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EDIÇÃO 2 5 de setembro de 2003
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Lyrische Dichtungen / Poesias

Rainer Maria Rilke (1875)
                                       

Tradução / Übersetzung: Carlos Bechtinger

Herbsttag


Herr,es Herr,es ist Zeit!Der Sommer war sehr gross.
Leg deinen Schatten auf die Sonnenuhren,
Und auf den Fluren lass die Winde los.

Befiehl den letzten Früchten,voll zu sein,
Gib ihnen noch zwei südlichere Tage,
Dränge sie zur Vollendung hin und jage
Die letzte Süsse in den schweren Wein.

Wer jetzt kein Haus hat,baut sich keines mehr,
Wer jetzt allein ist, wird es lange bleiben,
Wird wachen,lesen,lange Briefe schreiben
Und wird in den Alleen hin und her
Unrig wandern,wenn die Blätter treiben

Dia de Outono

Senhor, é Tempo! O verão foi grandioso.
Coloque sua sombra no relógio-de-sol,
E deixe embora os ventos nos campos.

Ordene as últimas frutas, para estarem maduras,
Dê a elas ainda dias quentes,
Deixe-as ficarem maduras logo e retire
A última açucarada no vinho forte.

Quem não tem casa agora, não construirá mais nenhuma
Quem está sozinho agora, ficará assim por longo tempo,
Irá despertar, ler e escrever longas cartas,
E ficará andando pelas avenidas para cá e para lá sem
Sossego, quando as folhas brotarem.

Der Knabe

Ich möchte einer werden so wie die,
die durch die Nacht mit wilden Pferden fahren,
mit Fackeln, die gleich aufgegangnen Haaren
in ihres Jagens großem Winde wehn.
Vorn möcht ich stehen wie in einem Kahne,
groß und wie eine Fahne aufgerollt.
Dunkel, aber mit einem Helm von Gold,
der unruhig glänzt. Und hinter mir gereiht
zehn Männer aus derselben Dunkelheit
mit Helmen, die, wie meiner, unstät sind,
bald klar wie Glas, bald dunkel, alt und blind.
Und einer steht bei mir und bläst uns Raum
mit der Trompete, welche blitzt und schreit,
und bläst uns eine schwarze Einsamkeit,
durch die wir rasen wie ein rascher Traum:
Die Häuser fallen hinter uns ins Knie,
die Gassen biegen sich uns schief entgegen,
die Plätze weichen aus: wir fassen sie,
und unsre Rosse rauschen wie ein Regen.

O menino

Eu desejaria me tornar assim como um destes,
que pela noite cavalgam com cavalos selvagens,
com tochas, que logo em suas caçadas o vento
forte sopra os cabelos desfeitos.
À frente desejaria eu estar em pé como num
barco, grande e uma bandeira desenrolada
Escura, mas com um capacete de ouro, que brilha
inquietamente. E atrás de mim dez homens enfileirados
na mesma escuridão com capacetes, que
como o meu estão pouco firmes, brevemente
claros como vidro, logo escuros, velhos e cegos
E um está comigo e nos sopra com o trompete,
que relampeja como um raio e grita,
e nos sopra uma escura solidão,
da qual nós corremos furiosamente como um
sonho rápido: as casas caem atrás de nós aos joelhos,
As ruas sem saída dobram-se de soslaio diante
de nós. Os lugares desviam-se: nós a
tomamos, e os nossos cavalos murmuram como uma chuva.

Sankt Sebastian

Wie ein Liegender so steht er; ganz
hingehalten von dem großen Willen.
Weitentrückt wie Mütter, wenn sie stillen,
und in sich gebunden wie ein Kranz.
Und die Pfeile kommen: jetzt und jetzt
und als sprängen sie aus seinen Lenden,
eisern bebend mit den freien Enden.
Doch er lächelt dunkel, unverletzt.
Einmal nur wird seine Trauer groß,
und die Augen liegen schmerzlich bloß,
bis sie etwas leugnen, wie Geringes,
und als ließen sie verächtlich los

São Sebastião

Como alguém deitado, está de pé,
sustentado por sua grande fé.
Como mãe que amamenta, a tudo alheia,
grinalda que a si mesma se cerceia.
E as setas chegam: de espaço em espaço,
como se de seu corpo desferidas,
tremendo em suas pontas soltas de aço.
Mas ele sorri um sorriso obscuro, sem estar ferido.
Num só instante a tristeza sobrevém
e em seus olhos desnudos se detém,
até que a neguem, como bagatela,
e como se poupassem com desdém
deixam-na ir com desprezo embora

Buhhda

Als ob er horchte. Stille: eine Ferne...
Wir halten ein und hören sie nicht mehr.
Und er ist Stern. Und andre große Sterne,
die wir nicht sehen, stehen um ihn her.
O er ist Alles. Wirklich, warten wir,
daß er uns sähe? Sollte er bedürfen?
Und wenn wir hier uns vor ihm niederwürfen,
er bliebe tief und träge wie ein Tier.
Denn das, was uns zu seinen Füßen reißt,
das kreist in ihm seit Millionen Jahren.
Er, der vergißt was wir erfahren
und der erfährt was uns verweist.

Buhda

Como se ele escutasse. Silêncio, sossego. Uma distância....
Nós nos detínhamos e não a escutávamos mais.
E ele é a Estrela. E outras grandes estrelas, que nós não vemos,
estão em volta dele.
Ah, ele é tudo. Realmente, nós aguardamos que ele nos visse?
Deveria precisar? E se nós aqui diante dele nos
lançássemos ao chão, ele ficaria na sua profundeza
como um bicho preguiçoso e contemplativo
Pois isto, que nos joga a seus pés.
Isto circula nele desde milhões de anos.
Ele, que esquece o que nós ficamos a saber
E ele que chega a saber o que nos recusa, repudia

Ich fürchte mich so vor der Menschen Wort

Ich fürchte mich so vor der Menschen Wort.
Sie sprechen alles so deutlich aus:
Und dieses heißt Hund und jenes heißt Haus,
und hier ist Beginn und das Ende ist dort.

Mich bangt auch ihr Sinn, ihr Spiel mit dem Spott,
sie wissen alles, was wird und war;
kein Berg ist ihnen mehr wunderbar;
ihr Garten und Gut grenzt grade an Gott.
Ich will immer warnen und wehren: Bleibt fern.
Die Dinge singen hör ich so gern.
Ihr rührt sie an: sie sind starr und stumm.
Ihr bringt mir alle die Dinge um

Eu me assusto tanto diante da palavra dos homens

Eu temo tanto a palavra dos homens
Eles explicam tudo tão claramente
E isso se chama cachorro e aquilo se chama casa,
E aqui é o começo e o fim é lá.
Me assusta também a reflexão de vocês,
o jogo de vocês com escárnio
Vocês sabem de tudo, o que foi e o que virá.
Nenhuma montanha é mais maravilhosa para vocês
Os seus jardins e o bem de vocês se limitam em Deus
Eu quero sempre avisar e combater: Fique longe disso!
Eu escuto com tanto prazer as coisas cantadas
Vocês não a tocam. Elas são mudas e teimosas.
Vocês todos para mim matam as coisas.

Leia mais sobre o autor no link Rainer Maria Rilke

Mensagens para a coluna:
r-bechtinger@ig.com.br