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EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
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Orlando Silva: o cantor das multidões

Francisco Carlos Malta
Ator, formado em Letras, em 2004 - Campus Rebouças


A máxima de que "o show não pode parar" pegou o Rio de Janeiro pelo pé. Nos últimos anos, as produções de musicais multiplicaram e caíram no gosto popular. A produção genuinamente carioca tem sido centrada nos chamados "musicais biográficos", em que a história de astros e estrelas da música brasileira é encenada. Já tiveram sua vida levada aos palcos Elis Regina, Clara Nunes, Noel Rosa, Gonzaguinha, Isaurinha Garcia, Cartola, Elza Soares e, agora, Orlando Silva.

Baseado no livro homônimo de Jonas Vieira, o espetáculo ganhou direção de Antonio de Bonis, com texto dele em parceria com Fátima Valência. Para fugir da narrativa linear, Bonis optou pela metalinguagem para contar a vida do cantor. A trama gira em torno de um grupo de teatro que ensaia uma peça sobre Orlando Silva, apresentando ao público momentos marcantes da trajetória do aclamado artista, alternando momentos cômicos e dramáticos. ''Acreditamos que, assim, daremos mais agilidade ao espetáculo'', conta Tuca, que dá vida a Orlando Silva, e divide a cena com Inez Viana, Leandro Hassum e Marcelo Vianna, que se revezam em diferentes papéis.

Considerado um dos primeiros grandes ídolos populares do Brasil, Orlando Silva foi criado no Engenho de Dentro, subúrbio do Rio. Seu pai, violonista, chegou a tocar com Pixinguinha e morreu quando Orlando tinha apenas 3 anos. Graças às dificuldades financeiras da família, teve que largar os estudos ainda no primeiro grau para trabalhar como operário, carregador e trocador de ônibus. Foi no ônibus que começou a cantarolar e chamar a atenção por sua voz ímpar. Decidido a investir na voz, por algum tempo não conseguiu vaga nas rádios, por conta de não ter uma aparência típica de ídolo. Em 1934, foi apresentado a Francisco Alves, já consagrado, que lhe ofereceu espaço em seu programa na rádio. Logo se tornaria um fenômeno de público, recebendo dos fãs o epíteto "Cantor das Multidões", durante o ápice de sua carreira, entre 1935 e 1942. A partir de 1945, começou a ingerir drogas e a ter sua voz comprometida. Apesar de sua popularidade nunca mais ter sido a mesma até sua morte, no fim da década de 70, Orlando Silva é tido até hoje como uma das mais perfeitas vozes da música brasileira.

Há mais de três anos alimentando o sonho de montar um espetáculo em homenagem a Orlando Silva, o ator Tuca Andrada teve, entre tantos desafios, o de escolher 22 músicas de um repertório de cerca de 1.400 obras. ''A seleção foi difícil, mas acabamos optando pelas mais conhecidas. Queremos ver o público cantando também'', comenta o ator. Assim, quem for assistir ao musical Orlando Silva, o cantor das multidões, na Sala Baden Powell, terá a oportunidade de ouvir clássicos como "Lábios que eu beijei", "Nada além", "Rosa" e "Carinhoso". O melhor disso tudo é que o espectador não sairá decepcionado: Tuca tem uma excelente interpretação, acompanhado da maravilhosa Inês Viana.

Sérgio Bittencourt, no Última Hora, em 10 de agosto de 1978, opinou: "Quando Orlando Silva surgiu, havia duas 'escolas' populares: a de Francisco Alves, voz empostada, que competia com a de Sílvio Caldas, voz limitada, muita interpretação... até que Orlando Silva surgiu, conseguindo ser a síntese, com personalidade própria, de ambos". Orlando foi cantor e intérprete. O jornalista Moacyr Andrade, no Jornal do Brasil, em 12 de agosto de 1978 escreveu: "O alcance da voz que subia ou descia sempre maviosa e inesperadamente a escala de tons; o exemplar sentido de divisão; a pronúncia perfeita, a respiração impecável, a afinação inigualável, o timbre nada menos que amável... e o sentimento verdadeiro criativo".

Então é correr para conferir: afinal o brasileiro é um povo musical e extremamente ligado ao ídolo.

BIBLIOGRAFIA

VIEIRA, Jonas. Orlando Silva, o cantor das multidões. Rio de Janeiro, Funarte, 1985, p. 95.

http://mpbnet.com.br/musicos/orlando.silva/

E-mails para a coluna:
franciscomalta@hotmail.com