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EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
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Câncer - Franz Kafka

Adriano Andre Vilas Boas Siqueira
Professor de inglês e aluno do 5º período de Letras - Campus Rebouças

Período:
22 de junho - 23 de julho

Regente:
Lua
Simboliza o emocional, a mãe, a mulher. É usado para representar a prata.

Elemento:
Ar
Energia alta, rápida e grande talento para estabelecer conexões. A mente é seu principal elemento. Adaptam-se com facilidade e são curiosos. Idealizam as coisas imateriais. Possuem uma maneira impulsiva de agir, sentimentos artísticos, preferência pelas mudanças objetivas e tendem à distração.

Modo:
Cardeal

No corpo:
estômago, baço, pâncreas, seios, baço, aparelho digestivo, peito, axilas, útero

Significado:
A água das nascentes. Emotividade e inconstância. Busca por segurança afetiva e proximidade. Sonho e fantasia. Espírito protetor. O mundo da família e da memória.

Palavras-chave:
sensibilidade, emoção, percepção, lar, maternidade, medo

Símbolo:
Mostra o dualismo de Câncer, na horizontal. Também conhecido como caranguejo, está associaso ao verão, quando o crustáceo aparece no Hemisfério Norte

FRANZ KAFKA

"Há esperanças, só não para nós"
Franz Kafka

Nesta décima segunda edição, estamos encerrando uma volta completa pela mandala astrológica, com o signo de Câncer, uma vez que estamos caminhando, no próximo mês, para edição de um ano de vida do nosso jornal, que nasceu leonino.

Canceriano nasceu Franz Kafka (1883-1924) em comunidade judaica em Praga e é considerado um dos mais importantes escritores da literatura moderna. Sabendo que a Lua confere aos nascidos em Câncer imaginação poderosa e uma receptividade que auxilia a captar as pessoas e assimilar situações e impressões, não fica difícil justificar sua maneira como escrevia.

Cancerianos são imaginativos, mórbidos, tristes e fáceis de se magoar. No hemisfério norte, Câncer é a estação das frutas e, como disse a astróloga Ana Maria C. Ribeiro, "os frutos precisam da árvore": no caso seria uma forte ligação com a família. Sabe-se que Kafka teve um pai muito severo, o que, para muitos, explicaria sua posição anti-autoritária. Sabe-se, também, que Metamorfose foi escrita em seu quarto, que era passagem para o de seus pais.

A família e sua ligação com ela foram agentes que o influenciaram muito. Infelicidades no amor, com noivados o afetaram muito, assim como sua insatisfação com emprego. Tudo isto acentuou "o sentimento de solidão e desamparo", que nunca o abandonaria e que ele próprio manifestou nos fragmentos editados em 1909, sob o título "Beschreibung eines Kampfes" (Descrição de uma luta) e publicado na íntegra em 1936. Nessa inquietante e perturbadora narração, que passou quase despercebida, o mundo dos sonhos, tema constante na produção do autor, adquiria uma desconcertante e persistente lógica no mundo da realidade". (Encyclopaedia Britannica)

Apesar da competência profissional e da consideração que lhe dispensavam os colegas de trabalho, Kafka sempre se sentiu insatisfeito, pois o emprego o impedia de dedicar-se totalmente à atividade literária. Também a vida emocional foi conturbada, com noivados e amores infelizes.

No site "http://zonanon.org/non/abc/kafka.html", encontramos as seguintes observações sobre Franz Kafka: "Participou, nomeadamente, em muitas reuniões do Clube da Juventude, uma organização anarquista, antimilitarista e anticlerical, muito ativa por volta dos anos 1911-1912, e esteve presente também em manifestações de rua contra a execução do professor libertário espanhol Francisco Ferrer.

O interesse do episódio anarquista na biografia de Kafka tem a ver com o fato de ele nos ajudar bastante a entender a sua obra, em particular no que diz respeito aos escritos posteriores a 1912. O encanto dessa obra provém também, por outro lado, do seu caráter eminentemente polissêmico, irredutível a qualquer tipo de explicação unívoca. O ethos libertário exprime-se aí em diferentes situações, que se podem encontrar no coração dos seus mais importantes textos literários, mas, acima de tudo, no modo radicalmente crítico como representa o rosto opressivo e angustiante da não-liberdade: a autoridade.

