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EDIÇÃO 16 1º de agosto de 2005
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LÍNGUA E LIBERDADE

Elaine Andriani Sant'Ana
Aluna do 7º período de Letras – Campus Rebouças

LUFT, Celso Pedro. Língua e liberdade. 8ª ed., Fundamentos, Ática, 2000.

Apesar de inúmeras regras gramaticais e da necessidade de saber escrever corretamente o importante é se comunicar. Em Língua e liberdade, Luft afirma que "até um analfabeto e uma criança de três anos sabe a língua (gramática implícita) que fala". Isso é simples de se explicar, pois, se essas pessoas transmitem, com precisão suas idéias, mesmo sem saber nada de semântica, morfologia, sintaxe é porque elas constroem frases com coesão e coerência.

Nesse sentido, o autor quer expressar a idéia de que gramática e comunicação são bem diferentes. Um teórico gramatical – que sabe regras de acentuação e ortografia – não, necessariamente, é capaz de se comunicar com precisão. Ao contrário, por exemplo, de um escritor. Este, sim, escreve coerentemente; consegue transmitir realmente o que quer e muitas vezes, não sabe absolutamente nada de teorias gramaticais.

A língua é flexível, está em mudança constantemente. "A gramática disciplina, código normativo, que tende à fixação e inflexibilidade, portanto à morte" (p.22). A gramática de um país deve evoluir junto com a população que fala tal língua. E por isso devem ser revisadas, assim como todo dicionário.

A verdadeira gramática é construída pelo povo. Não somente, pelos humildes, mas também por professores e pessoas com um nível escolar elevado. "Literatura também é coisa do povo, com suas lendas, provérbios, canções" (p. 28).

Mas e os professores e profissionais teóricos da língua? Se não ensinarão regras, ensinarão o quê? Os professores serão responsáveis por enriquecer o nível de comunicação de seus alunos; trabalharão para um aperfeiçoamento da gramática inata (implícita).

Luft faz uma dicotomia entre gramática natural, porque é da natureza de qualquer língua, e é natural do ser humano, assim como aprender a andar. E a gramática artificial, porque "aprendemos" na escola, somos ensinados. É o estudo de regras gramaticais.

O "saber lingüístico do falante nativo" é o que vai constituir a internalização das regras gramaticais da língua materna nas crianças. E assim, é formada a gramática verdadeira, aquela que é natural do falante da língua.

É ingênuo pensar que o ensino tradicional faz com que seus alunos aprendem a língua materna. É necessário ressaltar que "o professor tradicional não leva em conta que o falante nativo sabe sua língua" (p. 42, grifo nosso). O que o autor propõe é o desenvolvimento e crescimento dessa língua já internalizada pelos estudantes nativos ao invés de um ensino baseado na gramática normativa, com conceitos e regras. É comprovado que com esse ensino tradicional os alunos terminam seu ensino fundamental e médio sem saber ler e escrever. Digo, ler naturalmente, seguro em relação à pronúncia, pontuação e entoação; e escrever com clareza para os leitores entenderem a mensagem passada pelo remetente. Certamente, devemos considerar o nível sóciocultural de cada falante. Se o falante vive em um ambiente em que os pais e familiares são cultos, quando criança, vai adquirir um vocabulário e uma desenvoltura oral de acordo com o que escuta diariamente. Ao contrário de um indivíduo que cresce na periferia, por exemplo. Seu vocabulário e maneira de falar serão limitados. Provavelmente, convive com analfabetos ou semi-analfabetos.

A única objeção, no que se refere ao livro Língua e liberdade, é quanto à questão da solução prática para o ensino da gramática natural nas escolas. O autor apenas problematiza o assunto e deixa para nós leitores a reflexão da didática e preparação dessas aulas de português.

Cartas para a coluna:
elaine.andriani@gmail.com