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EDIÇÃO 2 5 de setembro de 2003
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TRISTÃO E ISOLDA

Tristão, filho do rei Rivalen, de Loonois e de Blanchefleur, irmã do rei Marc, rei das Cornualhas, recebeu esse nome graças ao fato de sua mãe estar em profunda amargura por causa da morte do marido. Foi educado por Rohalt, e acreditava que este era seu pai. Como todos os jovens, aprendeu todas as coisas que um cavaleiro deve saber.

Quando era jovem, Tristão foi raptado por mercadores irlandeses, que o deixaram nas Cornualhas, onde conheceu o rei Marc, sem saber que este era seu tio e vice-versa. Tempos depois, Rohalt procura Tristão e conta a verdade sobre seus pais. Com isso, ele retorna e reconquista Loonois, deixando-a para Rohalt e volta para junto de seu tio.

Para salvar Marc de uma dívida, Tristão lutou com Morholt, um gigante irlandês. Ficou ferido gravemente e pediu que fosse colocado em um barco para morrer em mar aberto. No entanto, o cavaleiro fora encontrado e tratado por Isolda, a Loura. Não fora reconhecido pelos outros, já que o ferimento deformou o seu rosto, e foi embora sem que ninguém o reconhecesse.

Marc não queria se casar e sim deixar sua fortuna para o sobrinho, para total desgosto e inveja de quatro barões da corte, que exigiam o casamento do rei. Então, ao pegar, um fio de cabelo louro, mandou que buscassem a dona dele, e esta seria sua esposa. Tristão, lembrando-se de Isolda, resolve buscá-la. Para isso, foi a Weisefort, acompanhado de vários homens, e souberam da existência de um dragão. Quem o matasse, receberia a mão da filha do rei, Isolda. O sobrinho de Marc venceu-o, porém foi ferido e novamente curado pela princesa. O rei decide, então, entregar a filha a Marc, para total desespero desta ao saber que seu futuro marido era o rei das Cornualhas e não Tristão.

No caminho do reino de Marc, Tristão e Isolda bebem uma poção que os faz ficar apaixonados um pelo outro. A bebida, que foi destinada ao rei e à Isolda na noite de núpcias, faria com que as pessoas que a bebessem fossem eternos amantes por todo o sempre. O esperado casamento se realiza, mas é Brangien que comparece à noite de núpcias. Os quatro barões desconfiam dos amantes e resolvem contar tudo ao rei sem ter maiores evidências. Marc manda Tristão embora de seu reino, mas este não consegue abandonar o reino e continua a se encontrar às escondidas com a rainha.

Os barões percebem e contam ao rei lugar e hora do encontro dos dois. Marc vai até o local, mas os amantes o convencem do contrário. Tristão e o rei fazem as pazes e retorna ao castelo, mas sua felicidade tem muito pouco tempo: com o auxílio do Frain, o anão vidente, o rei flagra o adultério da esposa. Marc sentencia os dois à morte. Tristão ainda consegue fugir da sentença com a ajuda de Deus, entretanto Isolda é atirada aos leprosos. O cavaleiro a salva e depois fogem juntos para a floresta, onde ficam escondidos por muito tempo. Num belo dia, um Monteiro os encontra e os denuncia ao rei, que vai até o local e vê os dois juntos, com uma espada nua que separava seus corpos – a espada simboliza guarda e garantia da castidade.

Tomado pela compaixão, Marc não os mata, mas faz com que eles saibam que esteve ali. Ao acordarem, Tristão e Isolda percebem que tinham sido descobertos e fogem novamente, porém se intrigam com a atitude do rei e concluem que o perdão lhes fora concedido. Eles resolvem voltar e ela é aceita pelo rei. Tristão, por outro lado, é expulso por Marc novamente do reino graças à influência dos barões. Antes de ir, a rainha pede de lembrança o cão Husdent do amado e ele lhe dá o anel de jaspe verde, presente de Marc, o qual deveria ser mostrado a ela caso Tristão quisesse lhe mandar algum recado.

