Universidade Estácio de Sá Entre no Campus Virtual

EDIÇÃO 12 10 de setembro de 2004
Editorial
Entrevistas
Crônicas
Ficção
Fórum de Debates
Pós-Graduação
Coluna de Música
Coluna de Cinema
Coluna de Teatro
Coluna de TV
Coluna de Inglês
Coluna de Alemão
Coluna de Português
Colina de Francês
Colina de Francês
Coluna de Italiano
Lançamentos
Resenhas
Sebos
Livrarias
Humor
Eventos
Publicações em Jornais e Revistas
Cartas do Leitor
Artigos de ex-alunos
Coluna Social
Horóscopo
Classificados
voltar página principal números anteriores
 

A arte do olhar de Cartier-Bresson

Maria Amelia Ferreira dos Santos
Jornalista e aluna do 6º período de Letras – Campus Rebouças

Morreu dia 3 de agosto, aos 95 anos, o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson, um dos mais importantes artistas do século XX.

Cartier-Bresson foi o criador de um estilo seguido por muitos outros fotógrafos, onde dominava magistralmente a harmonização dos contrários: a exuberância da vida e a geometria contida.

Foi enorme sua influência, até mesmo junto aos fotógrafos amadores, uma vez que um trabalho fotográfico bem sucedido era um Cartier-Bresson. De sua criação, juntamente com Robert Capa, Chim Seymour , George Rodger e William Vandivert, a prestigiosa agência Magnum, uma cooperativa para fazer frente às pressões das grandes revistas em 1947.

O fotógrafo deixou-se deambular pelo mundo de seu século, e, com olhar lúcido, registrou com emoção o fascínio da África dos anos 20; acompanhou a Libertação de Paris; apreendeu os derradeiros momentos de Gandhi antes de seu assassinato, em 1948; foi testemunha da vitoriosa Revolução Chinesa de 1949.

Sobre suas viagens, Cartier-Bresson dizia que não viajava pelo país, mas que morava sim naquele país, traduzindo seu verdadeiro modo de estar no mundo. O artista francês tinha entre os seus pintores prediletos Van Eyck, Cézanne, Uccello, Piero della Francesca.

O cinema também registra a presença do grande fotógrafo francês, que foi assistente de Jean Renoir em três filmes de considerável importância.

Da Itália ao México, entre 1931 e 1934, Cartier-Bresson cria fotografias alucinantes e fulgurantes que são colocadas nas estradas e em grandes ambientes selvagens, onde expõe figuras marginalizadas e cenários deslocados. Cartier-Bresson, que desde cedo privou com o Surrealismo, compreendia e manifestava a modernidade em sua arte.

Preso em 1940 pelos alemães, consegue fugir em 1943, aderindo ao movimento de resistência francês. Somente em 1945 volta à fotografia.

Cartier-Bresson fez estudos de pintura, de filosofia, sendo senhor de extenso conhecimento; era respeitado e reconhecido em todo o mundo. Sua máquina, uma Leica; a fotografia sempre em preto e branco, uma vez que, para ele, o colorido é vulgar; o registro: as "cicatrizes do mundo", como ele próprio definiu as marcas da trajetória do homem no planeta.

Os traços de contemporâneos ilustres de Cartier-Bresson foram por ele eternizados: Mauriac, Giacometti, Sartre, Faulkner, Camus, Matisse, entre outros.

No fim dos anos 60, Cartier-Bresson deixa para trás a sua Leica e passa a dedicar-se ao desenho, para ele, o prolongamento do olhar em sua natureza, mergulhando em sua paixão original: a pintura e o desenho. Mas a sua arte primeira, a fotografia, não cessa de crescer, seguindo-se exposições, publicações de livros, instituição de prêmios e homenagens.

O fotógrafo francês era um espírito vivo e sensível, não tolerava o imobilismo e a estreiteza de horizontes. A ele não interessava a mera fotografia, mas o momento, o instante em que ela captava a realidade. A escolha pelo desenho por todos esses anos aponta para uma rara sensibilidade, uma liberdade cultivada, uma responsabilidade fundada na ética de um comportamento que pressupõe, sobretudo, o confronto consigo mesmo.

Reconhecida como de utilidade pública desde maio de 2003, a Fondation Henri Cartier-Bresson, instalada em um elegante atelier de Montparnasse, destina-se a preservar e garantir a independência da obra do grande fotógrafo dentro do espírito em que foi concebida; conservar no território francês o patrimônio excepcional que é inalienável; exibir ao público os tesouros do acervo da fundação e ainda obras de outros fotógrafos, pintores, escultores e desenhistas. A Fundação ainda se propõe a proporcionar aos pesquisadores facilidades em seus estudos, graças um longo e sério trabalho de inventário do acervo. A instituição criou um prêmio de fotografia que tem sua próxima edição em junho de 2005 e entrega dos dossiês em março do mesmo ano, sem restrições de nacionalidade e idade.

Para saber mais sobre Cartier-Bresson e obter mais informações sobre o prêmio, acesse o site www.henricartierbresson.org

FOTOS DE CARTIER BRESSON:


1934
(Calle Cuauhtemoctzin,
Cd. México)

1934
(Calle Cuauhtemoctzin, Cd.
México)

1947
(Truman Capote)

1953
(Mulheres de Atenas)

Endereço para correspondência:
amelia.fer@globo.com