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EDIÇÃO 14 1º de março de 2005
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TEXTOS DE GOETHE

Carlos Soares Bechtinger
Aluno do 6º período de Letras – Campus Rebouças
Professor de alemão e tradutor

 

Goethe

Auszüge aus den römischen Elegien / Extratos das elegias romanas

X (Carpe diem)
 
Alexander und Cäsar und Heinrich und Friedrich, die
Großen,
 Gäben die Hälfte mir gern ihres erworbenen Ruhms,
Könnt ich auf eine Nacht dies Lager jedem
vergönnen;
 Aber die Armen, sie hält strenge des Orkus Gewalt.
Freue dich also, Lebend'ger, der lieberwärmeten
Stätte,
Ehe den fliehenden Fuß schauerlich Lethe dir netzt.

X (Carpe Diem)

César e Alexandre, Henrique e Frederico os grandes,
com muito prazer me cederiam pelo menos a metade de sua glória conquistada,
se eu pudesse conceder-lhe por uma só noite este meu leito; mas o severo Orço retém aqueles pobres mortos. Aproveite,vivente, o lugar que o Amor te aquece,
antes que o horrível Letes banhe o teu pé fugitivo.

XIII- Liebe und Kunst
 
Amor bleibet ein Schalk, und wer ihm vertraut, ist
betrogen!
Heuchelnd kam er zu mir: "Diesmal nur traue mir
noch.
Redlich mein ich's mit dir, du hast dein Leben und
Dichten,
Dankbar erkenn ich es wohl, meiner Verehrung
geweiht.
Siehe, dir bin ich nun gar nach Rom gefolget; ich
möchte
Dir im fremden Gebiet gern was Gefälliges tun.
Jeder Reisende klagt, er finde schlechte Bewirtung;
Welchen Amor empfiehlt, köstlich bewirtet ist er.
Du betrachtest mit Staunen die Trümmern alter
Gebäude
Und durchwandelst mit Sinn diesen geheiligten
Raum.
Du verehrest noch mehr die werten Reste des Bildens
 
Einziger Künstler, die stets ich in der Werkstatt
besucht.
Diese Gestalten, ich formte sie selbst! Verzeih mir,
ich prahle
Diesmal nicht; du gestehst, was ich dir sage, sei wahr.
Nun du mir lässiger dienst, wo sind die schönen
Gestalten,
Wo die Farben, der Glanz deiner Erfindungen hin?
Denkst du nun wieder zu bilden, o Freund? Die
Schule der Griechen
Blieb noch offen, das Tor schlossen die Jahre nicht
zu.
Ich, der Lehrer, bin ewig jung und liebe die Jungen.
Altklug lieb ich dich nicht! Munter! Begreife mich
wohl!
War das Antike doch neu, da jene Glücklichen lebten!
Lebe glücklich, und so lebe die Vorzeit in dir!
Stoff zum Liede, wo nimmst du ihn her? Ich muß dir
ihn geben,
Und den höheren Stil lehret die Liebe dich nur."
Also sprach der Sophist. Wer widerspräch ihm? und
leider
Bin ich zu folgen gewöhnt, wenn der Gebieter
befiehlt.
Nun, verräterisch hält er sein Wort, gibt Stoff zu
Gesängen,
Ach und raubt mir die Zeit, Kraft und Besinnung
zugleich;
Blick und Händedruck und Küsse, gemütliche Worte,
Silben köstlichen Sinns wechselt ein liebendes Paar.
Da wird Lispeln Geschwätz, wird Stottern liebliche
Rede:
Solch ein Hymnus verhallt ohne prosodisches Maß.
Dich, Aurora, wie kannt ich dich sonst als Freundin
der Musen!
Hat, Aurora, dich auch Amor, der lose, verführt?
Du erscheinest mir nun als seine Freundin und
weckest
Mich an seinem Altar wieder zum festlichen Tag.
Find ich die Fülle der Locken an meinem Busen! das
Köpfchen
Ruhet und drücket den Arm, der sich dem Halse
bequemt.
Welch ein freudig Erwachen, erhieltet ihr, ruhige
Stunden,
Mir das Denkmal der Lust, die in den Schlaf uns
gewiegt!
Sie bewegt sich im Schlummer und sinkt auf die
Breite des Lagers
Weggewendet; und doch läßt sie mir Hand noch in
Hand.
Herzliche Liebe verbindet uns stets und treues
Verlangen,
 