Isolda, para provar a sua inocência perante a corte, faz um teste que consistia em tocar um ferro em brasa e sair com as mãos ilesas, depois de um juramento, e passa. Tristão não consegue abandoná-la, no entanto, acaba indo embora, pois a desconfiança já aumentava. Ele segue em direção a Gales, e fica nas terras de Gilain, que fazia tudo parar agradá-lo, sem sucesso. Esta lhe mostrou um cão mágico, Petit Crû, que trazia preso no pescoço um guizo mágico que espantava todas as tristezas. Tristão, pensando em sua amada, mandou o cão para a rainha. Realmente o cão a alegrou, porém ela não achou que somente Tristão deveria estar fadado ao sofrimento e, por isso, jogou o guizo em alto mar. O cavaleiro fugia da solidão e do sofrimento correndo o mundo e pensava que Isolda o esquecera, pois esta não lhe mandava mais notícias.

Ao chegar na Bretanha, Tristão recuperou as terras do duque Höel, que tinha um filho, Kaherdin e uma filha, Isolda, das Brancas Mãos, a qual o duque lhe deu a mão como recompensa. Num ímpeto, o cavaleiro aceita, mas lembra-se de sua amada na noite de núpcias e não consuma o casamento. Kaherdin fica sabendo do fato e toma satisfações com ele, que conta toda a sua história. Isolda, a Loura, fica sabendo do casamento e chora.
Kaherdin perdoa o cunhado e vai com ele até as Cornualhas para obterem notícias de Isolda. Eles mandam uma mensagem para a rainha através de Dimas, que lhe confidencia que Tristão, mesmo casado, jamais a traíra. Um encontro é marcado, mas um dos escudeiros da rainha vê Kaherdin e o confunde com Tristão. O cunhado do cavaleiro foi chamado, mas foge apavorado. A rainha, ao saber disso, fica profundamente ofendida e resolve desmarcar o encontro. Tristão tenta justificar-se, entretanto sua amada Isolda o desacredita. Ele, então vai atrás dela, disfarçado de mendigo, e pede clemência. A rainha o reconhece e manda os empregados enxotar o amado. Tristão retorna para a Bretanha, para total arrependimento de Isolda.

O cavaleiro, ainda desejoso de rever o seu amor, veste-se miseravelmente e vai até um ponto onde encontra uma nau que vai até Tintagel. Chegando lá, corta seu cabelo bem curto e desenha uma cruz no seu couro cabeludo; depois lambuza seu rosto com uma erva mágica, que o modifica. Depois dessas mudanças, ele resolve se dirigir para o castelo de Marc. Chegando lá, ninguém o reconheceu, nem mesmo Isolda. Ninguém acreditava em suas palavras até que trouxeram Husdent, que reconheceu o cavaleiro.

Tristão retornou à Bretanha e foi obrigado a guerrear. Cai numa emboscada e é ferido por uma lança envenenada. Ninguém conseguiu curá-lo. Ao sentir que seu fim estava próximo, quis ver Isolda por uma última vez. O cavaleiro pediu a Kaherdin que a buscasse, mas Isolda das Brancas Mãos ao saber disso resolveu vingar-se do marido.

Kaherdin foi, levando o anel. Tristão pediu-lhe ainda que levasse uma bandeira preta e uma branca; e que na sua volta içasse a branca, se Isolda viesse, e a preta caso contrário. Ao ver o anel, a rainha resolve fugir com o cunhado do cavaleiro. Enquanto Tristão agonizava, Kaherdin e Isolda enfrentavam várias tempestades, mas finalmente estavam chegando com a vela branca içada.

Isolda das Brancas Mãos, maldosamente, disse a Tristão que o irmão chegava com a bandeira preta. Depois disso, ele morre. Ao chegar, Isolda toma conhecimento do ocorrido e dirige-se até o seu cadáver, deitando-se junto a ele, morrendo pouco depois. O rei Marc, ao saber da morte dos dois, manda buscar seus corpos. Os corpos são sepultados separados por uma capela, porém durante a noite, um espinheiro verde brota da tumba de Tristão, com flores perfurmadas e eleva-se por cima da capela até o túmulo de Isolda. Três vezes o cortaram, três vezes ele voltou. E, sendo, assim, resolveram deixá-los em paz.

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