas também que Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de 1982, tem poucos pares quando se trata de atrair leitores. No Brasil, Viver para Contar sai com tiragem inicial elevada para os padrões nacionais: 50.000 exemplares.

O maior atrativo das memórias é proporcionar uma espécie de arqueologia da obra de Márquez. O autor revela o substrato real de diversas páginas de seus romances e contos. O segundo ponto forte de Viver para Contar está nas passagens que tratam da formação literária de seu autor. O livro começa com a narrativa de uma viagem que o escritor fez com sua mãe, em 1950, à sua cidade natal, Aracataca. Ele diz logo de cara que esse retorno ao cenário da infância foi provavelmente o momento crucial de sua carreira, mas a explicação só se completa bem adiante, entre as páginas 356 e 360, quando Márquez afirma que a ida a Aracataca lhe revelou, de um golpe, que todos os esforços literários que ele havia realizado até ali estavam fadados ao fracasso, porque eram "pura invenção retórica sem nenhuma base em uma verdade poética". Acompanhar os esforços do jovem aspirante a escritor, filtrados pelo olhar do autor maduro e consagrado, é muito interessante.

Apesar de sua saúde inspirar cuidados, Márquez acaba de revisar dois livros de contos inéditos. Segundo amigos, já deu início à redação do segundo volume de suas memórias, que deverá estender-se até o lançamento de Cem Anos de Solidão, em 1967.

O DESAPARECIDO OU AMERIKA
Franz Kafka

Editora: EDITORA 34
Número de páginas: 303

Publicado por Max Brod, em 1927, com o título de Amerika, mas designado pelo próprio autor como O desaparecido, este é o primeiro romance de Franz Kafka. Nele, o leitor acompanhará as andanças do jovem Karl Rossmann pelo território norte-americano, desde seu desembarque em Nova York, vindo da Alemanha, até uma insólita viagem de trem rumo ao oeste para juntar-se a uma trupe de teatro. A tradução de Susana Kampff Lages toma por base a edição crítica alemã, de 1983, e incorpora fragmentos que nunca constaram das edições anteriores do livro, de modo a proporcionar ao leitor um contato renovado com a poderosa singularidade que constitui a escrita de Kafka.

BUDAPESTE
Chico Buarque

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Número de páginas: 176

Ao concluir a autobiografia romanceada O ginógrafo, a pedido de um bizarro executivo alemão que fez carreira no Rio de Janeiro, José Costa, um ghost-writer de talento fora do comum, se vê diante de um impasse criativo e existencial. Escriba exímio, "gênio", nas palavras do sócio, que o explora na "agência cultural" que dividem em Copacabana, Costa, meio sem querer, de mera escrita sob encomenda passa a praticar "alta literatura". Também meio sem querer, vai parar em Budapeste, onde buscará a redenção no idioma húngaro, "segundo as más línguas, a única língua que o diabo respeita". Narrado em primeira pessoa, combinando alta densidade narrativa com um senso de humor muito particular, Budapeste é a história de um homem exaurido por seu próprio talento, que se vê emparedado entre duas cidades, duas mulheres, dois livros, duas línguas e uma série de outros pares simétricos que conferem ao texto o caráter de espelhamento que permeia todo o romance. Budapeste traz a perfeição narrativa de Estorvo e Benjamim e confirma Chico Buarque como um dos grandes romancistas brasileiros da atualidade.