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EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
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Os jogos olímpicos - as origens

Lise Bianchini
Aluna do 3º período de Letras – Campus Rebouças

Talvez o evento mais importante, em âmbito mundial, sejam os jogos olímpicos que, em 2004, retornam ao seu berço de origem: a Grécia. O evento, sempre marcado por ondas de patriotismo e de política, principalmente a partir do momento em que Hitler o associou ao nazismo e à afirmação da superioridade da raça ariana, nos jogos da Alemanha, nem sempre foi assim. Nossa coluna, neste número, brinda os leitores com um pouquinho da história primitiva dos jogos, pois a era moderna já é bem divulgada.

Sua história remonta ao ano de 776 a. C., segundo afirma a maioria das pesquisas históricas: "Em honra a Zeus, a Grécia se reunia a cada quatro anos no Peloponeso, na confluência dos rios Alfeu e Giadeo, onde se erguia a cidade de Olímpia, que a partir do ano 776 a.C. cedeu seu nome para aquela que viria a ser a maior competição esportiva em toda a história da humanidade, os jogos Olímpicos, mais tarde chamada de Olimpíadas. Teve como primeiro vencedor o atleta Coroebus, cingido por uma coroa trançada por folhas de louro, único prêmio e símbolo maior da vitória", segundo afirma a revista Brasil 2000 - Diário da Olimpíadas (1996).

Outro fato de que poucos têm conhecimento é que a origem da Olimpíada remonta ainda épocas mais ancestrais, podendo ter sido iniciada no século XII a. C, em torno de eventos religiosos, em homenagem a Zeus, no santuário a ele dedicado na cidade de Olímpia. Toma-se a data de 776 a.C como o início por ter sido neste ano que os nomes dos vencedores começaram a ser registrados.

O evento era muito importante para a cidade, a ponto de haver a suspensão das guerras, para que ele pudesse se realizar - bem diferente dos tempos modernos, em que a segunda guerra mundial interrompeu os jogos, durante os anos de 1936 a 1948. Várias lendas e mitos cercam os jogos. Algumas narrativas dão conta de que as festividades eram uma forma de os gregos agradarem os deuses que habitavam o Olimpo, sua morada. Outros relatos associam os jogos à figura de Hércules, filho de Zeus, que teria criado os jogos em homenagem ao pai. Segundo Homero, o seu criador foi Pélope, deus da fertilidade e avô de Hércules. Mas, na verdade, são lendas para tentar contar a origem desconhecida desta festividade. Durante os longos dez anos da guerra de Tróia, lutas individuais decidiam o rumo a ser tomado. A superação do homem e a capacidade de suportar a dor eram qualidades fundamentais.

Inicialmente os jogos constavam apenas de uma corrida, da qual participavam os "adoradores de Zeus". Deus do Olimpo, conhecido como "o fertilizador", casou-se com deusas, heroínas e humanas. Zeus reinou na terceira e última geração Divina, chamado olimpo de Zeus. Conta-se que Aquiles aumentou os jogos quando teria organizado jogos em honra de Pátroclo, herói de Tróia, onde já teriam surgido as corridas de quadriga, luta e lançamento de dardo. Algumas versões dão conta de uma certa barbárie seria permitida durante os jogos primitivos, tais como os duelos de morte, podendo o vencedor estrangular o perdedor, ou quebrar-lhe pernas e braços.

Dos jogos participavam apenas os homens: fala-se que seria pelo fato de os homens lutarem nus, razão para que as mulheres fossem impedidas. Na verdade, a razão é bem outra: por ser a cidade de Olímpia dedicada a Zeus, era área sagrada onde apenas a homens o acesso era permitido. Elas só poderiam comparecer às corridas de bigas, porque eram realizadas fora da área sagrada. Mas as feministas não fiquem irritadas: também havia festivais femininos, aos quais o acesso dos homens era vetado. O mais famoso deles era o Heraean (em homenagem à deusa Hera, esposa de Zeus), na cidade de Argos, que incluía inclusive a competição de lançamento de dardo. As mulheres só passaram a participar das dos Jogos Olímpicos em 1928 e só podiam tomar parte nas provas coletivas e em algumas modalidades.

Há 4500 anos, a ginástica olímpica era usada na educação dos Gregos. A palavra tem sua origem em gym-na-zein que significa treinar nu. Os Romanos usavam em seu treinamento militar, aparece também na Alemanha em1700 quando Frederick Janh lançou mão desse recurso para melhorar o condicionamento de seus alunos.

Dos jogos somente poderiam participar os cidadãos livres, que falassem o idioma grego. A natação era tida como uma vantagem, uma arma do homem. Sabe-se que os fenícios foram os primeiros bons nadadores. Por serem navegadores seus barcos deveriam ser, como de fato eram, dirigidos por homens que soubessem nadar. Platão dizia que o homem que não sabia nadar não era bem educado.

Com o tempo, as provas aumentaram em número (atletismo, luta, boxe, corrida de cavalo e pentatlo - incluindo luta, corrida, salto em distância, arremesso de dardo e de disco). Ao longo dos anos, os atletas se profissionalizaram (tal como nos tempos modernos) e, ao invés da coroa de louros, passaram a receber seus prêmios em dinheiro além de arrecadar um bom bocado com patrocínio.

