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EDIÇÃO 14 1º de março de 2005
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AS DUAS FACES DO MUNDO: IMPÉRIO ASTECA X EUROPA OCIDENTAL

Beatriz Dias Menezes Bastos
Aluna do 7º período - Campus Niterói
Professora

 

Sol e chuva, as duas grandes forças
que dominam o mundo, associam-se
no alto de uma cidade fundada por
nômades guerreiros que se
converteram em sedentários.
(SOUSTELLE)

O objeto de estudo, aqui apresentado, será apontar o contexto político cultural vivido pelo povo asteca na Planície Central do México e compará-lo ao mesmo período histórico europeu, o Renascimento.

O Império Asteca

Chamar a civilização encontrada no Vale do Grande Lago, na região conhecida por Meso-América, de "Império Asteca" é dar-lhes a verdadeira definição desta que foi uma potência administrativa-religiosa-cultural do Novo-Mundo, no momento da chegada do europeu à América.

O cenário político-religioso apresentado no Planalto Central, às margens do Grande Lago, segundo estudos feitos dos documentos, era constituído pelo domínio da cultura do "povo eleito do Sol".

Essa mesma região havia sido ocupada pelo povo tolteca; que habitou o Planalto Central desde a mais remota Antigüidade. Os toltecas adoravam deuses agrários da vegetação e da chuva, herdados de seus ancestrais do Período Clássico.
Quadro de desenvolvimento periódico das culturas Meso-Americanas:

Imperialista/ militarista Vale do México/ Confederação Asteca -1519
Construção das cidades Asteca -1450
Fase migratória dos Chichimecas Astecas
Toltecas
1200
Era Clássica Toltecas
Teotihuacan
500 D.C.
Formação das civilizações americanas Teotihuacan -0
antes de C.


Tenochtitlán fora fundada pelo povo asteca, oriundo das estepes Chichimecas, povos nômades caçadores e guerreiros: última das tribos a depararem-se com o universo cultural da região central mexicana.

Para os povos tribais, o universo místico define todos os acontecimentos naturais ou sociais. As relações de causa e efeito são geradas pela vontade divina. Sendo assim, o rei-sacerdote Quetzalcoatl, a Serpente de Plumas, deus da chuva, aquele que não aceitava sacrifícios humanos, sucumbe às forças de Tezcatlipoca, sendo expulso de Tula – o que vem a explicar o declínio econômico e social das grandes cidades na região da era clássica.

Nessa mesma época, ocorreram as migrações dos povos nômades das estepes, cujo deus era Uitzlopochtli, deus do Sol, deus supremo dos guerreiros.

Os povos sedentários, enfraquecidos em sua base religiosa, deixaram-se aculturar pelos ritos bárbaros. Dessa forma, verificamos a concomitância hierárquica de cultos religiosos. Tenochtitlán fora fundada neste quadro de dispersão religiosa, o que provocou sua ascensão política.

Não podemos esquecer que os povos astecas se originaram de comunidades guerreiras, de organização militar. Isso explica porque os povos meso-americanos submetem-se ao domínio asteca "a partir do sentido social das práticas de 'redistribuição' e 'reciprocidade', nas quais o Estado justificava a necessidade de sua existência e levava as comunidades a reconhecer a legitimidade do tributo devido". (FERREIRA, 1992, p.17)

Por "redistribuição" entenderemos como sendo o compromisso do Estado em suprir as comunidades impedidas de produzir bens durante períodos de calamidade ou guerras, redistribuindo o excedente econômico.

A "reciprocidade" será compreendida no sentido de equiparação, ou seja, as trocas disseminavam-se de forma igualitária. Essa ordem assentada garantia ao Estado e aos aldeões um sentimento de solidariedade, o que justificava o pagamento da tributação.

A influência da religião na vida cotidiana americana e a importância que o relacionamento com a fé é exercido cabem para justificar a queda de Montesuma. A invasão européia se deu num ano de ce-actl do calendário asteca, ou seja, último ano de uma série de 52, onde muitas superstições espalham-se pela população, o pavor se espalha, no ano ce-actl é possível que ocorra o final dos tempos – o que ameaça o imaginário asteca durante toda sua existência.

A mitologia asteca fazia crer às populações na herança oferecida por Uitzlopochtli, porém os seus seguidores sentiam-se permanentemente ameaçados por um universo inseguro e hostil.

Apesar de reconhecermos a glória de suas conquistas territoriais, a expansão militar asteca ainda estava em curso, quando Hernan Cortez chega à região em 1519, ano ce-actl.

Península Ibérica: o homem das caravelas

O homem da caravela é o homem Renascentista do fim do século XV, início de século XVI; a partir dele a Europa toma novo impulso nas artes e nas ciências.

Em especial, a Península Ibérica, a Espanha reconquista seu território expulsando os mouros e unindo-se à Igreja Católica por diversos tratados políticos, lança-se ao mar no objetivo de expansão militar e religiosa: "O desejo do rei de possuir terras e novos súditos, o desejo do papa de cristianizar povos gentios(...)". (SANTIAGO,1994, p. 465)

A coroa portuguesa aperfeiçoa as caravelas e os instrumentos de navegação, dando capacitação ao homem medieval para percorrer o mar, na busca de expansão comercial, patrocinada por uma classe social que surge agregada à nobreza, desejosa de favores que lhes garanta distinção.

O encontro

O encontro de duas nações que dominam cada uma os seus mundos dá-se neste panorama de grandeza e poder absoluto. De um lado Montesuma, de outro a Coroa e a Igreja Católica.

Neste momento a mitologia tribal explica a queda do Império Asteca. Havia sido rompida a comunhão do homem com seus deuses, através do controle militar e religioso do homem americano.

BIBLIOGRAFIA

FERREIRA, Jorge Luiz. Conquista e colonização da América Espanhola. Ática: São Paulo, 1992.
_________. Incas e Astecas culturas pré-colombianas. 3ª ed., São Paulo: Ática, 1995.
LEHMANN, Henri. As civilizações pré-colombianas. 2ª ed., São Paulo: Difel, 1979.
SANTIAGO, Silviano. "Navegar é preciso, viver". In: NOVAES, Adauto. Tempo e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 27ª ed., São Paulo: Ática, 1995.
SOUSTELLE, Jacques. A vida cotidiana das Astecas nas vésperas da conquista espanhola. 2ª ed., Lisboa: Livros do Brasil, s.d.
___________. A civilização Asteca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1987.
www.estacio/biblioteca

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