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EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
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YERMA DO DESERTO

Kátia Pinheiro

DA OBRA DE FREDERICO GARCIA LORCA

ADAPTAÇÃO E ATUAÇÃO - KÁTIA PINHEIRO
DIREÇÃO - ALEX LACOY
DE 10 À 19 DE SETEMBRO (SEXTA À DOMINGO) - 21 HORAS
TEATRO I DO SESC TIJUCA
RUA BARÃO DE MESQUITA, 539
INGRESSO: 10,00
ESTUDANTES, IDOSOS E COMERCIÁRIOS PAGAM 5,00

SINOPSE DA PEÇA

Yerma que quer dizer árida, pouco fértil e desértica. A peça trata da história de uma mulher que não conseguia se engravidar. Este fato atinge seu casamento e, sua vida aos poucos vai se tornando insuportável. Ela busca incessantemente sentir-se grávida, busca sentir vida no seu ventre, em seu seio. A grande reviravolta na cabeça dela se dá, quando uma velha, moradora do bairro "abre seus olhos" cogitando a possibilidade de João, seu marido, ser o estéril. O adultério poderia solucionar o empasse, mas a moral da época e da personagem a impediam de consumá-lo. Ponto culminante da tragédia, Yerma agora parte para a vingança contra esse homem opressor e machista. Para tal, ela comete um ato extremista.
Yerma é uma peça de questionamento social e ,a grosso modo, fala da necessidade do ser humano, seja ele mulher ou não, de ser mãe de alguém.

CONCEPÇÃO DO ESPETÁCULO

Optou-se por uma direção surrealista com elementos simbolistas. Buscou-se essa direção para mostrar o interior conturbado da personagem protagonista contrastando com o universo infantil que ela tanto venera viver. A obsessão de engravidar e ter um filho foi explorada no sentido de valorizar a tragédia de Lorca, sem Ter o compromisso com a temporalidade e sim com o universo interior de Yerma.

A interpretação caminha junto com a linha de direção escolhida, ou seja, a interpretação é anti-realista.

O palco escolhido é o Italiano sem a quebra da Quarta parede. O cenário atende à proposta simbolista onde os objetos vão compondo as cenas como fortalecimento da linguagem. Basicamente, um varal com fraldas se ergue durante quase todo o espetáculo como a grande bandeira da personagem em seu lamento pela natividade, além de outros objetos que remetem ao tema criança: um cercado, vários sapatinhos e bonecas.

A iluminação intervém às mudanças de humor da personagem Yerma, indo do onírico ao àrido. O espetáculo explora várias tonalidades de cores, predominando o âmbar.

Nesta montagem, a direção suprimiu a história para valorizar a obsessão e assim aboliu as personagens para centrar-se no drama da personagem título. Tudo no espetáculo Yerma se comunica. Tudo em Yerma, a personagem, é um grande grito contra à impossibilidade.

PROPOSTA DE MONTAGEM

O resultado desse monólogo é algo surpreendente. Um exercício de teatro total. A atriz Kátia Pinheiro apresenta ao público uma nova Yerma: uma mulher que mantém seus valores morais datados, porém, com sentimentos revisitados, expondo toda a violência de emoções e com as marcas e dores que a mulher contemporânea convive. A peça respira vida ou avidez por ela. À todo instante a vitalidade da atriz contribui na construção de uma personagem multifacetada. Nos seus 50 minutos de espetáculo, podemos ver a grandeza de Garcia Lorca aliada à uma leitura inusitada e cheia de símbolos. Yerma nesta montagem migra de sua aldeia pra uma visão universal.

UM POUCO DA ATRIZ

"Palavra. Paixão maior. Vivo da palavra, por ela fui formada e a ela me dou." Assim, Kátia Pinheiro define seus três amores profissionais: o Teatro, a Fonoaudiologia e a Literatura. O ator tem como ferramenta mestra, a palavra. Pela palavra, eu me expresso, me desvendo, me revelo (Teatro), por isso, é necessário que a gama de músculos responsáveis pela produção do meu som, da minha voz, estejam em perfeita harmonia (Fonoaudiologia). O texto é o que me nutre. A impressão que ele me causa, é o que faz com que eu me lance na vida, me faz pensar em quem eu sou e o que posso ser( Literatura).

"Não consigo dissociar-me desse Trinômio. Ele, sou eu mesma."

Assim, Kátia Pinheiro justifica suas escolhas e formação:

Formada em Fonoaudiologia, atua há 10 anos como Fonoaudióloga Clínica, especialmente com pessoas portadoras de distúrbios da Voz.

Apaixonada pelo palco, Kátia cursou Escola de Teatro e seus principais trabalhos em Teatro foram: Édipo Rei, de Sófocles, Zona de Meretrício, de Brecht e Jorge Dandino, de Moliére.
No cinema, Kátia protagonizou o Curta-metragem Gotamarga, produção conjunta com estudantes de cinema da Universidade Estácio de Sá, que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz e melhor roteiro, no VI Festicurtas, em Brasília. A Literatura deixa de ser sonho e a necessidade de continuar escrevendo, roteirizando o que brota n'alma impulsionaram Kátia a mergulhar no mundo Fascinante de Letras, faculdade essa que cursa atualmente.

"Acho que meu ofício é trazer à tona as palavras que se perderam, que foram esquecidas, que estão de uma certa forma presas dentro de nós mesmos. Quero me tornar condutora dessa realidade para que nossos gritos possam ecoar e impregnar todas as paredes que nos cercam".

FICHA TÉCNICA

Texto - Frederico Garcia Lorca
Adaptação e Atuação- Kátia Pinheiro
Encenação, Trilha Sonora, Figurinos e Cenário - Alex Lacoy
Assistente de direção, Fotos e Programação Visual - Arthur Amiune
Cenotécnico - Ricardo Firmino
Contra-regra - Neylthon Figueiredo
Realização - Dom de Deus Produções Artísticas

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