Na medida em que os jogos foram crescendo, também foram perdendo o seu sentido religioso (de celebração de Zeus), tornando-se uma festividade pagã. Como tal, as festividades se iniciavam no dia 27 de julho (o 11º dia do mês de Hecatombéon do solstício de Verão), enquanto a participação também foi aumentando, atraindo muitos para a região do Peloponeso: o estádio olímpico tinha, na época, uma capacidade estimada em torno de 40 a 50 mil espectadores - o que é um público, sem dúvida, volumoso para a época. E havia todo um ritual de preparação dos atletas, que deveriam chegar à cidade com um mês de antecedência para receberem treinamento físico, moral e espiritual. Também naquela época já havia a presença dos juízes, para avaliar lutas e comportamento dos atletas.

A medida em que os jogos foram crescendo, novas modalidades foram sendo incluídas, tais como o salto em distância e o lançamento de discos - sendo bem famosa, inclusive, a imagem do discóbulo.

As origens do futebol são antigas. Na China, em 2600AC, o Sr Yang-Tsé inventa o Kemari, usando uma bola de seda recheada com os negros e lisos cabelos das chinesas.

No Japão o Tsu-Chu (golpe da bola com o pé) era praticado 25AC e é considerada a forma mais antiga de futebol. A bola era feita com a bexiga de animal, essa prática era tida como violenta e servia como preparação bélica. Há registros arqueológicos da pratica do futebol na Nova Guiné no período pré histórico. (afinal, quem inventou a bola?) Os gregos praticavam um jogo semelhante ao futebol o "Epyskiros" adaptado pelos romanos no tempo de Cezar foi rebatizado de " Harpastum".

Não menos importante é a narrativa da maratona, corrida hoje tida como símbolo dos jogos olímpicos e, talvez, uma de suas modalidades mais importantes. A maratona conta a história de um soldado que, incumbido da função de carteiro, teve de correr 42 quilômetros e 500 metros, para entregar a correspondência em Atenas, que dava conta da vitória de seu exército na batalha de Maratona, cidade da Ática. Ao entregar a carta, morreu e se tornou símbolo da tenacidade e da superação.

Com o declínio da Grécia e a ascensão do Império romano, isto é, quando a independência política dos estados gregos foi perdida, devido às invasões pelas legiões romanas, os jogos foram paulatinamente perdendo a sua importância. Nero, em lugar dos cidadãos livres, instituiu as lutas entre escravos e animais selvagens, cujo maior símbolo é o prédio do Coliseu. Mas foi Teodósio I, imperador romano convertido ao cristianismo, que em 393 d.C aboliu definitivamente os jogos, proibindo-os por serem uma festa pagã.

ALGUMAS CURIOSIDADES

A palavra "atleta" tem a sua origem na antiguidade grega, pois foi Atleu, rei de Élide, quem ofereceu uma coroa àquele dos seus filhos que se distinguisse nas corridas.

As competições duravam 5 dias, somente.

Como os gregos equiparavam o desenvolvimento do corpo humano ao crescimento de uma árvore, passou a ser atribuído simbolicamente um ramo de oliveira, como coroa olímpica, aos vencedores. Depois veio a coroa de louro.

Bem primitivamente, o prêmio dado ao vencedor era uma folha de palmeira.

Os jogos, para os gregos, não possuíam o sentido do "o importante é apenas competir": o fundamento, para eles, não era a competição, mas o adestramento militar e, conseqüentemente, físico.

Celebravam-se então os jogos de 8 em 8 anos, coincidindo com os anos solar e lunar.

A corrida foi o único esporte praticado nas primeiras 13 olimpíadas. A distância era de um "stadia", que correspondia aproximadamente a 85 metros. Depois foram acrescentadas corridas mais longas como o "diaulos" (365 metros) e o "dolichos" (24 "stadias" ou 2 km).

Quando os atletas viravam celebridades, era comum os vitoriosos receberem benefícios, tais como ter toda a sua alimentação paga pelo resto da vida, ou ter um lugar reservado na primeira fileira dos teatros: nada muito diferente do que ocorre hoje em dia.

Olímpia pouco tempo sobreviveu, tendo sido destruída após uma batalha entre Bizantinos e Bárbaros e mais tarde soterrada em areia e lodo, na seqüência de uma inundação. Só em 1824 o arqueólogo Lord Stanhope procederia às escavações que devolveriam Olímpia à luz do Sol.

Os jogos olímpicos renasceram no final do século XIX e o principal fator deste renascimento foram as escavações, em 1852, das ruínas do templo de Olímpia: a redescoberta da história das olimpíadas provocou um renascimento dos valores esportivos do gregos antigos, que acabaram seduzindo o francês Charles Louis de Feddy, mais conhecido como "barão de Coubertin".


Atenas, 1896 - Estádio

O lema olímpico é: "Citius, Altius, Fortius" ("o mais rápido, o mais alto, o mais forte").

Na bandeira Olímpica e sobre um fundo branco entrelaçam-se 5 anéis coloridos: azul, amarelo, preto, verde e vermelho. O azul é sempre colocado ao alto, à esquerda, e é o que fica mais próximo do mastro. Os anéis representam a união dos 5 continentes no ideal Olímpico: azul a Europa, amarelo a Ásia, negro a África, verde a Oceânia e vermelho a América.

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