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EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
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A orquestra - Parte I

Mauro Dellal
Aluno do 7º período de Letras – Campus Méier
É produtor artístico da Orquestra Sinfônica Petrobras Pró Música

Muito aqui se tem falado em orquestra, nos mais diversos modos; porém, creio que, para muitas pessoas, ainda há uma aura de mistério sobre como funciona e o que é uma orquestra. Para começar, vamos defini-la: a orquestra sinfônica é um organismo formado por inúneros instrumentos, que se destina à execução de peças musicais sinfônicas, isto é, dedica-se à música, essencialmente acústica, composta para esse conjunto, com a finalidade de expor em diversos timbres, cores e extensões de notas a linguagem musical. Ora, é claro que se pode utilizar uma orquestra para diversos fins, mas o que foi descrito acima é sua primeira função.

Outra dúvida bastante comum entre as pessoas é diferença entre uma orquestra sinfônica e uma orquestra filarmônica. No que tange à formação e à finalidade, não existe nenhuma diferença. A orquestra sinfônica possui esse nome devido à sua capacidade de produzir a linguagem musical numa totalidade de matizes sonoros, capaz de potencializar estruturas musicais traduzidas em sons. Nesse aspecto, a uma filarmônica não difere em nada da sinfônica. No que se refere à estrutura administrativa, acontece a diferença. A filarmônica seria um conjunto orquestral mantido exclusivamente por meio de doações e contribuições regulares de admiradores. No Brasil, a rigor, não existem orquestras desse tipo, apesar de algumas possuirem esse nome. Na verdade, mesmo as grandes filarmônicas do mundo contam, hoje em dia, com o apoio tanto de entidades governamentais como o da iniciativa privada.

O nome orquestra origina-se da palavra grega orkhestra, que era o lugar onde os músicos se postavam nas apresentações artísticas na Grécia antiga. Com o tempo, o nome passou a designar o conjunto de músicos e, atualmente, sua significação se ampliou a ponto de designar qualquer conjunto de maiores proporções, mesmo que sejam constituídos de um só instrumento, como é o caso da orquestra brasileira de violões, orquestra de sapateado e até de casos inusitados como o de uma orquestra composta por instrumentos musicais feitos com verduras. Essa divertida orquestra se apresenta, e depois da performance é feita uma grande sopa com os vegetais.

Uma grande orquestra sinfônica, de padrão europeu, necessita de mais ou menos 110 músicos em média. É um organismo bastante complexo e caro, sendo por isso necessário o apoio não só dos governos, mas também de entidades independentes para que se a mantenha. Apesar dessas características, o mundo é recheado desses conjuntos. Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos existem cerca de 10 mil orquestras dos mais variados tipos e formações. O Brasil, país igualmente grandioso em extensão, não chega a ter nem 10 % desse número. Uma pena, já que não falta aos brasileiros talento (vide os grandes músicos nascidos aqui que fazem grande carreira internacional), nem qualidade.

No próximo número, ainda falaremos um pouco sobre a orquestra e seu futuro, e mostraremos um pouco dos instrumentos que a compõe. Ate lá!

E-mails para a coluna:
m.dellal@terra.com.br