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EDIÇÃO 16 1º de agosto de 2005
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WARHOL

Lise Bianchini
Aluna do 5º período de Letras – Campus Rebouças
Professora de inglês

O MAM (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro) enfeitiçou os cariocas com uma mostra dos trabalhos em película do artista norte-americano Andy Warhol e suas polêmicas Motion Pictures. O trabalho, na verdade, trata da desconstrução do mito, da morte do sujeito estético, do espetáculo como única saída para a monotonia da vida seca, sugada pelo capital. A necessidade de seduzir todos vai derretendo quando a câmera parada, frente ao objeto de estudo, vai devorando os sentidos. Essa monotonia leva o observador à experiência íntima, ao diálogo entre o artista e o observador. Ficamos frente às telas, sem saber exatamente o que fazer com a nossa vida regada de um "fordismo" ou uma rotina de subvida, com hora marcada para tudo, e uma jornada de trabalho cada vez mais longa. O melhor da vida se faz no acaso, mas como pode isso acontecer em uma sociedade que prima pelo planejamento de todos os detalhes e trata a vida como um projeto a ser realizado ou uma meta a ser alcançada? Pensa o homem como dono de tudo e de todos e a natureza a seu serviço? Educa, mas ensina?
Salvador Dali vai perdendo a pose, Dennis Hopper faz exercícios de interpretação para não morrer de tédio. Outras personalidades famosas e anônimas dos saudosos anos 50 e 60 vão sendo delineadas dentro de um atelier nomeado Factory. O espectador vai consumindo a imagem e sendo consumido por ela.

Blow Job é um trabalho interessante de ser pensado em uma época em que a banalização do sexo (que ainda vende horrores) é utilizada pela indústria como válvula de escape para a histeria oriunda da opressão. Empire, um prédio-símbolo dos EUA, filmado durante oito horas a fio. O mero acender das luzes faz a felicidade do entediado sujeito metropolitano. Sleep, uma filmagem fora dos moldes tradicionais de montagem, como todas as outras também são, e Eat tem a temática do prazer oral também. Talvez, um grau de reflexão mais elaborado seja bem-vindo.

O cinema rompeu com moldes literários de teatro filmado, dando nascimento a um campo semiótico autônomo quando trouxe o movimento de câmera e o corte dentro da cena. A linearização da história, fazendo com que o espectador não fique perdido, foi uma das maiores preocupações. O raccord, a elipse, a montagem, o quadro de cena vão fomentar uma arte com linguagem autônoma. A imagem e movimento não roubam do leitor o imaginário por oferecer cenários tantos; nem limita. Pelo contrário, pode tornar a interpretação longa, deliciosa e vasta, tão rica quanto o pensamento simbólico do público que ali se destina a questionar a ordem posta. Warhol vai quebrar com todas as regras de enquadramento, temporalização, montagem, fotografia e enredo, trazendo um universo caótico, tenso, inóspito e morto. Uma bela representação da morbidez que o império dos sentidos impõe em troca de horas de trabalho a fio. O cinema clássico narrativo tem sua sedução, mas enquanto mídia a serviço da expressão de subjetividade artística, o cinema de Warhol desconcerta e como uma boa obra pós-moderna deixa o expectador sem discurso.

O trabalho de Warhol para cinema merece um longo estudo à parte e mata a noção do cinema motion. Os polaróides, eternizando celebridades meteóricas do mundo contemporâneo, já vieram ao Rio e foram bem recebidos. Cores cítricas e o devorar dos mitos nos quadros de Elvis Presley e Elizabeth Taylor mostram uma outra fase, mas a temática da saturação sempre presente.

Ficam aqui registradas minha felicidade ao visitar a exposição e a proposta de outros pensamentos para a película como mídia artística.

 

 

 


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bianchini91@hotmail.com