Und den Wechsel behielt nur die Begierde sich vor.
Einen Druck der Hand, ich sehe die himmlischen
Augen
Wieder offen. - O nein! laßt auf der Bildung mich
ruhn!
Bleibt geschlossen! Ihr macht mich verwirrt und
trunken, ihr raubet
Mir den stillen Genuß reiner Betrachtung zu früh.
Diese Formen, wie groß! wie edel gewendet die
Glieder!
Schlief Ariadne so schön: Theseus, du konntest
entfliehn?
Diesen Lippen ein einziger Kuß! O Theseus, nun
scheide!
Blick ihr ins Auge! Sie wacht! - Ewig nun hält sie
dich fest.

XIII- Amor e arte

Esperto é Amor: quem confia nele, sempre fica enganado.
Com ar de hipócrita, veio ter comigo e disse: "Ainda, por esta vez, confia em mim.
Eu sou teu amigo: ao meu culto (confesso-o com muita satisfação) tu consagraste a vida e a poesia.
Vês que te segui até Roma, e nesse país estrangeiro gostaria de favorecer-te.
Quem viaja, queixa-se de ser mal hospedado: o protegido de Amor encontra sempre um gentil recebimento.
Com maravilha, tu olhas as ruínas de antigos palácios e, pensativo, passas através deste lugar sagrado; mas ainda mais tu honras os nobres vestígios das obras daqueles incomparáveis artistas, que sempre visitei no lugar de seu trabalho.
Eu mesmo forjei aquelas estátuas!
Perdoa-me, todavia não é fanfarrice e tu deves afirmar que quanto digo é verdade.
Mas agora tu não pensas mais em mim.
Aonde foram as belas imagens, as cores, as luzes das tuas criações? Queres, ò amigo, voltar ao trabalho de cinzel? Sempre aberta está a escola dos gregos: os anos não fecharam a porta. Eu, como mestre, sempre sou moço e gosto dos moços. Não te quero prudente como um velho. Ânimo, presta-me atenção.
Quando aqueles infelizes estavam vivos, o antigo era novo. Vivas feliz: desta maneira em ti viverá novamente o tempo antigo.
De onde terás inspiração para o canto?
Eu, eu vou oferecer-te a inspiração: eu vou oferecer-te a inspiração; eu, eu vou ensinar-te o sublime estilo".
Assim falou o sofista. Quem podia desmenti-lo?
E, depois, eu estou acostumado a obedecer, quando o senhor manda...
Eis que o traidor cumpre com a palavra: de um lado, ele me dá muita matéria de canto; por outro lado, me tira tempo, força, consciência!
Dois amantes trocam olhares, apertos de mão, beijos, misteriosas palavras de amor: o murmúrio se torna bisbilhotice e o balbucio chega a ser discurso amoroso; mas este hino se apaga, se não for regulado pelas leis da arte.
Em tempos idos, te conheci, ó Aurora, como amiga das musas!
Talvez o desregrado Amor tenha te seduzido também?
Agora tu me parece sua amiga, e novamente me acordas sobre o seu altar, como num dia de festa.
Sobre o meu peito encontro todos os ondeantes cabelos dela".
A bela cabeça descansa sobre o meu braço, que lhe rescinde o pescoço.
Oh, que feliz despertar reservaste para mim, horas serenas, como lembranças do suave prazer que no sono nos embalou!
Ela se movimenta, mas está ainda adormecida: cai de novo sobre a cama, virando-se para mim, e na minha mão ainda deixa a sua...
Um amor sincero e um fiel desejo nos liga, continuamente: só para ela, ela reservou o variar do prazer.
Aperto-lhe a mão: eis que se abrem ainda os olhos divinos... Deixe-me gozar com sossego as suas formas!
Ficai fechados: confuso, ébrio, não posso mais tranqüilamente continuar a gozar a minha pura contemplação.
Como são grandiosas as formas, como são bem modeladas! Se tão bela tivesse sido Ariadna no sono, como Teseu!
Olha seus olhos: ela acorda...
Agora, tu és completamente seu: e pela eternidade.

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