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EDIÇÃO 2 5 de setembro de 2003
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RICHARD WAGNER

O compositor alemão Wilhelm Richard Wagner nasceu em 1813 e foi o criador do drama musical ou, como em definição do próprio, "obra de arte total", lançando as bases da dissolução do sistema harmônico tonal. Foi um dos músicos mais adorados da Alemanha e tinha entre seus admiradores ninguém mais, ninguém menos do que o ditador nazista Adolf Hitler. Wagner também escreveu sobre arte, cultura e política, causando polêmicas intermináveis.

O criador de obras como Tristão e Isolda, O Navio Fantasma, Tanhauser e Lohengrin foi uma personalidade profundamente contraditória: foi revolucionário e monarquista, era anti-semita e tinha amigos judeus, admirava a arte musical italiana e criou uma obra que literalmente derrubou a supremacia da ópera italiana. Wagner acreditava piamente que depois de sua obra a música nunca mais seria a mesma – e, realmente, estava certo.

Desde criança, Wagner sempre se voltou tanto para o teatro quanto para a música, por isso não devemos estranhar sua obra, ela é um misto dessas duas artes. Apesar de Wagner ter optado pela música, não abandonou a literatura e muito menos o teatro. Começou a estudar música aos 11 anos; aos 18, já escrevia suas peças musicais; e, aos 21, completou sua primeira ópera, As Fadas.

No entanto, foi sua segunda ópera, A Proibição de Amar, que marcou a sua estréia nos palcos, em 1836. No mesmo ano, se casou com Christine Planner, com quem teve um casamento turbulento. Em 1839, Wagner decide tentar a sorte na França levando consigo os manuscritos de sua primeira grande ópera, Rienzi. Porém suas obras não tiveram grande sucesso e ele foi obrigado a retornar à Dresden, Alemanha, onde trabalhou como diretor artístico.

Em Dresden, Wagner conseguiu pôr em prática suas propostas estéticas, o que deixou as autoridades em estado de polvorosa. O compositor era ligado a grupos anarquistas e participou da Revolução de 1848, conquistando o ódio da nobreza local. O resultado dessa relação foi um exílio de 12 anos.

Vagando pelo continente europeu, Richard Wagner ainda continuou criando. Um exemplo disso era um projeto gigantesco, no qual trabalhava desde 1848, que consistia em interligar quatro óperas. O ciclo se chamou O Anel dos Nibelungos e levou 30 anos para ser escrito, resultando em nada menos do que 18 horas de música.

Em 1864, repleto de dívidas e sem ter para onde fugir, Wagner recebeu uma mensagem do rei Ludwig II da Baviera, oferecendo-lhe uma vida tranqüila. O compositor aceita o convite e se livra das dívidas e das preocupações, dedicando-se ao projeto do Anel, que estreou em 1876. A relação com o rei era excelente, para fúria da corte da Baviera, todavia, tudo muda quando Wagner se apaixona por Cosima Von Buelow, filha do compositor Lizst e casada com o famoso maestro Hans Von Buelow. O ruidoso caso obrigou o compositor a abandonar a Baviera, mas Ludwig II intercede por ele e lhe garante uma vida decente.

Wagner resolveu, então, pôr em prática um antigo sonho: construir um teatro para executar suas próprias obras. Ele conseguiu construir entre a Baviera e a Prússia a casa de espetáculos Bayreuth Festpielhaus, graças ao apoio de Ludwig e de outras sociedades em torno da Europa, e foi escolhida para sediar a "Casa dos Festivais". Em 1876, realizou-se o I Festival de Bayreuth, que teve na platéia, além de Ludwig II, o Kaiser Guilherme e o nosso Imperador Pedro II, um dos mais cultos e eruditos monarcas de seu tempo.

Após a consagração do Festival, Wagner diminuiu seu ritmo, no entanto continuou trabalhando – em 1882, sua última ópera, Parsifal, foi aos palcos. Depois foi para Veneza, onde foi morto por uma síncope em fevereiro de 1883.

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