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EDIÇÃO 14 1º de março de 2005
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TRINDADE

Francisco Carlos Malta
Ator, formado em Letras, em 2004 - Campus Rebouças

 

Herson Capri

O dramaturgo Caio de Andrade já é conhecido da cena carioca, pelos seus textos que sempre recorrem a fatos históricos. A peça, que estreou em dezembro no teatro do Sesc – Copacabana, não foge à regra. Em Trindade, Caio situa sua peça no início do século XX, mais precisamente em 1909, com o conselheiro Afonso Pena no poder.

O programa da peça informa que a intenção do texto é mostrar o conflito pessoal de dois homens – um deles, um jovem médico, dividido entre dois extremos. O outro, um jornalista sem muito sucesso, mas que, em vão, quer falar sobre a classe operária – isto sem dizer de um terceiro personagem, que aparece na narrativa como um representante da classe militar.

Sejamos sinceros: nem sempre as boas intenções salvam. O pior do espetáculo é justamente a ausência de conflito. Muita informação e nenhuma reflexão. O autor optou por preservar todos os dados históricos e, com isso, deixou fracos os diálogos.
No que tange aos figurinos de Ernani Peixoto e Michele Augusto, são impecáveis, assim como a cenografia de Guilherme Leme e a iluminação de Adriana Ortiz são de extrema competência.

A julgar pelo elenco, composto por: Guilherme Leme, Herson Capri e Pedro Garcia Netto, todos defendem muito bem seus respectivos personagens.

O problema é definitivamente o texto: não somente de intenções se faz o bom teatro.