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EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
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Mitologia do Zodíaco - Câncer

Adriano Andre Vilas Boas Siqueira
Professor de inglês e aluno do 5º período de Letras – Campus Rebouças

O signo de Câncer é representado pela figura do caranguejo e a maioria desconhece a sua relação mitológica. Mas a história tem relação com Hércules, famoso pelos doze trabalhos.

Segundo a mitologia, Hércules seria filho de Zeus e Alcmena. Hera, enciumada, tentou impedir seu nascimento, mas graças a uma estratégia de Galintia1, a criança nasceu, depois de Euristeu, ficando a ele submetido. Aos oito anos, já demonstrando uma prodigiosa força, esmagou duas serpentes, enviadas por Hera para eliminá-lo. Aos dezoito anos, foi enfrentar o leão da Neméia: e aqui nossa história começa.

A Neméia era uma região da Argólida, onde Hércules cumpre um de seus trabalhos – justamente o de matar o leão que devorava os habitantes e os rebanhos do país. O animal, filho de Ortro e Equidna, era invulnerável e ainda habitava uma caverna com duas saídas. O herói tentou flechá-lo, sem sucesso. Então, o herói fechou uma das aberturas da caverna e, ameaçando o animal, conseguiu encurralá-lo. A seguir, agarrou e estrangulou-o. Utilizou, então, as próprias garras da fera para esfolá-lo e vestiu a sua pele; ainda aproveitou-se da cabeça para fazer um capacete.

Depois de matar o leão de Neméia, o herói teria de exterminar a Hidra de Lerna, uma serpente de nove cabeças, que aterrorizava a região de Argos (também a Argólida). Filha de Tifão e Equidna, a hidra possuía um hálito venenoso, que matava todos aqueles que dela se aproximassem. As cabeças, humanas, tinham a capacidade de renascer, se cortadas. Além disso, a cabeça do centro era imortal.

Para matar o monstro, Hércules foi em direção ao pântano de Amione, onde o monstro habitava, em companhia do seu sobrinho Iolaus, pedindo-lhe que ateasse fogo na floresta vizinha. Com flechas em chamas, ele começou a cortar as cabeças: a cada uma que era cortada, queimava as feridas com as árvores em chamas, impedindo os tecidos de se reconstituírem. A fim de acabar com a cabeça imortal, Hércules cortou-a e enterrou-a sob um enorme rochedo. Com o sangue da hidra, Hércules envenenou suas flechas, tornando-as infalivelmente mortíferas.

Ao ver que Hércules estava ganhando a batalha contra a hidra, Hera, a ciumenta esposa de Zeus, envia um caranguejo para distrair a atenção do herói e, se possível, prejudicá-lo na luta, mordendo seu pé. Hércules, sem hesitar, pisou e esmigalhou o caranguejo em mil partes. Terminada a batalha, Juno recolheu as migalhas do caranguejo e reuniu-as na constelação de Câncer, que simboliza a defesa da família.

Sobre os outros trabalhos... bem, isso é outra história!

A LUA - SELENE

O signo de Câncer é regido pela Lua que, para os gregos, era Selene – filha de Hipérion e Teia, do titã Palas ou de Hélio (o Sol), segundo diferentes versões. Uniu-se a Zeus e teve uma fiha, Pândia. Na Arcádia foi amante de Pã, que a presenteou com um rebanho de bois brancos. Divindade secundária, os gregos costumavam representá-la como uma bela jovem que percorria o céu em um carro de prata, puxado por dois cavalos.

Câncer é um signo da água, que é o elemento de onde brota a vida, e é regido pela Lua, cujos ciclos se manifestam em vários aspectos que correspondem, na mitologia, às divindades gregas Ártemis, Selene e Hécate. Ártemis é irmã gêmea de Apolo e representa o aspecto lunar ligado à natureza, à vida livre e independente. Selene representa a face brilhante da lua, ao alternar-se com Hélio, o Sol, que de dia cortava os céus em seu carro de ouro. Hécate é considerada a mais misteriosa e atua diretamente no inconsciente.


Selene e Endymion
(tela de Nicolas Poussin - 1630)

NOTAS

1 Por ordem de Hera, Ilítia e as Parcas postaram-se à porta de Alcmena, com pernas e braços cruzados, impedindo o nasmento do herói. Galintia correu até as deusas, anunciando que, apesar de seus artifícios, a criança havia nascido graças a Zeus. Acreditando que seus poderes haviam fracassado, as divindades abandonaram a posição e Alcmena pôde dar à luz. Como vingança, Galintia foi transformada em doninha e obrigada a dar à luz pela boca. Como reconhecimento, Hércules ergueu-lhe um templo.


Cartas para a coluna:
aboas@terra.com.br