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EDIÇÃO 16 1º de agosto de 2005
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DAQUI A 200 ANOS

Francisco Carlos Malta
Ator, graduado em Letras, em 2004 - Campus Rebouças

A literatura sempre foi o suporte para a arte e quanto a isso não restam dúvidas. Sempre que um encenador seja do teatro, cinema ou TV, se vê sem recursos criativos em seu processo de concepção acabam por recorrer a mais antiga das escritas.
A companhia Criação Teatral de Curitiba não fugiu a regra. É louvável a idéia de levar ao palco contos de Tchekhov. Todo o processo de encenação é estimulante, rico na busca de outras linguagens e quanto a isso quem ganha é o espectador.

O premiadíssimo ator Luis Melo, (Ramiro da novela América, da Rede Globo), apresenta o seu mais novo espetáculo Daqui a duzentos anos em curtíssima temporada no Rio. Durante seis meses, foram realizadas em Curitiba, cinco mostras públicas, dentro do projeto ACT Abre Suas Portas, que tem como proposta mostrar periodicamente alguns processos de trabalhos realizados no Ateliê de Criação Teatral. Foram apresentadas leituras dramáticas, debates sobre a obra e o trabalho de Tchekhov. O espetáculo é fruto dessa pesquisa tomando por base a obra desse autor que revolucionou o teatro moderno e é fonte de referência para a dramaturgia contemporânea e para o trabalho do ator. Daqui a duzentos anos é uma idéia que se repete muitas vezes em seus textos que ressoa nas palavras do médico Astrov, personagem da peça Tio Vânia, que planta sementes numa floresta para que esta cresça, se multiplique e possa ser admirada por outras gerações, por pessoas que existirão depois dele. Os personagens projetam uma vida ilusória num tempo inalcançável, é uma espécie de fantasmas à espera de uma vida um pouco menos tola.


A peça em questão foge às boas regras de adaptação, a começar pela escolha dos contos e o longo tempo. Faltou direção, pulso firme, mais objetividade nas cenas e ritmo no espetáculo. Ao que tange o elenco é catastrófico, se salva Luis Mello que não é novidade.

A iluminação de Ndaja Naira é correta, ao passo que a preparação vocal de Babaya é desejável. A idéia que se tem quando termina o espetáculo é: Por que insistiram em apresentar isso? Mas quanto a isso nem Tchekhov explica... Quem sabe daqui a 200 anos?!

Ficha Técnica

Coordenação artística: Luis Melo e Marcio Abreu
Dramaturgia e direção: Marcio Abreu
Tradução: Marcos Davi e Michelle Siqueira
Direção: Marcio Abreu
No elenco: Luis Melo, Janja, André Coelho, Carolina Fauquemont e Edith Camargo
Iluminação: Nadja Naira
Música: Edith Camargo
Cenografia e figurinos: Teca Fichinski
Produtor local: Sergio Canizio
Criação e realização: ACT - Ateliê de Criação Teatral
Classificação etária: 12 anos

Endereço para correspondência:
franciscomalta@hotmail.com