Um anti-autoritarismo de inspiração libertária atravessa, pois, o conjunto da obra romanesca de Kafka, expresso através de um movimento de "despersonalização" e de crescente reificação: da autoridade paterna e pessoal até à autoridade administrativa e anônima. Não se trata, porém, de uma qualquer doutrina política, mas sim da afirmação de um estado de espírito de protesto e de uma sensibilidade crítica cuja arma principal é a ironia.

Esse aspecto foi muito bem compreendido por Orson Welles, no célebre filme de 1962, inspirado em O Processo, o qual, não sendo sempre fiel ao texto original, exprimiu de uma forma esmagadora o espírito dessa obra de Kafka, transpondo-a para um décor moderno, monstruosamente frio e impessoal. Não é, entretanto, por acaso que a palavra "kafkiano" entrou na linguagem corrente; ela designa um aspecto da realidade social que a sociologia ou a ciência política tendem a ignorar, mas que a sensibilidade libertária e afeita ao protesto, de Kafka, foi maravilhosamente capaz de captar: a natureza opressiva e absurda do pesadelo burocrático, a opacidade, o caráter impenetrável e incompreensível das regras da hierarquia estatal, tal como elas são vistas a partir de baixo e do exterior pelas pessoas comuns.

Essa atitude possui raízes íntimas e pessoais na sua relação com o pai. A autoridade despótica do pater familias é, para o escritor, o próprio arquétipo da tirania política. Na sua Carta ao meu pai (1919), Kafka recorda: "Tu adquires aos meus olhos o caráter enigmático que possuem os tiranos, cuja autoridade se não funda na reflexão, mas sim na sua própria pessoa". Confronta o tratamento brutal, injusto e arbitrário dos empregados, pela parte do pai, sentindo-se solidário com as vítimas deste: "Tal situação tornou-me insuportável o armazém, o qual me lembrava demasiado a minha dependência em relação a si... Eis porque motivo eu me sentia sempre do lado dos empregados..."

Kafka permanece como um dos fundadores, na companhia de Proust e de Joyce, do modernismo literário, em ruptura com a tradição romanesca anterior. Mas não foi menos, pela perfeição do seu estilo, pela sua escrita poética – que, estranhamente, associa o fantástico a um máximo de precisão realista – e ainda pela estrutura enigmática dos seus romances inacabados, um autor perfeitamente único, singular e completamente inclassificável. Mestre da literatura do absurdo, as suas obras mostram um mundo em desencanto e dor, de desesperança e da alienação do homem moderno.

CITAÇÕES

• "Aquele que não perde a capacidade de enxergar o belo nunca envelhece."

• "Você é livre, por isso você está perdido."

• "A impaciência é o único pecado, pois funciona como causador de todos os outros."

• "A literatura é sempre uma expedição à verdade."

• "Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós mesmos."

Ilustrações de Kafka

BIBLIOGRAFIA

OBRAS:
As obras mais famosas de Kafka foram escritas entre 1913 e 1921, são elas: A metamorfose, O processo, O castelo, O foguista (que é na verdade o primeiro capítulo de América), A sentença e O artista da fome.

Meditação (Betrachtung, 1913)
América (Amerika, 1912, 1927)
A metamorfose (Die Verwandlung, 1915)
A sentença (Das Urteil, 1916)
Na colônia penal (In der Strafkolonie, 1919)
Um médico rural (Ein Landarzt, 1919 - coletânea de contos)
Carta a meu pai (Brief an den Vater, 1919)
O castelo (Das schloss, 1922, 1926)
O processo (Der prozess, 1914, 1925)
O artista da fome (Ein Hungerkünstler, 1924)
A Grande Muralha da China (Beim Bau der Chinesischen Mauer, 1931)

Uma rica lista de sua bibliografia em português pode ser encontrada no site português: http://kafka.no.sapo.pt/


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