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EDIÇÃO 16 1º de agosto de 2005
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ALESSANDRO MANZONI - BIOGRAFIA

Profª  Gilda Korff Dieguez
Professora titular e coordenadora do projeto Rede de Letras

Alessandro Manzoni

"Dever-se-ia pensar mais em fazer
o bem do que em estar bem: e assim
também se acabaria por estar melhor".
(Alessandro Manzoni)

Quando se trata de Romantismo na literatura da Itália, dois nomes surgem como fundamentais: Leopardi (ver edição 1 - coluna de Italiano, do Rede de Letras) e Manzoni, que dominam por sua estatura maior. No entanto, esses dois escritores não se enquadram nos moldes gerais do que denomina por "Romantismo", dadas as características de cada um desses escritores.

Alessandro Manzoni nasceu em Milão, a 7 de março de 1785. A mãe, Giulia, fora casada, contra a sua vontade, com o quase qüinquagenário Pietro Manzoni, rico proprietário e homem honesto, profundamente religioso, de quem ela se separou legalmente, indo viver na Inglaterra e, depois, em Paris, com o Conde Carlo Imbonati. Assim, desde cedo Alessandro passou a conhecer a vida dos internatos, dirigidos por religiosos: foram nove anos que deixaram más recordações e suas marcas na personalidade do jovem, tornando-o anticlerical.

Em 1801, Manzoni passou a viver na casa do pai, estabelecendo amizade com os patriotas e literatos, especialmente, Cuoco e Lomonaco – dois escritores, envolvidos em retratar experiências políticas na Itália. Freqüenta, também, Foscolo e Monti, deste último fazendo seu modelo. Com o tratado de paz que deveria garantir a existência da República Cisalpina, aliado aos liberais milaneses, Manzoni escreve "Il trionfo della liberta" (1801), poema em tercetos em que celebra a vitória da liberdade sobre a superstição e a tirania, investindo ataques contra o clero, igualmente. No mesmo ano, publica "Qual su le cinzie cime", em feitio neoclássico, motivado por sua paixão pela irmã de Ermes Visconti, Luigina, em que abandona as causas políticas em favor das amorosas. Na verdade, Manzoni está à procura de identidade, como revela o poema "Autoritratto", um soneto onde testemunha a influência de Alfieri. Ainda nesse período, em 1803, escreve "Adda", onde se fazem sentir traços da "suavidade virgiliana".

De 1802 a 1804, o pai de Manzoni quer afastá-lo do clima republicano de Milão, levando-o a morar na casa de um primo em Veneza, cidade que se encontra, nesse período, sob dominação austríaca. Nessa época, escreveu os quatro "Sermoni", mas começa a desenvolver um veio de poesia satírica.

A 12 de julho de 1805, Manzoni vai ao encontro de sua mãe, em Paris, onde Carlo Imbonati morrera três meses antes, deixando-a sua única herdeira. Nessa ocasião, para a mãe escreve uma ode, "In morte di Carlo Imbonati", que se torna o seu texto mais original da fase da juventude, o primeiro que manda publicar, em janeiro de 1806. Dialogando com o morto em sonho, Manzoni o apresenta como um modelo de virtude, sobre o morto projetando o seu próprio "eu". Em Paris, sua nova terra adotiva e que opõe a Milão, Manzoni é acolhido pelos amigos da mãe, como o historiador Claude Fauriel, e a casa de Meulan, onde se reuniam os ideólogos da Restauração Tracy, Cabanis, Garat e Volney. Em um período de cinco anos, Manzoni passa a vivenciar um ambiente cultural nitidamente europeu, que permanecerá como ponto de referência, assim como se farão sentir as influências da literatura francesa dos séculos XVII e XVIII (Racine, Voltaire) e dos oradores católicos (Pascal, Nicole, Bouset, Massillon, Bourdaloue). Ao fim desse período, escreve "Urânia" (1809), o seu último tributo à poesia neoclássica, da qual se afasta, a partir de então. Em 1810, o escritor passa por uma crise existencial e de saúde (problemas neuropáticos, de que padecerá o resto da vida), que o fará mergulhar, definitivamente, na ortodoxia católica.

Em 1808, Manzoni havia casado com Henriette Blondel, filha de um banqueiro de Genebra, um calvinista que se converteu ao catolicismo. Em julho de 1810, Manzoni regressa à Itália, e leva uma existência bastante retirada de Milão. Voltaria a Paris somente em 1819; além dessa viagem, também foi à Toscana, para curtas permanências, por interesse lingüístico: em 1827, quando conhece Leopardi, e em 1856.

Em 1812, inicia-se o período mais fecundo de sua produção, que culminaria, em 1823, com a publicação de seu romance "Os noivos".

Manzoni faleceu em 22 de maio de 1873.

Sites para visita (em italiano):
http://www.webfullservice.it/promessisposi/Home.htm
http://www.webfullservice.it/promessisposi/promessi_sposi.htm (sobre o romance)
http://www.webfullservice.it/promessisposi/alessandro_manzoni.htm (biografia)

E-mails para a coluna:
gilda.dieguez@ig.com.br