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EDIÇÃO 16 1º de agosto de 2005
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O GÊNERO DRAMÁTICO EM ÉDIPO REI

Sérgio Granja
Aluno do 5º período de Letras - Campus Rebouças
Autor do romance LOUCO D'ALDEIA EM DOIS TEMPOS (Record, 1996)

A essência do drama, segundo Staiger, é a tensão. Toda a trama está concentrada em direção ao desfecho. Há economia de personagens e unidade de acão, tempo e lugar.

A composição dramática é escrita na forma de diálogo, e o "Eu" dramático (protagonista, deuteragonista, tritagonista) está todo no que faz e diz, interagindo no mundo e com o mundo.

Enquanto a epopéia narra a ação progressivamente, o drama representa a ação tensamente. Não é à toa que drama em grego quer dizer ação: o drama é a ação sem a mediação de um narrador.

Édipo Rei, de Sóflocles, é uma tragédia. A tragédia é a desgraça irreparável do herói vitimado pelo destino. Staiger diz que "quando se destrói a razão de uma existência humana, quando uma causa final e única deixa de existir, nasce o trágico".

Na peça de Sófocles, Édipo, rei de Tebas, é o protagonista; e a rainha Jocasta, a deuteragonista. As outras personagens são Creonte (o irmão de Jocasta), o advinho Tirésias (que é um velho cego), o sacerdote (que fala em nome do povo), e o emissário de Corinto. Há ainda o coro.

Édipo é o herói trágico. Ele não tem culpa de nada (é vítima do destino) e se sacrifica pelo seu povo. A tragédia se abate também sobre Jocasta, que se pôs contra o destino. Jocasta se suicida (enforcando-se) ao saber que se tornara mulher de seu filho. Édipo, ao descobrir que matara seu pai, Laio, e se casara com sua mãe, cega-se (vazando os olhos) e pede que seu tio e cunhado, Creonte, o expulse de Tebas. Com a expulsão, o herói trágico salva o reino da maldição da peste (que era uma punição pela presença do assassino de Laio entre os tebanos).

A peça converge inteira para o desfecho trágico. A verdade vai sendo revelada nos diálogos, num clima de tensão produzido pelo entrechoque das personagens.

É mais ou menos como a peça que se desenrola agora no proscênio da política nacional.

A tragédia na vida de um partido que se propõe a transformação social não está em perder as eleições e não chegar ao poder, mas em chegar ao poder e negar o seu programa.

Coisas do destino... Só que o destino trágico aqui é uma teia tramada pelo jogo entre as personagens: as concessões e as alianças que se fazem, ditam o espaço do que é e do que não é permitido; a opção pelo pragmatismo obriga à assimilação dos valores dominantes em detrimento da radicalidade dos princípios; o trânsito da contestação à integração é um deslocamento que submete o transeunte à lógica política e econômica que é o fundamento mesmo da miséria moral e social brasileira.

Endereço para correspondência:
sergiogranja@hotmail.com