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EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
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Saudade-postal

Victor Alcântara da Silva
Aluno do 4º período de Letras – Campus Méier
Auxiliar administrativo

Vejo uma saudade-postal,
Pendurada
Alcanço uma data remota,
Esquecida
Toco uma vaga lembrança,
Remoço
Sinto renovo de fome
Antiga
Quero pescar novidade
No rio
Que corre luzindo, parado,
Na foto
Do outro lado, quem sabe,
Atino
Dobrão de ouro no ventre
Do peixe
Salto de pernas secas
O rio
Encurto uma história longa
De vida
Flashes de cinema-mudo,
O átimo
Ligam cidades que em mim
Habitam
Uma de pedra e bodoque,
A primeira
Foi-se, mirando matar
Passarinho
Outra, faísca de lâmina
Ríspida
Veio matar-me a inocência
Etérea
Vagueio no rio que passa,
A lembrança
Estanco no rio que fica,
O retrato
Sigo fincando o instante
Colhido
Que em remoinho me inunda
A cabeça
E o rio é de rotina
E vaga
Decantado encanto
Da vida
Vaga após vaga,
É o rio
Desembocado,
O mesmo
Depois salgado,
É o rio
Evaporado,
Levita
Acumulado,
É o rio
Depois chorado,
Desaba
Absorvido,
É o rio
Enraizado,
Perscruta ventre rompendo,
É o rio
À flor da terra,
Brotado
Língua sedenta,
É o rio
Água espalhada,
De prisma
Pinta a criança,
É o rio
De arco-íris,
Orvalha
Febre acalmada,
O menino
Mira em mim
Seu bodoque
Prestes, desiste
Do tiro
Desembainha
Um sorriso
Diz que o mundo
É pequeno
Qual Napoleão
Soerguido
Desdenha e bifurca
O caminho
Iça suas velas
E vai-se
Pois navegar
Outros mares
Que não costeiem
Por Elba
Que na decantem
Delírios
E Waterloo
Não exista.

Endereço para correspondência:
victor.alcantara@ig.com.br