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EDIÇÃO 14 1º de março de 2005
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CARMEN MIRANDA - 50 ANOS SEM A PEQUENA NOTÁVEL

Mauro Dellal
Aluno do 7º período – Campus Rebouças
Produtor artístico da Orquestra Sinfônica Petrobras Pró Música

Em um país em que os "big brothers" e outros produtos da mídia moderna parecem ter lugar assegurado no imaginário da população por meio de uma atuação enérgica dos meios de comunicação, os ídolos do passado permanecem numa espécie de limbo cultural, resgatados de tempos em tempos, em ocasiões especiais, pelos mesmos mecanismos comunicativos . É o caso do fenômeno Carmen Miranda. Carmen estará no noticiário brasileiro devido aos 50 anos de seu falecimento. Longe de ser uma homenagem justa, sendo apenas um recurso comercial-jornalístico, o momento, ao menos serve, para revivermos um pouco da pequena notável.

O mito de Carmen é baseado em sua atuação artística explosiva e excepcional. Analisando, é uma categorização fantástica relacionada à realidade social de sua época. Visto desse modo, o mito é a representação da conduta humana, orientando e selecionando comportamentos de um determinado grupo social. O mito é, portanto, criado e sustentado pela sociedade, e, no caso de Carmen, estamos longe de ser os mantenedores de sua mistificação. Ao contrário, são os estrangeiros, notadamente os norte-americanos, quem lhe empresta uma constante exibição e, conseqüentemente, uma história sólida. Há algum tempo assisti a um programa que trata da biografia de grandes artistas. O programa, é claro, era de produção americana, com uma riqueza de detalhes impressionante. Não é de se estranhar tal compromentimento da mídia americana, pois grande parte de sua carreira foi construída naquele país. O que incomoda, é a posse do mito Carmen Miranda; posse de resgate difícil para os brasileiros.

Talvez a polêmica em torno de sua "americanização" tenha importância na fragilidade da imagem da pequena notável. Tal discussão caberia num estudo antropológico, já que "americanizados" somos todos, infelizmente.

A proposta artística de Carmen Miranda é o que mais importa. A sua música genuinamente brasileira, carregada de elementos visuais de suas fantasias, pintavam um quadro absolutamente tropical, quente e brasileiro. Numa época de tentativas de se buscar uma identidade nacional – como ainda hoje –, Carmen Miranda consolidou uma imagem esteriotipada da sociedade brasileira que perdura até hoje. Imagem essa deturpada pelos horrores do lucro, hoje transformada em símbolo de um país de brinquedo, uma república das bananas.

Viva Carmen Miranda, viva a música (BOA) brasileira e vivam sempre em nossa memória nossos mitos.

Para saber mais sobre a pequena notável:
http://www.sec.rj.gov.br/webmuseu/carmen.htm
http://www.mpbnet.com.br/musicos/carmen.miranda/
http://carmen.miranda.nom.br/cm_menu.html

E-mails para a coluna:
m.dellal@terra.com.br