Universidade Estácio de Sá Entre no Campus Virtual

EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
Editorial
Entrevistas
Crônicas
Ficção
Fórum de Debates
Pós-Graduação
Coluna de Música
Coluna de Cinema
Coluna de Teatro
Coluna de TV
Coluna de Inglês
Coluna de Alemão
Coluna de Português
Colina de Francês
Colina de Francês
Coluna de Italiano
Lançamentos
Resenhas
Sebos
Livrarias
Humor
Eventos
Publicações em Jornais e Revistas
Cartas do Leitor
Artigos de ex-alunos
Coluna Social
Horóscopo
Classificados
voltar página principal números anteriores
 

Amor

Tito Rodrigues
Aluno do 6º período de Letras – Campus Méier

Há algo engraçado no amor. Pense em como ninguém nunca conseguiu defini-lo. Dizem muito sobre ele e alguns o fazem de maneira soberba, com versos lindos, de métrica perfeita, plenos de ritmo, alguns com sonoridade heróica, magníficos de fato; mas definição que é bom... nada! Mais engraçado, ainda, é que quem melhor o diz provavelmente nunca o sentiu de verdade: faz conjecturas, imagina coisas bonitas, pelas quais vale a pena sofrer... e como sofrem! Muitas vezes até com feridas que doem, mas não sentem. Sofrimento antecipado e não há como entender; sofre-se antes, durante e depois desses amores imaginados, ou, até mesmo, idealizados. A impressão que fica é que o amor mata a quem dele vive; glorifica e engrandece, mas pelo martírio, não pela felicidade. As pessoas geralmente o associam a coisas tristes ou sérias, deixando as alegres e divertidas para a paixão ou o sexo.

O que me causa muita estranheza é o fato de o amor, dito como puro, sofrido e sincero, ter como regulador o sexo, dito como impuro, prazeroso e carnal, e que é a essência desse amor sobre o qual estamos falando, pois, sem este, aquele seria o mesmo que o amor entre irmãos, ou pais e filhos. Amor e sexo são coisas independentes e bem diferentes, mas um não sobrevive sem o outro quando se refere às mesmas duas pessoas; o amor não dura para sempre sem o sexo: no máximo vira outro tipo de amor, fraternal, paternal ou maternal, mas nunca o mesmo. E o sexo, sem amor, é aventura, sobrevive do tesão e, sem sentimento, invariavelmente acaba, embora muitas vezes – para não dizer quase sempre – deixe lembranças e histórias para o resto da vida.

Posso falar sobre ele de forma bonita. O amor é árvore que dá fruto e seiva ao sentimento, raiz que ramifica em dores e lamentos, e ora se transfigura em rosas, em botões, ora deixando em fogo, em brasa, os corações. Não é original: é um excerto de um poema que li num caderno de poesias da minha avó. É lindo, mas não é uma definição. São metáforas maravilhosas que falam sobre o amor, mas não o definem, não nos dão compreensão.

Quis compreender o amor, quis amar um dia. Amei, ainda amo. Sinto, como sinto. Milhares de sentimentos oriundos deste amor: felicidade, sofrimento, ciúme, desejo, entre tantos outros. Não há nada igual, mas, ainda assim, não o compreendo; pelo menos não de todo.

Minha experiência deu-me a capacidade de perceber algumas características, como a covardia. Pergunte a qualquer pessoa que ame se ela prefere morrer antes ou depois da pessoa amada; a resposta quase sempre será: antes. Ninguém quer sofrer a perda da pessoa amada; na verdade, prefere ir antes, mesmo sabendo que a pessoa que ficou vai sofrer tanto quanto ela sofreria. É ou não é covardia? Sim! O amor é covarde, mas também é corajoso: faz você tomar atitudes impensáveis em nome dele, até mesmo a de se oferecer à morte. Olha a antítese aí de novo.

O amor é incompreensível, posto que é antítese, metáfora e tantas outras figuras, unidas numa miscelânea sem forma ou fórmula exata. Ainda assim, é mola mestra. Não tem definição, mas é exatamente aquilo que nos define.

Endereço para correspondência:
titorj@uol.com.br