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EDIÇÃO 14 1º de março de 2005
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TV GLOBO – 40 ANOS DE SUCESSO

Francisco Malta
Graduado em 2004/1 – Campus Rebouças
Ator

 

A história da TV Globo se confunde com a história da TV brasileira: afinal, há quarenta anos a emissora lidera o primeiro lugar e povoa diariamente o imaginário de milhões de brasileiros. Absoluta na arte de produzir sonhos, a maior emissora da América Latina coloca no ar dezenas de programas com altíssimo conceito de dramaturgia.

Com o surgimento da Rede Globo de televisão, a história das telenovelas nunca mais seria a mesma. A emissora, ao longo dos anos, foi desenvolvendo o chamado "padrão Globo de qualidade". Mas a que se atribui o sucesso das telenovelas? O novelista Gilberto Braga responde essa questão:

"Acho que em primeiro lugar vem, infelizmente da falta de opção, por sermos de um país pobre, a maior parte do brasileiro não tem lazer, então a televisão ocupa um espaço importantíssimo na vida dele. Claro que muita gente de classe média que vai ao cinema, ao teatro e lê o seu livro, passou a se interessar por televisão. Mas acho que a força maior vem dessa falta quase que total de opções do povo brasileiro".1

A dramaturgia global brasileira é hoje não só um cartão postal de nossa televisão, como também de nosso país. Pode-se não gostar das telenovelas ou das idéias transmitidas por suas narrativas, mas não há como negar a forte impressão provocada por uma obra que se proponha a discutir temas do interesse do público, tornando-se reflexiva, ou que não se torna enfadonha ao discutir os nossos impulsos humanos ou assuntos polêmicos e atuais, como aconteceu nos últimos mega-sucessos do horário nobre da TV Globo, que pararam o país: O clone, de Glória Perez, inovando no tema e resgatando os amores impossíveis; Celebridade, de Gilberto Braga; e, atualmente, Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva.

O tão falado apelo mágico da TV atende-se por Rede Globo. O "padrão Globo de qualidade" da emissora vem conquistando e sustentando há anos a TV brasileira. Ninguém constrói um império sem ter por trás uma equipe competente. E profissionais qualificados não faltam na emissora. Se antes a TV brasileira importava o folhetim mexicano-hoje ela é a maior exportadora de telenovelas do mundo – Algo inédito também em forma de TV já que a emissora tem o primeiro time em mãos – nomes como Gilberto Braga, Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Regina Duarte, Aguinaldo Silva, Gloria Perez, Jayme Monjardim estão definitivamente associados ao sucesso da emissora.

Na área de dramaturgia tudo começou em 1966, quando a escritora cubana Gloria Magadan escreveu Eu compro essa mulher, seguida de outro grande sucesso O sheik de Agadir. No entanto, eram produções que se passavam na Idade Média, Europa, Arábia, etc. Nada de Brasil atual. Em A Rainha Louca, por exemplo, a história era ambientada no século 18. Nathalia Timberg interpretava Charlote, filha do rei da Bélgica e era casada com Maximiliano, vivido por Rubens de Falco, imperador francês no México. A partir daí, dá para imaginar... Segundo o Dicionário da TV Globo, por exemplo, Ilusões Perdidas, a primeira novela da emissora, passava às 19:30h, no Rio, e às 22:00h, em São Paulo.

Hoje a emissora possui o maior centro de produção da América Latina – O Projac (Central Globo de produção) – com um total de 1.300.000 metros quadrados onde abriga estúdios, módulos de produção e galpões de acervo.

Na época que adquiriu a TV Globo, Roberto Marinho já era dono do jornal O GLOBO e de emissoras de rádio, o jornalista fez uma associação com o grupo Time Life, que investia em emissoras de televisão na América latina. O grupo investiu e a emissora foi ao ar.

Segundo Luiz Eduardo Borgerth, no livro Quem e como fizemos a TV Globo (A Girafa, 2003, pp. 30/31), "na realidade, a contribuição do Time-Life não passou de um financiamento – sem juros e sem prazo – da escolha de equipamentos insuficientes e de um totalmente novo, bonito e inadequado projeto arquitetônico que em nada contribuiu para a TV Globo; (...) Time-Life não sabia nada do Brasil; (...) fracassaram em todos os lugares onde se meteram em televisão aberta".

Foi em 1969 que a TV Globo iniciou sua operação jornalística no Brasil – com Jornal Nacional: um marco na TV brasileira. Também foi pioneira na implantação da tv em cores, isso em 1972.

A TV Globo fica no ar 24 horas por dia. Destas, mais de três horas diárias são dedicadas ao jornalismo. São mais de 500 profissionais, no Brasil e no exterior. Os programas diários do gênero são Globo Rural, Bom Dia Praça (Bom Dia Rio, Bom Dia São Paulo, Bom Dia Pará, etc.), Bom Dia Brasil, Praça TV (SPTV, em São Paulo, e várias afiliadas do interior do Estado; Jornal Regional, em Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e Varginha; TEM Notícias, em São José do Rio Preto, Itapetininga, Sorocaba, Bauru e Jundiaí, etc.), Globo Esporte, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo. Destaque também para os semanais Globo Repórter, Esporte Espetacular, Globo Rural, de domingo e, é claro, o Fantástico.

Slogans ao longo dos anos

– O que é bom está na Globo (anos 70)

– A Globo 90 é nota 100 (1990)

– Globo e você: tudo a ver (anos 90)

– Quem tem Globo, tem tudo (1997)

– Globo: a gente se vê por aqui (desde 2000)

Fontes de pesquisas
CAMPEDELLI, Samira Youssef. A telenovela. São Paulo: Ática, 1985. (Coleção Princípios, nº 19)
CAMPOS, Flávio de. Anos rebeldes: adaptação para romance baseado na minissérie de Gilberto Braga. 3ª ed., São Paulo: Globo, 1993.
DANIEL FILHO. Antes que me esqueçam. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.
FERNANDEZ, I. Memória da telenovela brasileira.São Paulo: Ed. Brasiliense, 1987.

Audiovisual
BRAGA, Gilberto. Programa Letras & Mídias, nº 13 da TV Estácio. Programa realizado no dia 21/07/2001 e exibido na data de 31/08/2001 pela TV Universitária - Canal 14 - NET.

1 BRAGA, G. Entrevista concedida ao programa Letras & Mídias, da TV Estácio, nº 13, realizado no dia 21/07/01.

E-mails para a coluna:
franciscomalta@hotmail.com