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EDIÇÃO 14 1º de março de 2005
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A NOVA ERA

Ana Paula Tibério Smolka
Ex-aluna de Letras – Campus Rebouças


É difícil nadar contra a maré de um mundo que proclama a liberdade e a democracia supostamente trazidas pelo tão esperado e afamado século XXI, mas que, sutilmente, dita o conservadorismo no que é produzido, escrito, ensinado. Como se a mudança de século pudesse banir a ignorância da humanidade...

Experimente fazer algo inovador ligado ao conhecimento e ao pensamento. Um jornal como este ou uma comunidade de bairro. Nem sempre o inovador é aceito, nem sempre pensar é bem visto. O simples fato de pensar por si próprio, sem seguir as idéias vigentes pode trazer uma onda de preconceitos e boicotes ao que se faz. Pensar pode ser perigoso para alguns e talvez por isso muitos de nós não tenhamos aprendido isso nas escolas que freqüentamos. A pessoa que nos ensina a pensar geralmente não é bem tolerada em nenhum meio e infelizmente não está em todos os lugares nem em todas as universidades.

Seguir seu próprio caminho, a seu modo, seja em algo complexo como na vida ou em algo simples como na maneira de escrever um texto nunca é fácil. Na vida você não pode decidir ser "apenas" dona de casa se quiser ser respeitada e admirada, ainda que tenha condições para isso. A mulher "moderna" deve trabalhar fora, ser bem sucedida e cuidar da casa e dos filhos sem se esquecer de estar sempre de unhas feitas, perfumada e malhada para o marido ou namorado. Também não deve jamais se esquecer de manter o bom humor – porque mulher de mau humor está na TPM – depois de um dia difícil mesmo sabendo que, segundo pesquisas, as mulheres ainda recebem menos que os homens pelo mesmo tipo de trabalho. Já nas letras, você não pode dar asas à criatividade inventando uma nova palavra para seu texto a menos que seja um escritor renomado.

Sempre há o conservador, ainda que disfarçado de modernidade, para ir contra o inovador. O medo das mudanças e das novas idéias pensadas por quem realmente aprendeu a pensar ainda impera. Pensadores são pessoas perigosas e o perigo deve sempre ser afastado. Estou certa de que muitos se lembram de algum professor fantástico que, apesar de nunca fazer a chamada, tinha sempre a sala lotada, e que por algum motivo obscuro e inexplicável deu aulas apenas em um período e depois desapareceu. Ou de um colega que era evitado e ridicularizado pelos alunos mais populares por ser considerado "diferente" e inadequado já que não seguia os padrões ditados por eles e seguidos por toda a escola.

Ainda existe um "quê" de Idade Média neste século XXI; mas isso certamente há de mudar. O que existe de certo é que as mudanças existem e, ainda que lentamente, se estabelecem. Talvez eu não viva o suficiente para aprender a pensar ou para inventar uma palavra para um de meus textos, mas espero que a história se repita e a Idade das Luzes venha algum dia nos libertar.

E-mails para a coluna:
paulasmolka@ig.com.br