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EDIÇÃO 2 5 de setembro de 2003
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PERSONAS DE TEATRO – DENISE STOKLOS

"Achar uma forma de acomodar todo o caos, essa é a tarefa do artista de hoje".
Samuel Beckett

Nascida em 1950 na cidade paranaense de Irati, Denise Stoklos começou a escrever seus textos desde cedo. Formou-se em Jornalismo, pela UFPR, e em Ciências Sociais, pela Universidade Católica do Paraná. Denise criou o "Teatro Essencial", que consiste em mostrar os instrumentos basilares da atuação: os personagens e as suas relações entre si, o texto e o seu contexto. O instrumento fundamental para o ator é o espaço cênico e como ele vai se relacionar com ele. Ou segundo as palavras da própria Denise, "no teatro essencial não há personagens. Há 'persona', há 'in-corporamento' das opções do próprio 'performer'". Todos os elementos que esta persona trará à cena sempre irão à busca da reflexão, da ação e da transformação para que se elabore uma nova alternativa para a sociedade.

A atriz deu início a sua carreira teatral aos 18 anos com o texto Círculo na Lua, Lama na Rua, em 1968; onde foi responsável pela atuação, direção e autoria do texto. Participou de inúmeras produções teatrais até 1977, como A Semana, Vejo o Sol, Mar Doce Prisão e Cadillac de Lata, sendo também responsável pela autoria de grande parte dos textos.

Em 1979, Denise Stoklos parte para Londres a estudo, o que resulta no seu primeiro espetáculo solo: One Woman Show, apresentado em 1980, na Inglaterra e na França. Dois anos depois, seguiu para a Califórnia para mais pesquisas e estréia, no mesmo ano, seu segundo solo: Elis Regina, que tinha morrido na mesma época, uma homenagem à nossa pimentinha, de quem sempre foi ardorosa fã. Em 1983, cria e dirige seu próprio grupo teatral em Maldição e atua solo no espetáculo Um Orgasmo Adulto, que ficou em cartaz por dois anos seguidos e foi exibido no Brasil, em outros países da América do Sul e Europa. No ano seguinte, Denise estréia Habeas Corpus, outro texto de sua autoria.

Em 1987, o teatro La Mama, de Nova York resolve comemorar seus 25 anos de atividades convidando Denise Stoklos para estrear mais um de seus textos inéditos. Ela aceita e monta seu texto de maior sucesso até então: Denise Stoklos in Mary Stuart, onde recria a atmosfera do conflito entre a rainha da Escócia e Elizabeth I, a tirana detentora da coroa inglesa. A receptividade desse trabalho foi tão positiva que, até hoje, a peça integra o repertório da atriz; "Mary Stuart" foi considerado o melhor texto de 1994, na categoria de melhor texto internacional, do Festival de Edimburgo, na Escócia – o mais importante festival de artes do mundo. A partir desse texto, Denise sempre estreou suas peças no La Mama. Nos anos seguintes, outros espetáculos solo entraram em cartaz: Hamlet in Irati, em 1988; Casa, em 1990; e 500 anos – um fax de Denise Stoklos para Cristóvão Colombo, em 1992; mesmo ano em que a América comemorava 500 anos de descobrimento.

Em 1993, Denise Stoklos comemorou 25 anos como profissional, publicando suas peças de teatro, o subtexto de "Mary Stuart" (algo até o momento inédito no teatro brasileiro) e Teatro Essencial, onde podemos saber um pouco mais de suas reflexões sobre o espaço cênico. No mesmo ano, estréia Jardim de Meteoros, espetáculo de composições de sua autoria em Estocolmo, Suécia. Também recebe da Fundação Guggenheim (New York) um fellowship como autora de teatro e, daí, nascem seu romance Amanhã Será Tarde e Depois de Amanhã nem Existe – adaptado para o palco meses depois e, cujo texto estreou no 3º Festival de Curitiba de 1994, garantindo uma das maiores ovações da história do festival. Ainda em 1994, Denise exibiu no MAM-RJ uma exposição de fotografias de sua autoria sobre canções da cantora de jazz Nina Simone, Nina Simone sings for us e levou sua peça Des-Medéia aos palcos.

Entre 1995 e 2001, a atriz encenou Elogio, Mais pesado que o ar/Santos Dumont, Desobediência Civil, Vozes Dissonantes, Louise Bourgeois - I do, I undo, I redo e Calendário da Pedra, garantindo a respeitabilidade seja por parte da crítica, seja por parte do público. Em 2002, se responsabilizou pela direção de Selvagem como o Vento, com Carolina Ferraz, onde pela primeira vez atuou apenas como diretora. Denise Stoklos foi a primeira atriz a se apresentar em Moscou, Pequim, Taipei, Ucrânia e em diversos outros países.

Texto de Vinícius Rangel Bertho

Cartas para a coluna, pelo e-mail: viniciuspersona@hotmail.com