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EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
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Aromática aplicada - Resenha crítica

Isabela Zabaleta Mariano da Fonseca
Aluna do 5º período de Letras (Português/Inglês) – Campus Rebouças

BERWICK, Ann. "Aromática Aplicada".
In:---. Aromaterapia holística. Tradução: Terezinha Ferreira Soares. Rio de Janeiro: Record, 1996.

Saber aplicar os óleos essenciais adequadamente é tão importante como conhecer suas propriedades aromoterápicas. O domínio dos métodos de aplicação envolve questões como a diluição correta do óleo, o conhecimento das contra-inidicações e das vias de atuação do mesmo. Dependendo do objetivo a ser atingido, um mesmo óleo essencial deve ser aplicado segundo uma técnica diferente.

O banho é uma das técnicas de aplicação mais comuns e eficientes. A atuação do óleo pode se dar tanto por penetração na pele, quanto por inalação dos vapores. Essa via é de extrema importância visto que permite a entrada do óleo na corrente sangüínea através dos pulmões. Além disso, essa técnica tem facilitado a abordagem daqueles pacientes mais relutantes quanto ao tratamento ou que não queiram ser massageados. Ao aplicá-la, além de se levar em consideração a diluição dos óleos, que, se aplicados diretamente sobre a pele podem causar sérias queimaduras, deve-se também considerar a temperatura da água e o melhor horário para a realização do tratamento. Vale ressaltar que o termo "banho", neste contexto, abrange banhos completos, banhos de assento, escalda-pés e banhos de mãos. Os dois últimos são tidos como os mais eficazes, uma vez que nos pés e nas mãos localizam-se, segundo a reflexologia, áreas reflexivas que se ligam ao corpo inteiro.

A massagem é o método de aplicação dos óleos essenciais em aromaterapia holística. Nessa técnica, os óleos penetram na pele e são absorvidos pela corrente sangüínea e pelo sistema linfático.

Os óleos essenciais devem ser diluídos para uma concentração entre 1 ½ e 3% em óleo base e deve-se evitar as técnicas de percussão da massagem sueca ou o trabalho em profundidade no tecido que são muito intensas.

A escolha do óleo base para diluição deve ser feita observando o tipo de pele do paciente e o local do corpo em que a mistura será aplicada. Em qualquer situação, no entanto, deve-se optar por óleos vegetais como o de amêndoa, o de abacate ou o de semente de uva. O uso da lanolina deve ser evitado pois esta protege a pele, dificultando a penetração dos óleos essenciais. Já os óleos minerais, por serem oriundos do petróleo, podem causar a desidratação da pele sendo seu uso, por esta razão, também desaconselhável.

Outra técnica bastante utilizada é a inalação, que pode ser a vapor ou a seco. No primeiro caso, adiciona-se algumas gotas de óleo essencial a uma tigela com água quente, cobre-se a cabeça com uma toalha sobre os vapores que emanam da tigela, e inala-se os mesmos por cerca de 10 minutos. O segundo método, a seco, é mais indicado para pessoas asmáticas e tem a vantagem de poder ser aplicado em qualquer lugar ou situação, basta pingar uma gota do óleo previamente diluído na palma da mão, esfregar vivamente as mãos para aquecê-las e depois por as mãos em concha sobre a face.

Quando o tratamento é dirigido a uma área específica do corpo, uma compressa pode ser a melhor escolha. Dependendo da situação, a compressa pode ser quente, o mais possível, ou fria, com cubos de gelo. Sua preparação é feita através da adição de 6 gotas do óleo essencial escolhido acerca de ½ litro de água. Uma infusão herbácea da mesma planta pode ser usada em lugar da água a fim de aumentar a eficácia.

O uso interno dos óleos essenciais é uma questão bastante polêmica entre os aromaterapeutas. Como os óleos essenciais são substâncias altamente concentradas e muito ativas, várias entidades oficiais como a Federação Internacional de Aromaterapeutas e a Sociedade Internacional do Aromaterapeuta Profissional, ambas na Inglaterra, têm se posicionado contra a ingestão dos mesmos. No entanto, alguns países, como a França, permitem essa prática desde que sob a supervisão de um médico.

A utilização de difusores e queimadores (fumigação) foi, provavelmente, o primeiro método de aplicação dos materiais aromáticos. Sabe-se que, há milhares de anos, algumas cerimônias religiosas faziam uso dessa técnica e que, durante a peste negra (século XIV) a fumigação foi empregada em larga escala para purificar o ar.

O uso de difusores e queimadores visa atingir o ambiente como um todo, renovando o ar sem aplicação de produtos químicos e transformando, com rapidez, a atmosfera do ambiente.

Todas essas técnicas de aplicação podem ser combinadas umas com as outras possibilitando um enorme número de tratamentos individuais. A empolgação advinda desse universo versátil não pode, contudo, negligenciar a observação das contra-indicações. Por mais maravilhosos que sejam, os óleos essenciais podem ser nocivos e seu uso, em pessoas de determinados grupos (pessoas epiléticas, grávidas e hipertensas), pode colocá-las em risco.

Pessoas que sofram de epilepsia, por exemplo, não podem ser tratadas com hissopo, funcho-doce, salva e absinto, pois estes podem desencadear um ataque. As grávidas devem evitar manjericão, esclaréia, hissopo e junípero que podem provocar o aborto ou prejudicar o feto, sendo que o poejo é terminantemente proibido por ser um notório abortivo. Já os hipertensos, não devem fazer uso de alecrim, salva e tomilho-vermelho que elevam a pressão arterial. A aplicação da aromaterapia em crianças, adultos idosos ou frágeis exige diluições muito fracas (1/2 a 1%).

Afora esstes grupos especiais, alguns outros aspectos devem ser levantados com relação ao uso dos óleos essenciais por qualquer tipo de pessoa. Alguns óleos irritam a pele (manjericão, limão, melissa), outros causam fotossensibilização, aumentando a sensibilidade da pele à luz ultravioleta (angélica, bergamota, limão), outros mais são tóxicos e não devem ser usados em aromaterapia sob nenhuma circunstância (casca-de-canela, cravo-da-índia, poejo).

Os óleos essenciais são substâncias altamente concentradas que devem ser manipuladas com muita responsabilidade. Não se deve usar um mesmo óleo por mais de três semanas, se necessário, deve haver uma semana de intervalo entre uma nova aplicação a fim de aumentar a eficácia do tratamento. O uso cuidadoso dessas substâncias é imperativo, optando-se sempre por um excesso de zelo e nunca pelo contrário.

Endereço para correspondência:
izhenning@ig.com.br