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EDIÇÃO 16 1º de agosto de 2005
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A ARTE DA PALAVRA

Mônica Nogueira da Costa Cruz
Aluna do 5º período de Letras – Campus Niterói

PERISSÉ, Gabriel. "Escrever é transbordar". In: A arte da palavra: como criar um estilo pessoal na comunicação escrita. 1ª ed., São Paulo: Manole, 2003. pp. 27-46.

A obra baseia-se no despertar da consciência para ato de escrever e a influência que a escrita exerce nos leitores. A proposta do livro, que se constitui em ensinar a arte da palavra, não se prende à informação de regras gramaticais, mas ao sentido que se deve direcionar o pensamento do leitor, para que este inclua o ato de escrever na sua vida e se torne uma justificativa para viver.

A química entre o leitor e as idéias do escritor tem que combinar para que o produto seja aceito e divulgado. A obra só ganha vida quando causa uma boa impressão, porque o leitor se identifica e compartilha a emoção sentida com o outro e sente-se impelido a se submeter à experiência.

Gabriel Perissé descreve os caminhos que o escritor deve percorrer para escrever com competência e, dessa forma, encantar, seduzir e passar a ser referência para um expressivo público. Nesse sentido, o processo seletivo da escolha das palavras é muito importante, porque vai determinar o nível intelectual do público que será conquistado.

Escrever é expressar um fato, uma ação ou um pensamento através de palavras e a maneira de transmitir essa mensagem é peculiar a cada indivíduo, sendo que o momento de escrever também é definido pelo escritor, conforme a sua disponibilidade e vontade. As anotações das idéias que fluem repentinamente devem ser feitas no momento em que elas ocorrem e a motivação para escrever pode vir com treinamento e não necessariamente de uma vocação.

Uma idéia destacada pelo autor – e que já é consagrada universalmente e não pode deixar de ser ressaltada – é a de que a leitura e a escrita são indissociáveis e complementares. A leitura é o alimento que sustenta a argumentação, para que ela possa ser articulada com competência e maestria, para, então, ganhar consistência e conquistar aqueles que elegerão o seu texto como guia de referência e orientação. As frases de efeito fascinam o leitor e o impacto o surpreende solidificando o vínculo com o autor.

O escritor tem que absorver a essência humana, para, através do diálogo, estimular a reflexão e provocar mudança de atitude. Deve-se primeiro descobrir sua personalidade e se completar, para depois preencher o vazio dos leitores que se reconhecerem através da leitura. Deve ele expressar o que gostaria de ouvir, para que os leitores também se identifiquem com o texto e tenham sua expectativa correspondida.

A afinidade entre o leitor e o escritor é a atração que traz o reconhecimento e estimula o leitor a continuar desfrutando a emoção da leitura por se descobrir nas entrelinhas do texto.

Escrever é compartilhar uma situação representada simbolicamente pelas palavras e o poder verbal se constitui na manipulação de outras mentes.

O discurso bem articulado é um poder de persuasão que se confirma na sedimentação da idéia apresentada e o processo da articulação é constituído através da sedução sendo a convicção a força que abrilhanta o pensamento.

Acredita-se que um dos obstáculos que as pessoas têm que vencer para então poder se iniciar na arte da escrita é aceitar o fato de que escrever é um ato de entrega e doação porque através da ficção a realidade está infiltrada e isso significa se despir diante do outro, portanto é um ato de coragem, pois quando se expõem, estão fadados às críticas nem sempre favoráveis. A autocrítica é fundamental para se preparar diante desse fato que pode se suceder.

Os que se predispõem a esse jogo têm que estar amadurecidos para aprenderem a crescer diante das adversidades.
A sintonia perfeita só é encontrada quando se faz um mergulho nas entranhas do seu ser entrelaçando a comunhão entre os ideais e as convicções e, a partir dessa descoberta compartilhar com os outros a sua percepção de mundo, como também penetrar no íntimo das pessoas e permanecer lá.

O potencial expressivo do escritor é movido pela energia intrínseca que o impele a descobrir o talento oculto que molda o seu estilo e, no entanto, demarca a personalização.

A escolha do tema da obra intelectual deve suscitar no autor uma busca incessante para a resposta de uma indagação pessoal.

Gabriel Perissé apresenta o processo da escrita como um decantamento de um excesso que precisa ser expurgado. A pesquisa sobre o assunto que está sendo exposto no processo da criação deve ser bem explorada para que a obra mereça recomendações de leitura.

A inspiração pode vir de qualquer acontecimento do cotidiano e o escritor deve ser um observador atento do comportamento humano para transformar os pequenos gestos e palavras soltas em personagens com características diversas.O escritor é aquele que dá vida a objetos inanimados e a pesquisa constante é que mantém acesa a chama do saber.

O ensaio oferecido ao leitor deve ser bem estruturado e pesquisado, porém não se devem esgotar todas as curiosidades do leigo, para que o mesmo não se sinta totalmente saciado e finalize a sua ânsia de conhecimento.

Todo escritor é um artista por ter multiplicidades de funções e o seu objeto de trabalho é a palavra, que pode ser esculpida, lapidada, semeada, inventada, como se ele incorporasse cada uma dessas profissões.

O escritor é aquele que sensibiliza as pessoas e faz com que elas despertem emoções inexploradas e desconhecidas. Para que não esmoreça a ávida curiosidade que habita em todo escritor, ela deve ser cultivada com todo fervor ininterruptamente.