Universidade Estácio de Sá Entre no Campus Virtual

EDIÇÃO 14 1º de março de 2005
Editorial
Entrevistas
Crônicas
Ficção
Fórum de Debates
Pós-Graduação
Coluna de Música
Coluna de Cinema
Coluna de Teatro
Coluna de TV
Coluna de TV
Coluna de Inglês
Coluna de Alemão
Coluna de Português
Colina de Francês
Colina de Francês
Coluna de Italiano
Lançamentos
Resenhas
Sebos
Livrarias
Humor
Eventos
Publicações em Jornais e Revistas
Cartas do Leitor
Artigos de ex-alunos
Coluna Social
Horóscopo
Classificados
voltar página principal números anteriores
 

MITOLOGIA DO ZODÍACO - QUIRÃO - SAGITÁRIO

Adriano Andre Vilas Boas Siqueira
Professor de inglês e aluno do 5º período de Letras – Campus Rebouças

Quirão, o centauro, é filho de Cronos (Saturno, para os romanos), o deus do tempo e o mais jovem dos Titãs. Conta a narrativa que Cronos, para conquistar a oceânica Filira – sua mãe –, assumiu a forma de um cavalo para evitar as represálias da esposa Réia, o que veio a constituir a sua natureza híbrida: metade de seu corpo em forma de cavalo e a outra parte, homem.

Por ser filho de Cronos, Quirão pertencia à família divina de Zeus, sendo, pois, imortal. Quirão, conhecido como o mais justo dos centauros, habitava a gruta do monte Pélion, na Tessália, junto com sua mãe. Seu pai transmitiu-lhe conhecimentos de equitação, medicina, magia, a arte de adivinhar o futuro, astronomia e música, fundamentados na ética. Graças a esses conhecimentos, Quirão foi desenvolvendo virtude, inteligência e sabedoria – o que o diferenciava dos demais centauros, filhos de Ixião, que eram violentos e selvagens. Assim, Quirão era considerado o mestre da caça, da guerra e das artes.

Por causa de suas virtudes, foi incumbido da educação de vários príncipes e heróis, dentre os quais Aquiles, Céfalo, Esculápio, Teseu, os Dióscuros (Castor e Pólux), Ulisses e Jasão – todos eles treinados nos "ritos iniciáticos" do espírito para superar limites e suportar as dificuldades, preparando-se para enfrentar monstros e forças adversas. Aqueles que mais se destacavam tinham o direito de participar da pólis, tanto na esfera política, como também na vida social e religiosa.

Dentre os feitos de Quirão, foi ele que salvou Peleu de ser devorado pelas feras, quando Acasto o abandonou no monte Pélion, a pretexto de uma caçada. Não só o salvou, como lhe ensinou a convencer Tétis (filha de Nereu) a desposá-lo. Nessa ocasião, recebeu de Quirão uma lança e, de Netuno, dois cavalos imortais – Bálios e Xanto. Foi dessa união de Peleu com Tétis que nasceu Aquiles.

Embora dominasse muitos conhecimentos, foi na medicina que Quirão mais se destacou, cuidando dos doentes com zelo. Curiosamente, quando lutava com Hércules contra os Centauros, Quirão foi atingido por uma flecha envenenada do herói, que seria dirigida a Élato.

Ao se ver ferido, Quirão recolheu-se à gruta onde vivia, tentando curar a ferida com os seus conhecidos ungüentos, sem obter êxito. Sofrendo terríveis dores, Quirão desejou morrer, mas era imortal. Sendo assim, pediu a Plutão que o acolhesse no Inferno e, para que pudesse morrer, cedeu a imortalidade a Prometeu e, finalmente, pôde descansar.

Zeus, ao ver o gesto do centauro, colocou-o no Zodíaco, como a constelação de Sagitário, que simboliza o conhecimento capaz de elevar a natureza animal em espiritual – representado pelo vôo da flecha para o alto.

 

Ninfa, filha de Melisso, rei de Creta, Amaltéia recolheu Zeus quando Réia (ou Cibele, a Mãe dos Deuses) o poupou da voracidade de Cronos, que devorava os filhos à medida que nasciam, pois o oráculo havia predito que ele seria destronado por um de seus filhos. Nessa ocasião, Amaltéia teria alimentado Zeus com o leite da cabra Aix, no monte Ida. A cabra descendia do Sol e era tão horrenda que Gaia, a Terra, a pedido dos Titãs – que a temiam, a escondeu numa caverna, em Creta. Com a pele da cabra, depois de morta, Zeus fez uma armadura, a égide, que utilizou na luta contra os Titãs. Brincando com a cabra, Zeus arrancou-lhe um dos chifres e o entregou a Amaltéia, prometendo-lhe que o chifre sempre se encheria daquilo que ela quisesse.

Em outra versão, Amaltéia é a própria cabra que amamentou Zeus. Réia, para proteger o filho, teria se refugiado na ilha de Creta, dando à luz aquele que viria a ser o Pai dos Deuses, escondendo-o numa caverna da ilha, entregando-o aos cuidados das Ninfas. Para enganar Cronos, Réia enrolou uma pedra em lençóis, levando-a a Cronos, que a devorou, pensando tratar-se do filho. Assim, Zeus cresceu tendo como ama de leite a generosa cabra Amaltéia. O chifre teria sido quebrado pelo próprio Zeus, quando crescido, e entregue às Ninfas do monte Ida, como gratidão.

Réia entrega pedra a Cronos

 

Saturno devorando os filhos
quadro de Francisco Goya

 

Amaltéia é símbolo de generosidade. Conta a narrativa que, para proteger Zeus da fúria de Cronos, ela teria escondido a criança ao colocá-la suspensa em uma árvore, para que não fosse encontrada nem na terra, nem no céu. Além disso, teria chamado os Curetes (que educaram Dioniso), habitantes de Creta, para, com uivos e danças tumultuosas, impedir que Cronos de ouvisse o choro da criança.


Numa outra versão, Zeus, ainda criança e brincando com a cabra, sem querer quebrou-lhe o chifre. Assim, como compensação, prometeu-lhe que o chifre sempre se encheria de flores e frutos, dando origem à Cornucópia (corno da abundância). Quando Amaltéia morreu, Zeus a colocou no céu, como a constelação de Capricórnio, em gratidão aos cuidados recebidos. Entre os gregos, a cabra simbolizava o raio.




Cartas para a coluna:
aboas@terra.com.br